bellieverr:
Deitou-se na mesa de jardim, abstraindo as palavras que não faziam muito sentido para si. Enquanto as pálpebras cediam ao cansaço que não era apenas físico e se fechavam, ele ponderava o clima e as roupas leves que usava e como não tinha lavado o corpo ou dormido durante a noite coisas definitivamente mais fundamentais que sua própria existência confusa. O vento gelado jogou alguns dos fios cinza de cabelo nos olhos, algo que ele podia sentir mas não incomodava o suficiente para que movesse os braços apoiando a parte de trás da cabeça. Naquela visão, dentre as flores que pareciam ter perdido o vigor e a bela fonte que com certeza foi construída de material caro, com fragmentos que ele supôs ser ouro, o garoto era certamente a peça mais bela. Por muito tempo acreditou poder enganar a todos com a face de um anjo ele pensou que jamais descobririam que a beleza estava só na superfície, enquanto a feiura lhe corroía os ossos. No entanto, imaginava que era apenas óbvio ; se sua vida era um livro, muitos saberiam seus segredos. “ — Mas você soa.” Respondeu calmamente, um sorriso juvenil repuxando o canto dos lábios e seguindo as palavras. “ — Imensamente pretensiosa e arrogante, e piora com cada palavra.” Suspirou, encheu os pulmões de ar várias vezes permitindo que o silêncio reinasse entre eles.
Tinha algo sobre a áurea que emitia, e imaginou que de qualquer maneira tinha sido criado para ser assim, mas era como se uma sombra pairasse sobre ele e tal poderia ter qualquer forma. Quando se ajoelhava aos pés do altar, visitando as mesmas dores que eram como pontas de facas lhe perfurando a garganta, essa sombra tomava a cor do diabo. Quando pensava na primeira esposa, o luto se acumulando nas juntas, debaixo das unhas, em cada fenda do corpo delicado onde não podia alcançar, esta sombra tinha cheiro de doce francês, porque era para os nobres e os favoritos da falecida. Quando os olhos focavam (( nela )), apenas Deus sabia oque aquela sombra se tornava porém não era Deus bem ali, com cabelos cor de fogo ??
“ — Oque faremos então?? Saber que fui criado por alguém que se recusa a chamar-se de Deus também me deixa profundamente desconfortável.” Expôs, ainda com um tom tranquilho e despreocupado. “ — E dai ?” Os olhos finalmente se abriram, focando na outra de forma cortante. Porém os olhos intensos eram apenas parte dele, - do personagem. De quem seria a culpa, mesmo que o criador senti-se medo da criação ?? “ — Nesse momento, acha que importa quem sentiu oque primeiro ?? Uma mãe,” Fez questão de zombar. “ — Talvez você teve uma dessas mas ainda criou alguém que veio do nada, e não se iluda dizendo a você mesma que eramos parte de você porque se estou aqui agora é a prova de que somos nossas próprias entidades.” A voz vacilou em dizer ’ pessoas ’, pois sempre foi claro que o título não se aplicava a todos e agora simplesmente não parecia ser o único. “ — Sabe quem teve uma mãe ?? Ela.” Asseverou, ríspido pela primeira vez e nem sequer forçava a reação de quem seria a culpa ?? “ — Mas você tirou isso também, então não a culpe se não te aceitar como substituta.” Concluiu ao se levantar, um empurrão contra a mesa impulsionando seu corpo e fazendo os pés atingirem o chão, de modo que pudesse estar de frente a ela a deus. “ — Enfim, nunca iria maldizer um artista. Só disse que sei como se sentem ” Sorriu novamente por fim, mas desta vez, era o mais próximo que já tinha chegado de perverso. “ — E então ?? Sente orgulho da sua dor ?? Faz você se sentir grande e trágica ?? Eu não sei o que eu esperava, eu não sei o que devo pensar em você, mas estranhamente — eu não acho que você é melhor do que eu. E se eu pudesse morrer, isso seria como a morte para mim por que você não tenta escrever isso ??”
Ela fechou os olhos, apertando-os por alguns segundos e suspirou cansada, devido ao tamanho estresse que era calcular cada palavra que saia de sua boca. Sejeong passou a vida toda aprendendo a se portar diante de pessoas, de ser a filha do presidente de uma grande empresa e de uma famosa atriz. Sempre tinha que aprender, ninguém, jamais, aprendia consigo “Que ótimo que soa então” voltou os olhos até ele, calmamente observando-o “Independente do meu querer, eu ainda conheço você, como se você fosse eu mesma------------ pense o que quiser sobre isso, aliás; eu vou saber a maneira exata de levar essa conversa sem que você pense que pode me fazer se sentir pior do que já estou” endireitou-se da maneira que conseguia e tentou amarrar o cabelo, fazendo um nó nele mesmo, que nem ela soube direito como. Precisava de ar e quanto mais viesse a si, melhor seria “Não faremos nada; absolutamente nada. Eu realmente quero tornar essa situação a melhor possível para vocês, mas não posso mentir. Sei que não esperam nada de mim, porém, se esperassem, com certeza não seriam mentiras” olhou para o céu então, perguntando silenciosamente para as estrelas o que poderia fazer? Seria errado alimentar as esperanças falsas daqueles que amava. Jamais faria mesmo que a verdade doesse para ambas as partes------------ ainda sendo duvidoso por seus personagens.
