clubes: armada de dumbledore, clube de artes mágicas, f.a.l.e, sociedade de estudo de criaturas mágicas e jornal da escola.
bio completa ☾ pinterest ☾ extras ☾ conexões desejadas
bio:
☾ luna lovegood nasceu em uma manhã fria de fevereiro na pequena vila de ottery st. catchpole.
☾ a casa dos lovegood sempre foi um lugar um pouco diferente. pilhas de revistas, objetos estranhos trazidos de viagens e artefatos mágicos curiosos ocupavam praticamente todos os cantos.
☾ ela é filha única de xenophilius lovegood, editor da excêntrica revista "o pasquim", e de pandora lovegood, uma bruxa inventiva e curiosa, conhecida por experimentar feitiços pouco convencionais.
☾ quando luna tinha nove anos, um dos experimentos da mãe terminou de maneira trágica. o feitiço deu errado e pandora morreu em um acidente mágico dentro da própria casa. após isso, luna e o pai tornaram-se ainda mais próximos.
☾ em hogwarts, rapidamente ficou claro que ela não se encaixava perfeitamente nas expectativas sociais da escola. o fato de não fazer esforços para se encaixar a deixou em um estado de parcial isolamento nos primeiros anos. contudo, com o tempo, muitos estudantes percebem que conversar com ela pode ser inesperadamente interessante, porque ela observa coisas que outros ignoram, faz perguntas pouco convencionais e costuma oferecer perspectivas completamente novas sobre problemas aparentemente simples.
☾ um ponto de virada foi a participação na armada de dumbledore e o episódio no ministério da magia em seu quarto ano, que a mostrou como é importante o senso de comunidade e grupo. tendo vivido só com o pai por tantos anos e sendo uma garota relativamente independente e livre, costumava levar a vida com solitude. ao perceber aquele mundo mudando, os perigos reais mesmo dentro de hogwarts, ela aprendeu a olhar para o todo e abriu sua mente em relação à importância de outras pessoas e o senso de lealdade e amizade.
extras:
gostos: criaturas mágicas, caminhadas, florestas, herbologia, astronomia, silêncio confortável, jardim de hogwarts, objetos antigos ou misteriosos, conversas profundas e inesperadas, céu noturno, música suave ou etérea, chá de ervas.
desgostos: arrogância intelectual, pessoas que ridicularizam curiosidade ou imaginação, barulho excessivo, hierarquias sociais, pessoas que falam sem escutar, ambientes muito controlados ou burocráticos, magia usada apenas para exibição, espaços pequenos, preconceitos.
hobbies: pintura mágica, estudar criaturas mágicas, escrever, colecionar objetos curiosos que encontra pelo castelo, colecionar penas de diferentes criaturas mágicas, ouvir conversas alheias em lugares públicos só para entender comportamentos humanos, manter um diário de sonhos, jogar e estudar cartas de tarot, estudar mitologias bruxas e trouxas.
patrono: lebre.
bicho-papão: reprodução do dia da morte da mãe (o corpo, os objetos destruídos, os livros queimando, o laboratório destroçado, o cheiro).
astrologia: sol em aquário, ascendente em peixes, lua em gêmeos & vênus em aquário.
quirks: costuma responder perguntas com outra pergunta; fala de observações estranhas como se fossem óbvias; olha para o céu ou para o ambiente enquanto pensa; tem o hábito de desaparecer silenciosamente de conversas; costuma tocar objetos curiosos para “sentir a magia” deles; raramente demonstra pressa; mantém um pequeno caderno onde anota pensamentos aleatórios.
futuro: em 2026, luna volta à hogwarts como professora de trato das criaturas mágicas, antigo cargo de hagrid, o qual ela toma com muito orgulho. ela virou uma magizoologista de grande renome, ao lado do seu marido rolf scamander. ela também é mãe dos gêmeos lorcan e lysander, que também estudam em hogwarts nessa época.
