KIM WOOSUNG? Até que parece, mas não é. Aquele é ILYA HWANG, classificado como ALFA. Ele tem TRINTA E UM ANOS e é natural de LOS ANGELES, ESTADOS UNIDOS, mas atualmente está residindo aqui perto em YONGDAM. Atualmente, trabalha como LEGISTA E TATUADOR INDEPENDENTE. Dizem que é muito EXTROVERTIDO e AGITADO. E também pode ser RANCOROSO e BRIGÃO, acredita? Mas quando passa, deixa para trás aquela essência de SÂNDALO COM NOTA DE BERGAMOTA.
NAVEGAÇÃO — encontre todas as informações aqui.
BIOGRAFIA
Ilya nasceu em Los Angeles, em uma pequena família coreana, tendo passado toda sua infância e pouco da adolescência nos Estados Unidos até que seus pais decidiram voltar à Coreia do Sul. Seu pai, um grande cientista na área da saúde, havia sido chamado para liderar um estudo para medicamentos voltado para melhorar a vida dos ômegas. A família toda mudou-se para Seul, onde terminou seus estudos.
Depois de se formar no ensino médio, acabou passando na prova para cursar medicina, que era o sonho de seus pais, já que ambos são da área da saúde. O sonho que tinham traçado para ele era o caminho da obstetrícia. Ele estudou durante longos anos até cair, praticamente sem vida. Algo que não durou por muito tempo e começou a aprender, na força do ódio, que seus pais não mandam na vida dele. Ele terminou o curso, é claro. Tinha um belo diploma enquadrado em vários lugares da casa, que era para ele se lembrar de todo o esforço feito.
Já na fase adulta decidiu contrariar os pais pela milésima vez e seguiu o caminho da medicina legal. Isso gerou uma ruptura no relacionamento amoroso que tinha com a família. O estopim foi quando Ilya apareceu com máquina de tatuar, agulhas, tinta, papel hectográfico e pele sintética em casa. Ele foi expulso da grande casa glamurosa da família Hwang. Ele não sofreu nada com aquilo, sentiu a liberdade cantar pelas veias. Odiava que sua família fosse tão conservadora, suas ideias não batiam nenhum pouco com os pensamentos dos pais que, apesar de serem pesquisadores de fármacos supressores, julgavam tudo o que não era uma vida tradicional.
De mala e cuia, Ilya foi para Jeju, local onde tinha prestado concurso público para trabalhar como legista algumas horas da semana. Em seu horário livre era possível encontrá-lo curtindo a vida adoidado ou em seu estúdio de tatuagem que bombava na internet. O estúdio era frequentado principalmente por estrangeiros querendo registrar suas memórias. Era muito conhecido no ramo, tendo muitas curtidas, postagens e repostagens em suas artes.
OBSERVAÇÕES: Poucos sabem que ele é médico legista, ele vive essa parte da vida de maneira bastante clandestina e focando em suas atividades no estúdio. Ele compartilha essa informação apenas com quem cria alguma conexão. Apesar de saber coreano fluente, ainda apresenta sotaque por não ser sua língua materna. É muito sensível, mais que o normal, a cheiros e aromas.
as mãos dela ainda estavam um pouco trêmulas, mas o coração já não batia tão descompassado. as explicações do tatuador tinham um efeito quase tranquilizante, como se ele tivesse aprendido a domar ansiedades com paciência e um certo humor. mesmo assim, quando percebeu o olhar dele fixo nela, seu rosto esquentou. desviou os olhos, e os dedos se mexeram inquietos sobre o colo. com certeza ele achava que ela era uma completa boba. talvez fosse. mas, antes que pudesse pensar melhor, ouviu a própria voz responder com firmeza: ❝ eu tenho certeza! ❞
de onde aquilo veio? nem sabia ao certo. talvez da memória da promessa que tinha feito a si mesma — uma lista silenciosa de desejos e vontades que guardava desde que era criança, podados por regras que pareciam inquebráveis. agora ela não era mais a menina obediente, moldada por pais conservadores, irmãos alfas e expectativas antiquadas. agora, era alguém tentando viver por si. se aproximou um pouco mais e apontou para um dos quadros expostos na parede atrás dele. ❝ que tal algo como aquela? ❞ disse, indicando um desenho de pássaro com as asas abertas, em pleno voo. era mais ousado do que ela havia imaginado para si, maior também, mas... bonito. livre.
Ilya sorriu em resposta à mulher. Percebeu que ela parecia um tanto nervosa, então tentou não encará-la demais, evitando reparar diretamente no modo como ela corava aos poucos. Ainda assim, a resposta firme que recebeu o fez acenar com a cabeça, sentindo-se seguro de que ela realmente queria fazer uma tatuagem. Ele já ia oferecer um de seus portfólios para que ela folheasse, mas sua atenção acompanhou o gesto dela ao apontar para um desenho específico na parede. Suspirou e abriu um sorriso de imediato, voltando o olhar para ela.
— Boa escolha! Combina com você — comentou, antes de inclinar um pouco a cabeça, curioso. — Escolheu por algum significado especial? Ou simplesmente achou bonito? Sabia que pássaros representam liberdade?
Disse com brilho nos olhos. Ilya adorava trabalhar com artes que envolviam aves, não apenas pelo traço, mas pelo simbolismo que carregavam. Sempre gostava de compartilhar isso com quem se deixava encantar pelos detalhes bonitos.
— Tenho certeza de que vai ficar perfeito em você — concluiu, já animado. — Onde vamos colocar o seu pássaro?
Ilya estava com o som no talo no estúdio mais uma vez. Se perguntava se a loja de roupas ao lado ia reclamar de novo, como fizeram na semana passada. Francamente, ele até esperava que sim — qualquer coisa para quebrar a rotina. O estúdio era modesto, dividido em duas salas: uma para tatuagem e outra dedicada aos piercings. Ele mesmo fazia ambos os serviços.
