
Kiana Khansmith
Xuebing Du

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PUT YOUR BEARD IN MY MOUTH
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he wasn't even looking at me and he found me
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Sade Olutola
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@lilyofmars
Existem noites em que eu quase desisto de mim, mas então lembro de tudo o que já enfrentei e percebo que desistir agora seria trair a garota que lutou tanto para chegar até aqui.
Escriturias
Eu nunca soube amar as mudanças, elas sempre me assustaram. Foi preciso atravessar a paciência para aprender a aceitar cada imperfeição que me habita. Talvez eu não seja fácil, talvez eu não seja leve, mas não quero a urgência de quem me olha buscando perfeição. Quero alguém que me encare sem pressa, que toque minhas falhas como quem toca feridas com cuidado, e ainda assim escolha ficar — não porque sou inteiro, mas porque sou verdadeiro.
Nebulento.
Esclarecer as coisas para que o outro não pense demais, também é responsabilidade afetiva.
"Sou bom nisso:
em morrer devagar
sem ninguém notar"
- Ig. @osgraziela
coisas pelas quais eu devo me orgulhar; a coragem para ir embora mesmo sabendo que iria ficar sozinho.
me desculpa se parece que eu não me importo é que depois de tantas partidas eu aprendi que única pessoa que não pode me deixar sou eu mesmo.
céu de júpiter
Tem gente que se cura falando, eu me curo quieta. Na maioria das vezes, principalmente quando não estou bem, prefiro o silêncio. Não aquele silêncio morto e constrangido de quem não tem nada a dizer, mas sim o silêncio vivo, necessário, que impede tragédias. O silêncio que me preserva e preserva os outros também. Nesses dias que gosto de estar só, não por desprezo, mas por cautela. Eu não gosto de ser cruel sem querer e sei que a minha língua, quando impaciente, não pede licença para cortar. Então eu silencio e me escondo em um lugar que só eu sei onde dói. E aos que perguntam “o que foi?”, eu digo que está tudo bem e está mesmo. Nem todo desconforto quer conversa, nem toda dor quer plateia. E eu sei que quando estou assim, qualquer palavra atravessa o ar como uma faca mal arremessada: pode errar, pode ferir, pode voltar. Então, eu me recolho e só quero e preciso que o mundo me dê licença, que respeite minha ausência momentânea sem dramatizar. Eu só preciso respirar.
— Lais em Relicário dos poetas.
A dor é uma velha amiga.
Dr. Strange.
Posso não amar no formato certo, mas amo muito, amo nos detalhes, intensidade e cuidado. Amo a ponto de memorizar até às coisas que você não percebe que mostra.
Teoremas do Tempo
clareza costuma incomodar no começo, depois vira alívio
Partiram meu coração tantas vezes, que eu nem saberia por onde começar a colar e provavelmente a cola nem sustentaria. O que restou são cacos dispersos que se espalham por dentro e as pontas afiadas que vez ou outra se cravam em minha alma. Há algo de eterno no que se quebra e não pode ser reparado, é uma espécie de vazio que fica pairando, como um eco de um som que ninguém mais ouve. A solitude é uma companheira silenciosa, ela se instala nas frestas deixadas pelas ausências e preenche o espaço com uma quietude quase cruel. Não é o tipo de silêncio que traz paz, mas o que escancara a vastidão entre o que se foi e o que nunca mais será. E o pior da solidão não é estar só, é se sentir invisível até para si mesmo. É como caminhar por um deserto interno, onde cada passo levanta uma poeira de lembranças mal resolvidas. Eu já tentei buscar abrigo em outros corações, mas todos, sem exceção, parecem fugir de mãos vazias quando percebem o peso de meus estilhaços. Como carregar o fardo de alguém que nem ao menos sabe onde estão seus pedaços? Há dias em que o céu parece estar desmoronando sobre mim e outros em que sou eu quem parece cair incessantemente, como se o chão houvesse desistido de me segurar. Mas em algum lugar, bem no fundo dessa escuridão que não termina, existe uma tênue esperança. Não de me reconstruir por completo, mas de aprender a existir com as partes faltando. Porque talvez o segredo não esteja em colar o que foi quebrado, mas em encontrar beleza na imperfeição do que restou.
— Diego em Relicário dos poetas.
o grito silencioso que ecoa
a mente embaraçosa que não se arruma
o corpo cansado que dói e pede abrigo
uma vida agitada que não se para quando dói.
meus pulmões ardem pedindo fôlego, fôlego de ar e vida.
todos meus músculos se enrijecem impedindo meu descanso.
pensamentos a mil por hora, quase me levando a insanidade.
questionamentos de uma vida deveriam virar questões ?
tudo em mim arde e grita,
queima e derrete.
derrete vísceras, veias e coração.
gritos silenciosos são perigosos, se ninguém os ouve.
um abismo se abre em mim
e me encontro de novo na contramão com meus demônios.
mas desta vez, estou cansada demais para expulsa-los
sento com eles, peço uma cerveja e acendo um cigarro
uma hora alguém vai ter que levantar da mesa primeiro e desta vez, não será eu…