"Ah! Torceu contra?" ela fingiu ofensa no mesmo instante, boquiaberta por alguns segundos, antes dos olhos se estreitarem em direção da loira. "Eu oficialmente me sinto traída, Lovegood." balançou a cabeça negativamente, a varinha erguida acompanhando o movimento. "E você ainda fala como se não vivesse com a gente o tempo inteiro." estalou o céu da boca. Era verdade, afinal, eles tinham praticamente roubado Luna dos corvinos para as redondezas vermelhas. Podia não ser uma grifana propriamente dita, mas eles já a tinham como tal. A brincadeira foi lentamente se moldando a algo mais cauteloso quando elas passaram a trabalhar naquilo que haviam ido ali para. Ginny assistiu Luna criar a barreira com um brilho orgulhoso no olhar, quase saltando com entusiasmo. "Eu definitivamente senti falta de te ver assim." confessou sorrindo, apontando o indicador em direção a amiga como forma de aprovação. Era incrível como Luna era forte, mesmo com toda aquela feição leve e a suavidade na voz, quando um feitiço era lançado por sua varinha, aí sim podia ser visto o quanto ela era verdadeiramente forte. O impacto do Expelliarmus vindo na direção dela a puxou de volta ao presente. Ginny reagiu rápido, a varinha se erguendo em um reflexo, "Protego!" exclamou, a barreira surgindo grande um segundo antes do feitiço atingir, o choque vibrando pelo braço dela, mais forte do que esperava, obrigando-a a recuar um passo curto. "Merlin, você é rápida!" disse rindo pelo nariz, balançando a cabeça. A ponta da varinha girou num movimento rápido de novo, "Impedimenta!" o feitiço saiu firme, veloz, mirando perto o bastante para exigir reação, mas longe o suficiente para não realmente machucar.
luna soltou uma gargalhada quando ginny declarou sentir-se traída, a acusação vindo com tanta convicção que por um instante ela quase se sentiu obrigada a pedir desculpas. ❝ — em minha defesa, eu ainda não te conhecia! e, veja só, eu confio em você para muitas coisas, ginny weasley, mas não para a minha estabilidade emocional, digo isso com muito respeito.❞ — respondeu, apontando a varinha na direção da amiga por um instante antes de voltar à postura adequada. ginny tinha razão, ela realmente passava tempo demais entre os grifinórios. o comentário seguinte, porém, fez luna hesitar por um instante. ela percebeu o orgulho na voz da amiga e, por um segundo, sentiu aquele aperto estranho e agradável que surgia quando alguém enxergava coisas boas nela antes mesmo que ela própria percebesse. ❝ — eu também senti falta. não exatamente dos feitiços ou dos duelos, mas dessa sensação de confiança e segurança. acho que é a primeira vez em semanas...❞, confessou, mas não houve muito tempo para sentimentalismos. o impedimenta veio rápido. luna viu o movimento da varinha antes mesmo de ouvir o encantamento e reagiu quase por instinto. ❝ — finite! ❞ — lançou, tentando interceptar o feitiço antes que a atingisse. a magia colidiu no meio do caminho, criando uma pequena explosão de luz que fez alguns fios dourados escaparem do seu coque improvisado. ela piscou algumas vezes e então começou a rir de novo. ❝ — devo admitir que é muito mais divertido do que ficar sentada tentando teorizar sobre o fim do mundo.❞ — os olhos estreitaram-se enquanto analisava a amiga do outro lado da sala. ginny sempre foi rápida, impulsiva também, mas principalmente rápida. por isso luna sabia que precisaria obrigá-la a pensar antes de agir. ❝ — locomotor mortis!❞ — o feitiço partiu firme da ponta de sua varinha, mirando as pernas da ruiva. não era perigoso, mas era o tipo de magia que exigia reação imediata.
Havia conforto naquela lógica torta e absurdamente sensata dela. Se o universo tinha enlouquecido, então talvez sobreviver significasse exatamente aquilo: insistir. "Você falou igual uma grifinória, Luna, tem certeza que o chapéu seletor não te mandou pra casa errada?" a risada escapou junto com a brincadeira. Por alguns segundos, enquanto Luna assumia posição do outro lado da sala, Ginny quase conseguia fingir que nada havia mudado. Era apenas uma sala vazia, varinhas erguidas e a velha sensação de precisar estar preparada. Como antes. A diferença era que agora o medo tinha outro peso. Não era apenas sobre sobreviver ao presente, era sobre a estranha possibilidade de existir um futuro para proteger. Ginny soltou o ar devagar, girando a varinha entre os dedos antes de apontá-la para Luna. O canto da boca se ergueu num meio sorriso enviesado, que aparecia sempre que alguma centelha de competitividade acordava dentro dela. A varinha cortou o ar num movimento rápido, preciso. "Flipendo!" lançou primeiro, sem muita cerimônia, era um feitiço relativamente leve, forte o suficiente para exigir defesa, mas longe de realmente machucar.
