A natureza da ilusão Maya.
Acorde homem, pelo menos agora, acorde.
Considere que toda essa criação é um mero sonho.
Este mundo é como uma flor que floresce;Conforme voce a olha, ela murcha sob seus olhos.
Porque voce está tão ligado à isto?
- Brahmananda
Ao estudar conceitos espirituais anciãos, deve-se ter em mente os dois maiores obstáculos que encontraremos; O primeiro, está relacionado com a linguagem e as barreiras culturais. Com a tradução e adaptação de textos muito antigos para nossa lingua e sociedade, não temos as palavras que expressem adequadamente o mesmo significado das palavras originais. Esta 'lingua anciâ que deu origem a palavra maya é o Sânscrito, linguagem que segundo estudos está presente desde 1500 anos a.c entre os homens.
O segundo obstáculo que devemos levar são os estados mentais, espirituais e culturais do próprio leitor. A idiossincrasia ocorre por toda a humanidade com diferentes símbolos (e.g. Carl Jung) e na nossa própria linguagem, esta é a maior dificuldade que nós, ocidentais temos ao estudar filosofias e a sabedoria oriental, por exemplo o livro chinês das mutações I-ching, importantíssimo guia (e para alguns oráculo) é um exemplo claro disso; Para nós uma roda, é uma roda e pronto. Para outros, ela pode representar a renovação constante dos ciclos cósmicos e dar idéia de perfeição e representação do sol.
Então devemos ter a humildade de aceitar, que talvez nossa interpretação de escritos antigos, pode não estar certa ou totalmente completa. Tendo sido coberta, por inúmeras camadas de transições culturais e traduções, geração após geração.
A palavra maya,é normalmente traduzida como ilusão, aqueles que não conhecem o significado original da palavra maya, pode se equivocar ao pensar que sabe o significado da mesma, porém existe uma diferença essencial entre os conceitos hinduistas de maya e os que nós temos da palavra ilusão.
Não temos uma palavra que descreve oque os sábios queriam dizer com maya . É dito que aquele que 'acordou' para uma visão além do maya, mesmo sem saber, está mais preparado para entender o real significado desta palavra, e do mundo. (i.e "I was blind, but now I see").
Alguns dizem que pensar neste mundo como uma ilusão pode ser irresponsável, e só trará sofrimento e falta de interesse. Porém, aquele que vê este mundo como maya, ele irá rir e dançar pelos caminhos da vida. Ao ver através deste véu, voce percebe que é um ser eterno, viajando pelos incontáveis campos de existências e dimensões, simultanemente. É como acordar de um sonho o qual voce estava sendo perseguido.
Não obstantemente, estar em maya não torna tudo irreal. Esta é a diferença sutil entre a natureza da ilusão e a natureza maya. Ilusão, normalmente é usada para mostrar algo que não existe. Já o maya, é como se fosse híbrido, é real e irreal ao mesmo tempo, como um sonho. Enquanto voce não acordava da perseguição no seu sonho, tudo era bastante real; Nos mandamentos védicos, o iluminado, Buda, se despertou de Maya; ele se tornou plenamente consciente, ele não mais sonhava. Estava vivendo lúcido o tempo todo, em todas as dimensões simultânea e conscientemente. Todo o conhecimento de todas as vidas que teve, foi obtido ao atingir o estado supremo de iluminação, o samadhi.
Ao ver e entender a natureza da ilusão maya, este estará em uma espécie de lucid-waker state,um estado plenamente consciente, acordado e lúcido.
Existe esta pequena história:
Uma vez viveu um poderoso Rei chamado Janaka. Em uma noite, ele sonhou que ele era um pedinte, sendo perseguido por um grupo de aldeões. Eles o tinham encurralado, ali no chão estavam espancando, jogando pedras e punhados de terra nele. Derrepente ele acordou.
Ali estava ele, o Rei Janaka, envolvido por jóias e seda, sendo adulado por seus serventes em seu luxioso castelo. Chocado pelo contraste, ele fechou seus olhos, e voltou imediatamente para seu sonho, onde os moradores continuavam batendo nele, e ele coagido no chão temendo pela sua vida. De novo, ele acordou, achando-se banhado em luxo e riqueza. Isso aconteceu, mais duas vezes. Janaka estava fascinado e intrigado pela experiência. Ambos estados pareciam igualmente reais à ele enquanto estava neles. Como ele podia saber qual é o real, e qual é a ilusão? Ele era o mendigo ou o rei?