Estava cansado. Dois dias seguidos de plantão não eram brincadeira. O cansaço batia nos ossos, mas ele ainda preferia estar ali, rabiscando ideias no caderno de esboços, do que parado sem fazer nada. Trabalhar era sua forma de descansar. Soava contraditório, mas fazia sentido na cabeça dele
Com a ponta do lápis, esfumaçou mais uma sombra no desenho da fada que estava tentando finalizar há meses. Uma criatura linda, quase etérea, mas ainda faltava algo. Não queria só beleza. Queria impacto. Força. Letalidade. Um feitiço em forma de tinta. Já estava nesse projeto há três meses e ainda não tinha chegado onde queria. Aquilo o deixava frustrado. Um leve rosnado escapou pela garganta quando riscou um pedaço do papel com mais força do que deveria.
Num impulso, aumentou ainda mais o volume da música e começou a cantar junto, só pra extravasar. Mas parou no mesmo segundo em que ouviu a porta do estúdio abrir com aquele “tilintar” irritante do sino. Um cheiro novo e desconhecido preencheu o ar.
Ele ergueu os olhos devagar, as pupilas instintivamente contraindo, alerta.
— Hm… cliente novo? — murmurou mais pra si do que pra quem entrava.
Ele puxou a porta de vidro temperado pela grande maçaneta de metal e não pôde deixar de quase tampar os ouvidos ao tê-los sendo invadidos pelo som surpreendentemente alto que o rodeou quando entrou no estúdio. Péssima ideia ir até aquele local naquela tarde? Talvez tivesse sido.
— Hãn... Acho que sim? Eu estava conhecendo a região. Me mudei a alguns meses, mas ainda não vi tudo o que tem por aqui. — Falou em um tom de voz um pouco mais alto que o normal, ameaçando se aproximar do balcão onde o rapaz estava, mas resolvendo ficar onde estava mesmo, já que as caixas de som estavam mais próximas dele. — Acho que vou aproveitar e furar as orelhas. — Levou a mão de forma inconsciente até o rosto, coçando a ponta do nariz tal qual sempre fazia quando nervoso ou aflito com o novo ambiente.
Ilya sabia que um cliente havia chegado, mas ficou curioso com a maneira como o garoto entrou. Algo na postura dele divertia Ilya, embora não soubesse exatamente o porquê, mas estava achando interessante. Ele poderia baixar a música, claro, mas a forma como aquilo parecia frustrar o outro, fazia com que seu lado mais sombrio aparecesse. Ilya manteve a música alta até ouvir o garoto gritar para ser ouvido. Com uma risada baixa, quase bufada, e visivelmente satisfeito, Ilya abaixou a música e instigou o garoto a se aproximar mais. — Vem cá, juro que não mordo. — Ilya disse, com os olhos brilhando de diversão. Relaxando, ele deixou a atmosfera mais amigável e pegou as joias que tinha para mostrar ao rapaz. — Fique à vontade para dar uma olhadinha. Qual estilo você quer? — Ele abriu um sorriso, observando o estilo que o garoto trazia naquela tarde. — Ah, desculpa, eu sou o Ilya.
A mulher se aproximou de onde o tatuador estava, balançava concordando com o processo, sua tatuagem precisou de várias sessões para nascer por completo, dois dias quase por inteiro era intenso, mas acabava rápido. "Hu-humm, entendo". Estava ficando um tanto confusa sobre qual caminho seguir. Ilya tinha um ótimo cuidado, detalhista nas explicações o que deixou Hae mais confiante na escolha do profissional que realizaria o retoque. Ela suspirou e relaxou um pouco, refletindo em sua postura descansando o peso em uma das pernas. "Ah! Obrigada... tenho certeza que vai ficar mais bonita após os retoques, vou confiar em você." Tentou disfarçar por ter ficado tímida com o elogio, existia um significado por trás - a Hae-Ryeon da época, misturada com apenas uma arte bonita que carregava aquela história, não se arrependia nem um pouco, obviamente. Até esquecia do detalhe depois daqueles anos e só lembrava em momentos específicos ou quando alguém comentava.
"Bom, vamos para quinta-feira? Seguimos a sessão conforme eu for aguentando." Riu do comentário. "Não me importo com sessões longas, o que vai me incomodando em algumas partes... próximo das costelas por exemplo. Mas não tem problema em dar umas pausas para respirar e comer, né?" Observou o local de trabalho, era bom se sentir confortável e confiante, notou o bloco com o desenho ao lado do rapaz e seu olhar brilhou. "Nossa! Está bem bonito! Estou sentindo que vou acabar deixando todo meu dinheiro com você! Estou com vontade de fazer uma no braço..."
Esticou o braço esquerdo, apontando mais ou menos o tamanho que seria e por onde ficaria, pegando o braço e ante braço, do cotovelo para baixo enquanto falava: "Mais ou menos por aqui. O que sugere? Posso fazer uma pequena consulta agora ja que a revitalização das costas já está marcada. Mas caso você tenha algum compromisso, podemos falar na quinta-feira sobre." Perguntou despreocupada, não tinha pressa e também não queria roubar o tempo do tatuador. O braço de Hae tinha algumas pequenas manchas, roxeados e amarelados nos quais gostaria de cobrir, cicatrizes dos remédios.
Ilya ouviu as palavras da mulher com atenção, captando todos os detalhes enquanto observava seus gestos e escutava as explicações sobre o que ela gostava. Além disso, concordava com a cabeça a cada informação que ela dava sobre os horários. Ele só quebrou o silêncio para confirmar algo que ela perguntou: sim, haveria pausas durante as sessões para comer, descansar e respirar um pouco. Tudo isso fazia parte do protocolo pessoal dele.
Seus olhos se estreitaram brevemente em surpresa, já que não esperava que ela quisesse algo rápido no braço. Ele olhou para o braço dela e começou a especular sobre as possíveis artes que poderia fazer. Ah, ele ia se divertir com isso. Ilya sorriu para ela, pegou seu bloco de desenhos e o entregou, permitindo que ela explorasse melhor as folhas.