o comentário sobre a grifinória arrancou uma risada imediata de luna. ❝ — eu tenho certeza que sou corvina, ruiva. admito que essa foi uma das casas que o chapéu considerou até me mandar para lá. admito que torci um pouquinho contra, acho que teria um colapso nervoso se vivesse entre vocês, leões...❞ — respondeu com leveza, mas a atenção dela já estava voltada para a amiga outra vez. luna sempre achou curioso como algumas pessoas reagiam ao medo tentando compreendê-lo enquanto outras reagiam enfrentando-o diretamente. ginny sempre pertenceu ao segundo grupo, por isso não se surpreendeu quando o feitiço veio sem aviso. o movimento da varinha dela foi quase automático. ❝ — protego! ❞ — exclamou, a barreira translúcida surgiu diante dela no instante em que o flipendo atravessou a sala. o impacto fez o escudo vibrar levemente antes de dissipar a magia lançada pela ruiva. luna conseguiu sustentar a proteção, mas o choque ainda a obrigou a recuar meio passo sobre as pedras do chão. ❝ — era disso que eu tava falando, gin.❞ — apontou, mas havia um sorriso divertido nos lábios dela enquanto ajustava novamente a empunhadura da varinha, erguendo-a novamente logo em seguida. ❝ — mas já que estamos praticando... expelliarmus! ❞ — o feitiço veio acompanhado de um floreio elegante do pulso. não havia agressividade no ataque, só a intenção honesta de obrigar a amiga a reagir.
O olhar de Rolf permaneceu sobre o lago por alguns segundos depois da comparação dela, a ideia fez sentido de um jeito estranho, como a maioria das coisas que Luna dizia. Porque, ele também não sabia responder. Talvez os castelos fossem a imagem, talvez fossem a água, talvez fossem os dois ao mesmo tempo. “ eu não sei te dizer, mas sua teoria faz sentido, claro que faz, porque é dificil olhar e explicar. ” suas mãos foram até sua nuca de forma automatica, coçando o local de modo pensativo. Porém, a menção ao Lago Negro arrancou uma pequena risada dele. “ a maioria das consequências? ” Os braços apoiaram-se sobre os joelhos enquanto acompanhava as ondulações se espalhando pela superfície escura da água. O lago parecia exatamente igual ao de sempre, era talvez a parte mais estranha de tudo. O mundo tinha mudado de forma absurda nas últimas semanas e, ainda assim, algumas coisas continuavam parecendo exatamente as mesmas. Quando Luna voltou a falar, o silêncio se estendeu por alguns instantes antes dele responder. “ É. ” concordou simplesmente, o olhar permanecendo perdido no horizonte, voltando a olhar para ela logo antes de continuar a falar. “ mas acho que o mais esquisito não é a mudança, é a velocidade, parece que foi ontem que tudo ainda fazia sentido. ” O canto de sua boca curvou-se de leve, enquanto a encarava. “ você parece estar lidando com isso melhor do que a maioria. ”
luna deixou escapar uma risada diante da repetição da palavra maioria, porque era justo admitir que aquilo enfraquecia um pouco sua defesa. ❝ — nenhuma lula gigante me devorou, nenhum grindylow me sequestrou... considerando o histórico de hogwarts, eu diria que isso conta como um grande sucesso.❞ — respondeu com aquele tom tranquilo de sempre. então voltou a olhar para a água, observando as pequenas distorções provocadas pelo vento se espalharem pela superfície. ainda assim, o lago continuava sendo o lago, mesmo enquanto o resto do mundo deles desafiava a lógica. o comentário sobre a velocidade da mudança fez com que ela assentisse devagar. então o ouviu dizer que ela parecia estar lidando melhor do que a maioria, e por um instante o sorriso que surgiu foi pequeno, quase pensativo. ❝ — eu não sei se estou. acho que só passei boa parte da vida me acostumando com a ideia de que o mundo é mais estranho do que se admite. meu pai sempre disse que pelo menos dez coisas impossíveis podem acontecer antes do café da manhã... depois descobri que era a frase de um livro trouxa.❞ — disse com um sorriso ao lembrar do genitor. sentia falta dele. eram só os dois há muito tempo, e sempre que ela ia para hogwarts sentia aquele aperto no peito de deixá-lo sozinho. como ele estaria agora? teria consciência de sua absoluta ausência? luna continuou observando o horizonte outra vez. ❝ — mas acho que estou tão perdida quanto todo mundo. só não deixo isso me controlar cem por cento...❞