A ruiva encarou, sem desviar o olhar, por mais intimidador que fosse, por mais medo que sentia, no fundo do seu âmago, não podia. “Não estou justificando nada e não é como se importasse agora. Em nenhum momento eu disse isso. Aliás, se importasse, que ótimo seria, então as coisas poderiam se resolver de forma mais fácil, huh? Se estou te contando sobre isso, é porque desejo que saiba o porquê de eu ter começado. Vocês merecem saber da sua origem.” tentava ao máximo manter a calma, mas o punho cerrava-se em tensão. Sejeong chegou a tremer por alguns momentos; era nervosismo e alguns outros sentimentos misturados que a fazia querer explodir “Você pode continuar negando, mas eu faço parte de você e você paz parte de mim. E essa é uma coisa que nós não podemos mudar.” respondeu, ainda buscando calmaria em um lugar obscuro de dentro de si. Todavia, havia certos limites e aquele assunto ultrapassava todos que havia imposto para aquela conversa----- ----- não, para sua vida. Assim como ele, levantou, pondo-se diante do corpo alheio, mantendo o semblante sereno por cima da raiva abrupta que sentira “Sim, eu tirei a mãe dela. Mas não sei se consegue lembrar do que eu disse há pouco tempo, porém, posso refrescar a sua mente: vocês, a história de vocês, são reflexo da minha vida. Você, digo, nenhum de vocês me conhece, nenhum de vocês sabem o quê eu tive que passar por anos e quantas lágrimas eu derramei enquanto escrevia mais um dia de vida do seu mundo. Se eu tirei a mãe dela, é porque haviam me tirado a minha também, mas ao contrário da Haein, não havia alguém que estava planejando isso. Na verdade, ela (a mãe) mesma tratou de me renegar. Então por mais que todas essas coisas aconteceram, vocês não podem me julgar. E se quiserem, que o façam também. Isso não muda o que eu sou e nem vai mudar o fato de que eu me preocupo com cada um. E eu vou te dizer o porquê, mesmo que pra você seja desculpas ou seja lá o que for. Eu estou aqui fazendo por vocês, o que eu queria que tivessem feito comigo; sim, eu causei isso, mas eu nunca teria causado se houvesse uma forma de saber que vocês eram reais. Eu não sou um monstro, eu sou apenas uma garota que pinta a droga do cabelo e chora escondido no banheiro porque não sabe quem ela é de verdade.”
Aumentou razoavelmente o tom de voz, ainda que não fossem gritos ou um começo de discussão. Poderia não adiantar, mas faria seu papel dali para frente e daria tudo de si para ajudá-los. Agora era escolha deles, nada além disso. Todos eram libertos daquela fantasia e donos de suas verdades, pensamentos e escolhas. A vida era feita delas, afinal. Sejeong tinha que lidar com as próprias e com a deles também, porém, agora seria diferente. Continuaria pronta para ajudar com o que fosse, mas não imploraria por isso. A culpa não era sua, nunca fora e nunca será. “Se essa é uma pergunta tão importante, então que seja, posso responder. Sim, eu me sinto orgulhosa da minha dor, porque é ela que me fez ser quem eu sou, que me fez querer ser melhor a cada dia. Eu já te disse, não venha querer me atingir. E mais uma vez: você não sabe nada sobre mim. Eu não esperava que achasse melhor ou pior, afinal, que Deus eu seria caso assim pensasse? Você é feito da minha imagem e semelhança. Aqui neste mundo nós somos iguais, vivemos batalhando por nossa sobrevivência diariamente, vencendo também os nossos medos, esses que estão fora e dentro de nós mesmos. Você está aqui agora e terá que lidar com isso, pois como a sua criadora------------ e alguém que ainda preza pelo seu bem, posso te dizer com toda certeza que será a melhor dessa maneira de conseguir seguir adiante. Essa é a sua vida agora, Wang So. Não é mais algo pensado, analisado e cuidadosamente algo escrito por mim, não, agora quem deverá lidar com as consequências e tomar certas atitudes é você. E eu espero, profundamente e do fundo do meu coração, que não só você, mas todos, sejam de Seis Dragões ou não, faça isso da melhor maneira possível.” deu de ombros, dando alguns passos curtos dentre onde estavam, apenas para aliviar a tensão que circulava o corpo esguio. Havia adrenalina demais ali “E ah, você pode morrer agora, então tome cuidado. Eu não te mataria antes e não matarei agora, nem se pudesse escrever isso. Ao contrário, tinha apenas grandes e bons caminhos para você, mas agora há coisas que vocês nunca poderão saber e talvez seja melhor assim.”