— Não sei, eu gosto do clichê de uma serpente, vigas, mas adicionaria corvos — deu de ombros. — Esse é o meu gosto pessoal.
Ele riu e balançou a cabeça. Ilya estava sempre tentando convencer seus clientes a fazerem artes com corvos.
— E o seu gosto? Podemos combinar algumas ideias aqui — o sorriso foi ladino, como se o convidasse a explorar possibilidades. — Podemos fazer isso hoje, estou completamente livre. Não se apresse.
O aroma de Ilya é uma tempestade implacável, onde o sândalo se mistura com o calor e a intensidade do toque de bergamota. Seu cheiro exala poder e algo quase primitivo, que diz muito sobre sua personalidade. O sândalo, quente e profundo, revela seu lado territorial, forte e indomável, enquanto a bergamota traz um toque de frescor que interrompe a rigidez, refletindo sua capacidade de surpreender e se reinventar. Quando ele entra em uma sala, seu cheiro se impõe como um aviso silencioso: ele está ali, e ninguém ficará indiferente.
Ilya Hwang é do tipo que não passa despercebido, nem mesmo por um segundo. Seu cheiro, uma combinação audaciosa de sândalo com bergamota, é mais do que uma simples essência — é quase uma marca registrada, algo que diz mais sobre ele do que ele gostaria que dissesse. Quando ele entra em um ambiente, a fragrância segue, firme e imponente, como ele mesmo. O sândalo é intenso, terroso, uma base sólida que transmite sua natureza intransigente e ferozmente independente. É o tipo de aroma que não pede licença para invadir o espaço, assim como Ilya nunca foi de pedir permissão para fazer as coisas do seu jeito.
A bergamota vem com seu frescor cítrico e cortante, quase irreverente. É o toque que equilibra a dureza do sândalo, revelando a outra faceta de Ilya, a sua irreverência, o sarcasmo, o flerte constante com a vida. Ele pode ser um alfa, mas esse toque mais leve no seu aroma revela uma parte dele que poucos realmente veem: a diversão, o lado que se deixa levar e se embriaga com o caos da liberdade. Para os mais atentos, esse contraste é quase palpável. Quando ele faz piada, quando dá risada de uma situação embaraçosa, o cheiro de bergamota parece se intensificar, quase como se o próprio ar estivesse se divertindo com ele. É como se sua essência dissesse: "Eu posso ser sério e imponente, mas eu também sei me divertir."
O cheiro de Ilya é um pouco peculiar. Às vezes, ele é sutil, uma presença que fica no ar, mas não invade. Mas, em momentos de estresse, quando as coisas ficam tensas ou quando ele se vê forçado a assumir a sua posição de líder, o sândalo fica mais forte. Ele é um homem de poucas palavras, mas quando fala, é como se o cheiro de seu corpo tivesse uma voz própria. Ele não precisa dizer muito, porque o aroma dele já diz tudo. As pessoas reagem a isso sem perceber: os mais sensíveis ficam inquietos, atraídos ou até mesmo desconfortáveis. Não é todo mundo que lida bem com a intensidade de Ilya — ele tem um jeito de dominar o ambiente sem esforço, sem sequer tentar.
Em momentos de tranquilidade, como quando ele está com seus livros, ou cuidando das plantas que cultiva com paciência silenciosa, a sua essência também se suaviza. O sândalo ainda está lá, mas é mais calmo, quase introspectivo. E a bergamota? Ela se mistura mais suavemente, criando uma fragrância quase terna, algo que revela o lado introspectivo de Ilya, um lado que ele muitas vezes prefere esconder. Ele não é só esse homem que flerta com a liberdade e com o caos, ele é também um observador, alguém que se perde em pequenos detalhes, que sente o mundo em silêncio.
O aroma dele muda com o tempo, especialmente no que diz respeito ao seu rut. Nos momentos em que se sente ameaçado ou estressado, o cheiro de Ilya fica mais forte, quase impositivo. É como se ele estivesse marcando território, como se o cheiro dissesse "não se meta no meu caminho". Mas quando ele está mais relaxado, talvez em um dia tranquilo no estúdio de tatuagem, a intensidade diminui, e o cheiro se mistura ao ambiente.
Em um mundo onde os alfas são frequentemente definidos pela sua imposição e força, Ilya quebra essa ideia. Ele não é apenas um alfa porque seu cheiro é imponente. Ele é alfa porque tem o controle sobre como ele escolhe se apresentar. Ele deixa que sua essência revele o que ele escolhe mostrar: a força intransigente, mas também a leveza e a irreverência. Ele está sempre no controle de quem ele quer ser e o que quer que as pessoas sintam quando o encontram. E seu cheiro? Bem, ele não mente.
Quando Gunil levantou o rosto outra vez, as duas pintinhas abaixo do olho ficaram mais evidentes. Ele sorriu pequeno, se desencostando um pouco do balcão pra que o mais velho pudesse manobrar as joias - as argolas chamando atenção logo de primeira.
Antes de escolher, Gunil olhou para o Ilya por um breve segundo como se precisasse de certeza de alguma coisa, antes de apontar para a argola de titânio natural no display - o esmalte preto da unha já descascando na pontinha. — Eu já tive alguns sim. — Ele explicou, mexendo no cabelo de qualquer jeito. — Vou tirando, colocando, sabe como é... É a parte que eu acho legal de piercing.
