quanto o teu desejo de amor cabe na vida real?
quanto ele tá pronto pra lidar com as falhas e brigas e espaços e ônibus lotado e contas atrasadas e reuniões indesejadas e chefes difíceis e tempo perdido?
quanto o seu amor está disposto a sobreviver enquanto todo o resto das pessoas e coisas vive e grita e ocupa parcelas cada vez maiores na nossa cabeça?
quanto você está disposto a entregar? e quanto você aprendeu a receber? a aceitar? porque parte do amor também é assimilar merecimento e doação
quanto seu afeto resiste ao que se planejou, mas não deu certo?
você vai saber exigir o mínimo? e além do mínimo? porque amor não é um contrato básico, o amor não é alternativa aos entediados, ele não é a coisa que você viu num livro e que tá louco pra experimentar na prática
quanto de rotina você tá disposto a engolir? e quando ficar chato? e quando ficar repetitivo? e quando só restar vocês dois na sala, repetindo assuntos, falando das mesmas pessoas
quanto você sabe que o amor não é suficiente?
porque não é
quanto você tem do resto? e o que é o resto, você sabe? sabe quanto?
[uma vez alguém me disse que a ideia de amar soa como um bálsamo até que você perceba que a ideia é perfeita, mas o amor não]
porque ele não está nos livros, nos filmes, nas músicas
o amor tá na rua
quanto você tem medo de abrir a porta e se deixar sair?














