eu fico voltando naquele dia, 11 de fevereiro… você rindo com seus amigos, meio perdido, e eu do outro lado da tela, meio perdida também, olhando pro mar e tentando não desabar. E eu desabei. E você me fez rir. Você não faz ideia do quanto aquilo foi raro pra mim. Eu pensei: “talvez aqui tenha algo diferente”. Eu quis acreditar nisso com uma força que hoje até me assusta.
A gente foi se aproximando devagar, flertando, criando uma intimidade que parecia tão nossa… mas sempre com esse limite invisível que você nunca quis atravessar. E mesmo assim eu fui. Eu fui inteira. Eu quis te transformar em algo que você nunca prometeu ser, e talvez isso também seja culpa minha, essa necessidade de me agarrar a qualquer sinal de carinho como se fosse salvação.
Quando meu ex voltou a falar comigo, eu já estava confusa, dividida, carente… e você ali, mas não totalmente ali. Eu queria você, mas você não queria o mesmo tipo de “nós”. E mesmo assim eu continuei. Eu ignorei os sinais, como sempre faço quando tenho medo de ficar sozinha.
E olha onde a gente chegou… noivos. Parece até irônico escrever isso, porque no papel soa como um compromisso gigante, mas na prática… eu me senti sozinha do mesmo jeito. Talvez até mais.
O que mais doeu não foi nem você não poder me ajudar. Foi você nem considerar. Nem se mexer. Nem demonstrar preocupação de verdade. Eu precisava de um lugar, de apoio, de sentir que eu não estava sozinha no mundo e você fez pouco caso. Aquilo me quebrou de um jeito silencioso, profundo.
Eu passei a noite chorando, me sentindo pequena, implorando por um amor que não vem inteiro. Como se eu estivesse sempre pedindo migalhas e tentando me convencer de que é suficiente. Mas não é.
Eu cansei de fingir que não dói. Cansei de ser paciente enquanto me sinto abandonada dentro de uma relação. Cansei de aceitar o que você dá quando, no fundo, eu sei que eu preciso de mais e mereço mais.
Eu me sinto presa… Por ser um "amor bom", como se estivesse lutando contra algo que nunca muda. E ainda assim, eu continuo me agarrando a essa esperança teimosa de que você vai acordar um dia e me enxergar do jeito que eu te enxergo.
Mas talvez a pergunta que mais me dói agora seja: até quando eu vou me permitir viver assim?
Porque eu estou destruída, Guilherme. E pela primeira vez… eu não sei se o que eu sinto por você é suficiente pra continuar me machucando desse jeito.