Os olhos de Ilya seguiam cada pequeno gesto do homem à sua frente, desde os movimentos casuais enquanto falava até a mania de mexer no cabelo. Com um leve balançar de cabeça, ele observou a argola de titânio que lhe foi mostrada e assentiu, aprovando. Era uma boa escolha, especialmente se o objetivo fosse uma cicatrização tranquila. — Ah, sei sim... Dá só uma olhada — disse, apontando para o canto da própria boca, onde uma pequena cicatriz de piercing ainda era visível. — Esse danado vive indo e voltando. Então entendo. Talvez eu mesmo volte com ele no mês que vem. — Um riso despreocupado escapou dos seus lábios enquanto pegava a pinça para levantar a joia. Seus olhos voltaram a se fixar em Gunil. — Vai querer furar agora ou prefere marcar um horário?
Numa tentativa de dar uma enrolada, pois Haesoo não sabia como dizer que não estava interessado em fazer tatuagens e nem em piercings, acabou o elogiando. — Que sorriso bonito que você tem! — comentou depois que o homem sorriu, queria enrolar, mas estava sendo sincero. Pegou o caderno que ele alcançou e fingiu olhar o que estava escrito, até que abriu um sorriso para ele também antes de decidir falar o que queria. — Então... desenhos. Esse aqui, muito legal também. — Apontou para o desenho que ele estava fazendo antes, que tinha dado uma bisbilhotada. — Mas eu queria saber se você só faz o desenho. Sem tatuagem, por favor. Estou passando qualquer coisa do tipo... por enquanto.
Depois que ouviu o que o cara estava dizendo, foi inevitável, Ilya soltou uma gargalhada, acenando com a cabeça como quem agradece um elogio. — São os seus olhos. — devolveu, sincero. E eram mesmo bonitos, não dava para negar. — Meus desenhos? Você quer tatuar... uma fada? — arqueou a sobrancelha, intrigado. Não que ele julgasse os estilos dos seus clientes, mas aquele cara definitivamente não parecia do tipo que tatuaria uma fada. Na verdade, nem parecia do tipo que tatuaria qualquer coisa. E como se quisesse confirmar a suspeita, o outro confessou: não ia fazer nenhuma tatuagem. Queria apenas um desenho? Nesse instante, Ilya provavelmente deixou toda sua confusão estampada no rosto, então tratou de relaxar a expressão e inclinou a cabeça, curioso. — Um desenho? Tem certeza que não quer colocar um piercing no mamilo? — perguntou com um sorriso brincalhão. — Ia ficar ótimo, hein. Mas... um desenho? Que tipo de desenho você quer?
Se arrepiou inteira quando ouviu ele rosnando com o puxão que tinha dado no cabelo dele, arregalando um pouco os olhos pelo que sabia que vinha pela frente. Xiaoli era meio impulsiva e doida, sabia muito bem disso, mas aí quando tinha que lidar com as consequências das suas ações... já eram outros quinhentos. Então se encolheu um pouco quando ele avançou para cima de si, prendendo seus braços e ficando colado nela. Sentia seu coração acelerado e sua respirando ficando ofegante, a proximidade fazendo-a ficar respirando o aroma dele praticamente. Era algo muito tentador, na cabeça de Xiaoli, por mais que ela tivesse descoberto que ele não era o cara com quem estava falando pela internet, não conseguia desvincular os sentimentos tão facilmente assim. Vendo ele de perto assim e sentindo o cheiro dele, a fazia querer ceder. O rosto dele ainda estava vinculado a tudo o que sentiu no último ano compartilhado com a pessoa com quem conversava na internet. E além de ser tão bonito, ainda tinha um aroma muito gostoso para Xiaoli.
— Provar... — Riu desacreditada, tentando fingir que não se sentiu afetada. — Eu não quero provar nada. — Piscou os olhos repetidas vezes, tentando se manter em foco, retribuindo o olhar dele.
Soltou um suspiro quando viu ele relaxar um pouco, relaxando junto com ele. Deixou com que os ombros caíssem quando ouviu o que ele disse, pois ele estava certo.
— Tudo bem, vou te perdoar sobre me chamar de carente. E ok, você tem razão, eu devia começar a tomar mais cuidado. Acho que nunca mais vou fazer isso, não esperava mesmo que fosse ser assim. Faz mais de um ano que estávamos nos falando, então achei que estava tudo bem confiar depois de tanto tempo, mas você tem razão mesmo — comentou em sua defesa, mas concordando com ele também. Ia se afastar, mas paralisou quando ele voltou a invadir seu espaço pessoal e sussurrar em seu ouvido, não conseguindo nem disfarçar que não tinha a afetado o ato, pois acabou por ficar arrepiada. — E quem disse que vai ter uma próxima vez? — sussurrou de volta antes dele se afastar, balançando a cabeça negativamente para ele.
— Hm... depois de me chamar de doida e carente? — perguntou, pegando seu celular de volta. — É Wang Xiaoli.
Ilya não esperava que ela revelasse o nome com tanta facilidade, e quando o fez, ele precisou conter o sorriso mais largo.
— Wang Xiaoli… — repetiu baixinho, como quem prova algo doce. Bonito. Combinava com ela. Ah, sim… combinava até demais.
O olhar dele percorreu o rosto dela com curiosidade, demorando-se um pouco mais nos olhos, no traço suave da boca. Xiaoli era bonita, delicada, e algo no jeito como se portava — no cheiro, na postura, no brilho provocante do olhar —, gritava ousadia. Um contraste que Ilya achava simplesmente irresistível.
— Sempre terá uma próxima, amorzinho — murmurou com a voz baixa, rouca, divertida, aproximando-se com uma tranquilidade perigosa.
Ficou a um passo, próximo o suficiente para ela sentir o calor, mas sem ultrapassar o limite. Os lábios dele quase encostaram nos dela, mas subiram, como se a provocação fosse mais saborosa do que o beijo em si. Ah, mas como ele queria beijá-la.
— Sempre que você quiser. — Os olhos dele desceram devagar até a boca dela, depois voltaram aos dela com um brilho divertido. — Foi um prazer te conhecer, Wang Xiaoli. Você já tem o meu número… então, estou esperando.
Ele deu um último sorriso — malicioso, mas suave — antes de se afastar com aquele tom que deixava no ar a promessa de mais. Muito mais.