De volta em seu estado acordado, o Rei Janaka chamou todos seus sábios, primeiro-ministros e conselheiros, e perguntou-os qual era o estado real. Nenhum foi capaz de responder a pergunta de forma satisfatória. Certo dia andando, pelo reino, um garoto filho de um sábio disse à ele: “Sua majestade. Eu venho com a resposta da sua pergunta.”
“Bem” - disse o rei.”Qual dos dois estados é real, o acordado ou o sonhado?”
O garoto sorriu suavemente e respondeu. “Ó rei. Nem o estado acordado, nem o que voce sonhou são reais. Apenas o verdadeiro Eu, é real. O que voce é, através de todo o maya.”
A ilusão ou sonho em que vivemos, se daria pelos objetivos distorcidos da vida humana. viver em busca de riqueza, poder ou prazer. Viver com o intuito apenas de satisfação dos 5 sentidos.
É dito que devemos ver nossa realidade como maya, e não como ilusão. Vê-la como ilusão, acarretaria em um sentimento de vazio e a sensação de que tudo que vivemos é algo insignificante e irreal. Já se tivermos a perspectiva de Maya obteremos a Glória Maya, com o vislumbre deste ponto de vista, podemos abandonar todos nossos medos, a vida se torna mais fascinante. Devemos ter consciencia que estamos desempenhando um importante papel - ilusório - nesta peça cósmica da consciência universal, alguns dizem que com isso voce aprende a sorrir para seu destino.
Sem isto, até mesmo o sucesso pode trazer infelicidade, porque entrelinhas criaremos o medo de se perder oque se conquistou.
Um grande Doutor-professor e colega, me explicou o conceito do cérebro-na-cuba.(Brain in a vat)
Basicamente a idéia é a seguinte: Um cérebro é colocado em um recipiente sendo mantido com nutrientes onde é simulada uma realidade.Uma espécie de super-computador, enviaria sinais e estímulos à este cérebro, iguais como se ele estivesse de fato, em um corpo.
Como saberíamos, se nosso cérebro está de fato ou não, em uma jarra?
Hilary Putnam, em seu livro Razão, Verdade e História, tenta argumentar pela lógica que não podemos ser BIV( Brain In a Vat), afinal através de Mássimo Dell'Utri "não pode manter sua afirmação sem pressupor de modo implícito justamente o que ele quer negar".
Ele diz que se formos BIV, não podemos pensar ou dizer tal coisa, pois estaríamos nos referindo à um mundo exterior ao nosso. O qual (se formos BIV) não conheceríamos.
Apesar de logicamente, e matematicamente estar correto (é provado aqui e, originalmente aqui). Tal afirmação, é dada como um círculo vicioso, não tendo uma resposta exata, já que Gettier provou por seus exemplos, que uma proposição pode ser verdadeira, mesmo sendo fruto do acaso.
A analogia ontológica sobre o exemplo do BIV e a realidade Maya, fica clara.
Para mostrar, sobre a Glória Maya citada, vamos considerar verdadeiro o exemplo do BIV.Somos todos BIV's em uma experiencia coletiva, ou voce é um BIV e todos as outras pessoas são apenas informações projetadas. Para uma pessoa que não vê através do Maya, isto pode soar totalmente perturbador. Porém se aceitarmos os benefícios da glória maya, saberemos que nosso cérebro está numa jarra, mas que oque nos torna conscientes é o nosso espírito. Nossa mente que foi transferida para esta realidade 'programada'. E que é nossa mente que percebe os sinais que estão sendo enviados para o aglomerado de carne e músculos que é o nosso cérebro. Logo não devo temer, pois não faz sentido ter medo, a matéria é apenas energia condensada em uma vibração menor, habitaremos outros corpos, outros planos, outros mundos.
Outras Jarras.(hahaha)
Ao entender e aceitar estes conceitos, atingimos uma atitude de fé e renunciação material. Com estas ferramentas, podemos ser quem quisermos e ser testemunhas dos misteriosos eventos que acontece na vida de um ponto mais alto e com uma perspectiva maior, e mesmo assim, continuar jogando o jogo.
Anões nos ombros de gigantes, enxergam mais que o próprio gigante.