Estava naquele bar com novos amigos, porque no fim, Bruno era o tipo de introvertido que fazia novos amigos e novos contatos com muita facilidade. A sua bateria social já não estava das melhores, a exaustão era visível em seu olhar, ainda que continuasse a sua simpatia da mesma forma do início daquela socialização. Falou que precisava fumar, pegou a sua longneck, um cigarro na carteira de um dos turistas que fazia parte daquela roda de conversa e um isqueiro, seguindo até a saída do bar.
Não, Bruno não fuma, ao menos não os cigarros convencionais, ele fingiu apenas para conseguir um momento só dele para respirar e ver se conseguia recarregar a bateria. Ao sair, encostou-se em uma pilastra e colocou o cigarro atrás da orelha, bebendo um gole generoso de sua cerveja, deixando o tempo passar. Quando viu uma pessoa que passava a energia de que curtir um cigarrinho, assobiou para chamar a sua atenção e fez um gesto para que se aproximasse. "Ei, quer um cigarro? Quer dizer... você fuma?"
Muitas vezes, seus amigos inventavam de tocar em algum barzinho só pela diversão, e Ilya sempre topava. Adorava tirar a guitarra para passear, sentia-se vivo com a energia da música, com a adrenalina que tomava conta deles no palco improvisado. Aquela noite estava insana. Tocou até suar e, agora, encostado no balcão, pedia uma mistura com tequila. Poderia pedir uma cerveja bem gelada? Claro. Mas a tequila era seu verdadeiro amor. Quase um caso de amor à primeira vista.
Tomou uma dose e trocou piadas com os atendentes, finalizando com uma piscadela charmosa. Mas havia algo que precisava ainda mais naquele momento: um cigarro. Noites assim sempre despertavam aquela vontade. Só que ele estava tentando parar e, bem... não tinha nenhum com ele. Então resolveu sair para tomar um ar, dar um tempo, baixar um pouco toda aquela eletricidade que ainda corria pelas veias.
Levantou os olhos para o céu e começou a caminhar, distraído, até ouvir um assobio. Parou, olhou em volta. Havia um cara encostado, e quando escutou a frase que veio em seguida, sorriu. Parecia destino. E como o bom senso não era seu ponto forte, Ilya foi até ele com o ar mais despreocupado do mundo, já estendendo a mão, como se aquele cigarro tivesse sido prometido desde sempre.
— Me salvou, ein? Tava aqui namorando um cigarrinho só nos pensamentos, olhando pro céu. — riu com sinceridade, colando o cigarro nos lábios antes de completar, brincalhão e esperando ele acender. — Me faça as honras?
jungjae levou mais um pedaço de tteokbokki à boca, os olhos brilhando com aquela expressão satisfeita que ele sempre fazia quando comia algo apimentado do jeito certo. ao ouvir a pergunta, inclinou a cabeça para o lado, encarando o outro com um meio sorriso e arqueando uma sobrancelha. ❝ você me compra bebida e ainda me deixa escolher? nossa, tô começando a achar que ganhei na loteria hoje ❞ brincou, a voz leve, carregada daquele humor fácil. jae apontou com os hashis para as latas atrás da senhora da barraquinha, decoradas com personagens de desenhos antigos. ❝ eu quero a de melancia, e aí, vai encarar um soju ou vai ficar no refrigerante também? ❞
Ilya sentiu uma vontade absurda de cair na gargalhada, e não se segurou. A pergunta vinda do outro homem o pegou de jeito, porque, convenhamos, não era todo dia que ele abria a carteira e ainda deixava a outra pessoa escolher. — Pô, mas é claro! Tô muito generoso hoje. Aproveita — respondeu, piscando de forma brincalhona antes de rir de novo.
— Vou com o de melancia também, é o meu favorito. E se você ousar dizer que é o seu também… vamos brigar! Não aceito concorrência — completou com um sorriso provocativo nos lábios.
Era óbvio que estava brincando, mas no fundo… tinha mesmo um leve ciúme da sua fruta preferida.
Ilya pediu os refrigerantes para os dois, trocando piadas com a senhora da barraquinha, que já ria discretamente deles. Quando recebeu as latas, fez um gesto grandioso ao abrir uma delas e oferecê-la a Jungjae com um sorriso malandro nos lábios. — Para você, a pessoa que conseguiu amolecer minha carteira.
jaehwi se juntou a @lonellystarxx para ajudar a limpar a horta comunitária, em uma manhã de domingo.
Na agenda de Jaehwi, domingos eram reservados para descanso. Um daqueles dias que se ficava de pijama o dia todo e afundado no sofá de casa, sendo completamente inútil para o país. No entanto, naquela semana, se encontrava em uma situação bem atípica: de pé logo pela manhã, com uma roupa velha, luvas de jardinagem, um chapéu e do lado de um alfa que conhecia pouco. Pelo jeito, seriam a dupla da vez. Isso certamente tinha um dedo de sua tia.
De qualquer forma, o ômega, com todo o seu carisma, se virou para o colega e sorriu. ━━ Por onde acha que podemos começar? ━ Colocou as mãos na cintura, olhando ao redor, e então apontou na direção da plantação de cenoura e rabanete. ━━ O que acha dali?
Era sempre uma surpresa para quem descobria esse lado de Ilya. Risadas surgiam entre os mais chegados quando ficavam sabendo que ele era um verdadeiro apaixonado por jardinagem, e que mantinha até uma pequena horta em casa! Mas era domingo, e isso significava dia de cuidar da horta comunitária. Ilya estava ali, luvas nas mãos, ao lado de um ômega fofo que lhe perguntava por onde deveriam começar.
O gesto foi adorável, e Ilya, querendo que ele se sentisse à vontade, abriu um sorriso leve e acenou com a cabeça, deixando o tom da voz tão calmo quanto o ambiente ao redor.
— Parece uma boa ideia — disse, ajustando o boné antes de chamar a atenção de Jaehwi com um aceno, guiando os dois entre as plantas, cuidadoso para não esbarrar em ninguém com as ferramentas.
— Entre rabanetes e cenouras, qual é o seu favorito?
Havia acabado de fechar os olhos e respirar fundo; de se concentrar no mar e, se tivesse sorte, até dormiria um pouco. Yoonhak não teria tido qualquer chance de reagir à pisada. O susto com a presença de alguém, no entanto, foi muito maior do que ser quase pisado. Sentou-se de supetão, grunhido com a leve dor de cabeça que veio como um soco. Felizmente, tão rápido também foi embora.
“Confesso que nunca quis ter a cabeça pisada. Faz sentido?” ele falou com humor, apesar do tom parecer sério e nenhum sorriso no rosto quando espiou o rapaz. Foram os olhos brilhantes que denunciaram antes dos cantos dos lábios se curvarem.
Yoonhak prestou mais atenção na companhia. O cenho franziu quando processou a casualidade do outro em sentar-se ao seu lado. Não pensou muito quando pegou a garrafa fechada do outro lado e ofereceu, mas ela foi um bom pretexto para parecer mais natural inclinar-se e ter mais do cheiro alheio. Era um beta, o olfato não era tão aguçado com os outros e o álcool e a praia não ajudava. O que chamou sua atenção, porém, foi o cheirinho no ar que parecia com o do tempo fechando e se misturando com maresia. Fazia o ar parecer mais denso.
“‘Tá parecendo que vai chover ou é impressão minha?” Divagou encarando o céu. Não encontrou nada além da lua; já estava escuro demais para perceber se o tempo havia fechado. O olhar caiu para o rapaz. Yoonhak não havia se preparado para dividir a praia naquele momento, mas nem sempre o que ele queria era o que precisava. E ficar sozinho não era o segundo. Mentalmente, considerou o outro bem-vindo. “Não consegue dormir?”
Ilya não se importava muito em seguir regras sociais. Todos que trabalhavam com ele já haviam superado esse detalhe, e ninguém mais parecia ter problema com isso. Usar esse jeito direto com quem ele não tinha tanta intimidade era arriscado, sim, mas Ilya ligava? Nem um pouco. A parte mais divertida era justamente a chance de esbarrar num embate por causa disso.
Com os pensamentos borbulhando na cabeça, ele virou o rosto na direção do homem que, há pouco, estava deitado na areia e soltou um sorriso despretensioso. Acenou com a cabeça e voltou a encarar o céu. Ia chover, ele sentia. Tinha quase certeza. Só desviou a atenção quando percebeu a curiosidade do outro. Pegou a garrafa que lhe foi oferecida e concordou com a cabeça.
— Cara, eu tenho uns noventa e oito por cento de certeza que vai chover, sim. — expressou sua sabedoria sobre o clima, totalmente baseada em achismos e nas dores nas juntas. — E… mais ou menos. Digamos que eu acabei meu expediente agora e estou aqui refletindo sobre a vida. Ou seja, não recomendo. E você?
˛⠀⠀⋆⠀ㅤstarter fechado com @lonellystarxx no studio de tatuagem de ilya
embora tatuagens fossem praticamente um tabu em sua família, a ideia de carregar uma arte na própria pele sempre fascinou sunnie. desde criança, desenhava com canetinhas no braço, inventando formas, flores, estrelas e palavras que só ela sabia o significado. agora, longe da vigilância materna, ela às vezes usava tatuagens temporárias, escondidas no interior do braço ou no tornozelo. delicadas, mas significativas. uma amiga, empolgada com a tatuagem recente, a incentivou a conhecer o um tatuador chamado ilya hwang e fazer algo pequeno, que ninguém descobriria. e foi assim que sunbin marcou um horário no estúdio indicado. o lugar tinha cheiro de tinta, álcool e uma pontinha de rebeldia. o tatuador era gentil, com desenhos incríveis expostos pelas paredes, mas, conforme o momento se aproximava, ela não conseguia parar de falar. ❝quanto tempo demora? e se eu me mexer sem querer? já aconteceu de alguém se arrepender no meio?❞ a voz dela saía um pouco mais aguda que o normal, os olhos arregalados, e as mãos suavam mesmo no ar-condicionado do estúdio. ❝ desculpe, eu faço muitas perguntas ❞
Ilya estava distraído trocando algumas mensagens... digamos, questionáveis (totalmente duvidosas), quando uma mulher de aparência tímida entrou na loja. Ele imediatamente bloqueou a tela do celular e foi até o balcão, fingindo organizar algumas das decorações espalhadas ali com uma naturalidade cínica.
Eles conversaram um pouco sobre o que ela pretendia fazer — perguntas básicas, mas importantes: nome, idade, hábitos. Tudo feito com calma e atenção. No entanto, quando ela exclamou que estava estava fazendo muitas perguntas, Ilya arregalou os olhos teatralmente, como se tivesse ficado chocado com aquela chuva de perguntas. Brincadeira, claro. Ele estava mais do que acostumado com isso.
— O tempo vai depender do que você escolher. Vamos montar alguns esboços com tudo o que deseja incluir, ajustar o que não quiser, e aí sim terei um tempo estimado — explicou, a voz baixa e segura, transmitindo tranquilidade. — E se você se mexer sem querer? Isso não será um problema. Eu sempre pauso no menor sinal de desconforto e só continuo quando estiver tudo certo. Pode ficar tranquila.
Ele se inclinou levemente sobre o balcão, o olhar fixo no dela, e completou num tom mais gentil:
— E não, nunca aconteceu de alguém se arrepender por aqui. Eu sempre incentivo a fazer uma tatuagem apenas quando estiver cem por cento certa. — Fez uma pequena pausa, inclinando a cabeça de leve. — Você tem essa certeza agora?
Já havia tempo que Hae-ryeon desejava retocar a tatuagem de suas costas. Pela maresia e sol, a tatuagem acabava perdendo o acabamento bonito com o tempo, 5 anos precisamente sem retoques. Estava com uma preguiça enorme de viajar para Seul para retocar com a mesma tatuadora, então procurou aos redores de Jeju algum tatuador com boas avaliações.
Foi assim que acabou parando em frente ao estúdio barulhento. Olhou a placa e nome e conferiu com o da internet, era ali mesmo. Torceu o nariz, não gostava de barulhos - em determinadas horas do dia, mas precisava realizar o orçamento do retoque.
Abriu a porta do estúdio e "cantarolou" enquanto chamava por alguém.
— Olá?... - Deu alguns passos até encontrar os olhos atentos do rapaz. — Você deve ser o... Ilya. Tudo bem? - Precisou checar no celular para não falar bobagem ao pronunciar o nome do rapaz.
Aproveitou a camiseta aberta nas costas para mostrar a tatuagem, jogou o cabelo de lado e virou suficiente para apontar em direção a uma parte da tatuagem que cobria sua pele. — Estou precisando de um retoque. - Voltou para olha-lo de frente.
— Podemos fazer o orçamento hoje e marcar para o próximo horário que tiver livre? Opa, desculpe a pressa, me chamo Hae-Ryeon. - Se curvou brevemente. — E então, como funciona?
O som alto que ecoava das caixas transmitia perfeitamente o estado de espírito de Ilya no momento — intenso, pulsante. Mas assim que ouviu a porta da loja se abrir, ele abaixou o volume de The Pretty Reckless com um toque ágil.
Ergueu o olhar e o pousou sobre a mulher que acabava de entrar. Os olhos atentos percorreram os detalhes dela com interesse, já que nuncatinha a visto na loja, antes que um sorriso surgisse em seus lábios. Ele deixou o bloco de desenho de lado com tranquilidade.
— Olá! Ilya. Sou eu mesmo. A que devo a honra da sua visita maravilhosa?
Antes que recebesse qualquer resposta, viu quando ela começou a se virar, revelando a tatuagem — e que tatuagem! Os olhos dele brilharam com a possibilidade de trabalhar naquele desenho. Mesmo sendo um retoque, o projeto já o deixava empolgado.
— Claro! É um prazer te conhecer, Hae-Ryeon. Como se trata de uma tatuagem colorida, vamos precisar de duas ou três sessões, tudo bem para você? Se preferir, posso tentar finalizar em duas, mas nesse caso, vou te alugar por quase um dia inteiro. — Ele sorriu, mantendo o olhar firme e expressivo.
Com atenção, começou a explicar os detalhes do processo. Falou dos materiais que usava, os cuidados com a pele, o intervalo ideal entre as sessões — tudo com a leveza e de maneira fácil.
— Podemos marcar para sexta-feira, no horário que preferir. Ou, se quiser mais tempo, tenho a próxima quinta-feira completamente livre. Depois disso, alinhamos a segunda sessão conforme for melhor para você. Que tal? — Fez uma pausa e lançou um olhar mais demorado à tatuagem dela. — Aliás… sua tatuagem é magnífica.
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jae tinha uma regra silenciosa na vida: comida boa só fazia sentido se fosse compartilhada. e, acima de tudo, ele odiava comer sozinho — o som do próprio mastigar, o espaço vazio em frente, o eco de pensamentos que vinham junto com o silêncio. não, obrigado. então, quando encontrou ilya parado em frente a uma barraquinha de tteokbokki, indeciso entre comprar ou seguir caminho, jae não pensou duas vezes antes de se aproximar. ❝ vamos comer? ❞ perguntou como se a ideia já estivesse decidida. sem esperar resposta, ele já estava fazendo o pedido. o cheiro do molho apimentado subiu no ar, quente e acolhedor, e jae deu um pequeno sorriso enquanto colocava as mãos nos bolsos do casaco. ❝ eu pago, tá? ❞ disse como se não fosse grande coisa ❝ é pra isso que servem os amigos ❞
A noite estava incrivelmente fresca, com aquele ar agradável que convidava para uma caminhada sem pressa. Ilya adorava sair sozinho, curtir o próprio silêncio e o tempo consigo mesmo, mas ser abordado por Jae naquela noite teve um efeito inesperadamente bom. A companhia dele era bem-vinda; tão boa que Ilya nem pensou duas vezes antes de aceitar quando o outro se ofereceu para pagar os tteokbokki. Nao era bobo.
— Tá a fim de beber alguma coisa? — perguntou com um sorriso animado. — Eu pago as bebidas, é só escolher. — Ele suspirou, relaxado, e enfiou as mãos nos bolsos do casaco, curtindo o momento.
Gunil relacionava sândalo com o cheiro das lojas de quinquilharia de tarô e cristais que o baixista dele ama, e que costumam ter um ambiente bem legal, então ele e o nariz já estavam em casa.
— Você tem bastante coisa postada, woah. — Gunil já tava com o celular na mão, scrolling pelo instagram, os olhos subindo e descendo pela tela. Depois de apertar o botão de seguir, ele guardou o celular no bolso pra dar atenção ao portifólio físico ali no balcão. Gunil tava com a cabeleira amarrada no coque mais mequetrefe do planeta, entçao um monte de mecha caiu quando ele abaixou o rosto pra ver um dos desenhos mais de perto. — ... Esses são bons demais, eu não tava pensando em nada tão elaborado assim, hyung. Na real eu tava pensando em fazer um labret também.
— Ah, eu tenho algumas… não são tantas assim — respondeu com um sorriso genuíno, principalmente porque não conseguia parar de notar o cabelo do homem, preso de forma preguiçosa. As mãos de Ilya coçavam para ajeitar aquilo.
— Em nada mesmo? Hm… Labret? Discreto, mas com presença — sugeriu, a voz baixa, com aquele tom suave de quem sabia o que estava fazendo.
Ilya se afastou do balcão devagar e voltou com uma caixa organizada de joias, que colocoou com cuidado à frente dele, como se oferecesse algo valioso.
Ele se afastou um pouco do balcão e voltou com uma caixa de piercings, que colocou cuidadosamente sobre a superfície.
— Escolhe uma que combine com você — disse, os olhos atentos. — Bem… imagino que já esteja familiarizado com esse tipo de piercing, certo?
Xiaoli não conseguia nem ter reação enquanto olhava para Ilya e ficava ouvindo as bobagens que ele falava. Por fora não demonstrava nada, mas por dentro estava se perguntando que bueiro tinha sido aberto para esse aí sair de lá. Pelos deuses.
— Cafajeste gostoso... — repetiu em coreano, levantando as sobrancelhas. — O que raios é isso? Não parece ser algo bom se você gosta — comentou o olhando de forma confusa. — Por favor, fala coisas menos complicadas, eu não consigo entender tudo ainda. Ou aprende mandarim.
Cruzou os braços depois de reclamar, soltando um suspiro quando ele começou a mexer em seu celular. — Eu não vou traduzir nada, usa as ferramentas do celular pra isso. E como é? Se apaixonar? — Xiaoli não aguentava mais ficar confusa, mas agora não estava entendendo se estavam tendo um problema de comunicação por causa do seu coreano ou por sua falta de interpretação mesmo. — Você vai se apaixonar pelo cara que tá usando suas fotos pra fazer um fake? — Não teve nem como esconder a surpresa em sua voz, ficando mais confusa ainda quando ele chamou seu webnamorado de "versão menos gostosa". Tinha entendido errado então? Xiaoli ia ficar maluca.
— Você não tem que me chamar de nada, nem te conheço. — Olhou para o celular e até ia traduzir o que ele queria saber, mas quando ele a chamou de doidinha e carente, Xiaoli sentiu um fogo subindo, e não era algo bom. Se estivessem em um desenho animado, certeza que teria fogo saindo dos seus olhos nesse momento. Teve que respirar fundo antes de qualquer coisa.
Xiaoli se aproximou mais de Ilya, passou o braço por trás dele no assento, piscando os olhos para ele de um jeitinho que sabia que funcionava. Passou as unhas pelo pescoço dele e subiu até a nuca, onde envolveu os dedos no cabelo dele e puxou com força. — O que você disse?! Você me chamou de doida e CARENTE? — disparou indignada, sentindo até seu rosto ficar quente pela raiva.
Mas Xiaoli era realmente doida. Ela sabia. Só ela mesma para puxar o cabelo de um alfa sem medo, não tinha amor a sua vida mesmo. Mas não conseguia ficar sem fazer nada quando estava sendo chamada de coisas assim, era mais forte que ela. Ficava mais indignada ainda dele ser tão bonito, mas tão insuportável! Que desperdício!
Estava prestes a explicar o que tinha dito — ou mudar direto para o inglês — mas, com a resposta que recebeu, soltou uma bela gargalhada, jogando a cabeça para trás. Foda. Ele já não sabia se essa comunicação caótica entre eles era uma bênção ou um castigo. Talvez fosse a deixa para finalmente aprender o mínimo de mandarim.
Ilya pegou o celular dela, aproveitando para observar a confusão estampada nos olhos da mulher. Mexeu com certa dificuldade — afinal, tudo estava em mandarim — mas conseguiu encontrar onde salvar contatos. Sem pensar duas vezes, digitou “Call Me If You’re Wet” como nome. E, claro, enviou uma mensagem para si mesmo só pra garantir o número dela:
i wanna know you more
vamos conversar pelo google tradutor
também quero te conhecer
— O quê? Me apaixonar por quem? — perguntou, já perdido no meio da conversa. Estava completamente fora do ritmo. Talvez realmente precisassem manter um tradutor aberto por tempo integral. Ele já não era lá essas coisas no coreano...
— Seja lá o que for… vou colocar um nome bem especial no seu contato, linda. Agora, a parte do ‘Cafajeste Gostoso’, prefiro te ensinar na prática.
Ele estava se divertindo com aquilo, provocando no limite até estourar, mas não tinha esquecido o lado sério da situação. Estava, de fato, preocupado com essa história de alguém usando suas fotos para enganar pessoas online. Ia tomar providências. Claro que não era só uma desculpa pra se aproximar daquela mulher misteriosa…
Estava com a língua coçando para soltar mais uma provocação quando sentiu os olhos dela tão próximos dos seus. A mão subiu até o pescoço dele e... puta merda. Um arrepio percorreu sua espinha, mas o que ele não esperava era o puxão. Forte. Cheio de raiva. Ela agarrou seus cabelos com vontade, sem dó.
Por alguns segundos, sua mente ficou em branco. Depois, veio o rosnado — grave, profundo, vindo direto do peito. Aquilo estava errado. Mas errado de um jeito perigoso, quase delicioso. Num impulso, se soltou e virou o jogo, prendendo os braços dela atrás do corpo, ficando peito a peito.
— Cuidado, bonita. Eu te disse que gosto de intensidade… até de uns puxões de cabelo. Mas não sabia que você queria provar isso tão cedo.
Sua voz veio mais firme, um aviso claro. Os olhos nos dela não vacilaram. E então, suavizou — só um pouco — conforme a adrenalina começava a baixar.
— Aquela parte do “carente” foi brincadeira. Mas essa história de internet é séria. Imagina se encontrasse realmente essa pessoa e fosse algum maluco? Alguém perigoso. Ou pior… mortal.
Ele se inclinou, roçando os lábios no ouvido dela, e sussurrou:
— E da próxima vez que for puxar meu cabelo… pense duas vezes. Nunca se sabe qual vai ser minha reação.
Com um último olhar carregado de intenção, afastou-se devagar. Girou o celular dela nos dedos com um sorriso torto e entregou o aparelho de volta.