Harry ficou em silêncio por um instante depois que Luna terminou de falar, tentando decidir por onde começar a responder. Passou uma mão pelos cabelos, um gesto automático de quando estava desconfortável, e desviou o olhar por um segundo antes de voltar a encará-la. Não estava irritado com Luna, claro. Era mais como se estivesse lutando com a própria cabeça. "Não estou dizendo que ela é frágil." Respondeu em um tom de voz mais baixo que antes, mas ainda carregada de tensão. Harry suspirou, balançando levemente a cabeça como se tentasse organizar as ideias enquanto falava. "É só que não é tão simples assim. Não é só ah, ela sabe dos riscos, então está tudo resolvido." Deu um passo pequeno para o lado, inquieto, como se ficar parado dificultasse ainda mais pensar. Os dedos coçaram de leve a lateral da própria manga antes de voltar a olhar para Luna de novo.
"Sei que Ginny não é frágil. Sei disso melhor do que muita gente." Continuou, a expressão suavizando ao falar dela, involuntariamente. "Ela é teimosa pra caramba. Corajosa também, mais do que eu." Harry soltou uma risada curta e passou a mão pela nuca. "Mas isso não muda o que sinto quando penso nela se machucando por minha causa. Ou por estar perto de mim. Não é medo dela não aguentar, sabe?" Ficou em silêncio por um segundo, os olhos descendo para o chão antes de voltar a subir. Quando Luna mencionou Ron, Harry respirou um pouco mais fundo, como se aquilo ajudasse a aliviar a tensão no peito. "Talvez não... Ele já achou minha reação ao que aconteceu na biblioteca estranha e me lembrou que posso falar qualquer coisa para ele." Comentou com um meio sorriso que durou pouco mais que um segundo. "Mas só está dizendo isso porque não deve ter pensado em como vai ser se realmente me ver com a irmã dele."
Mas o sorriso desapareceu quando voltaram ponto principal, a postura ficando um pouco mais rígida outra vez. "Entendo isso. Eu entendo mesmo." Respondeu, concordando com o que Luna tinha pontuado. "Mas pra mim não soa só como uma frase reconfortante. Soa como algo que eu já vi acontecer muitas vezes." Harry suspirou, cansado. "Quando começo a me importar com alguém, minha cabeça já pula pra etapa em que tenho que impedir o pior de acontecer." Porque sabia que Voldemort não acreditava em amizade. Mas sabia que havia algo no amor de duas pessoas que podia ser destrutivo. Ele tinha visto James se colocar à frente dele para tentar ganhar tempo para Lily e Harry. E Harry sabia que ele sabia que se sacrificaria por Ginny, se ela estivesse em perigo. Ele já tinha visto Harry fazer isso, inclusive.
Seu olhar voltou para Luna, agora estava mais quieto, menos reativo. "Sei que você tem razão." Acrescentou, num tom mais sincero, quase relutante. "Talvez eu esteja tentando controlar a dor antes dela acontecer. Só não sei como parar de fazer isso." Engoliu em seco, a expressão endurecendo só um pouco de novo, não por raiva, mas por dificuldade de aceitar. "Mas... Eu vou tentar conversar com a Ginny de novo. Sem brigar."
luna conhecia aquele tom em harry. era o tom que surgia quando ele já tinha pensado sobre alguma coisa tantas vezes que qualquer argumento precisava atravessar uma muralha inteira antes de alcançá-lo. os olhos dela acompanharam os movimentos inquietos dele pelo ambiente e, por um instante, sentiu uma pontada familiar de tristeza por ele simplesmente não conseguir ser um jovem de dezenove anos normal. ❝ — eu sei que não é sobre ela ser frágil... foi só o jeito que eu falei, mas claro, ninguém no mundo classificaria ginny como frágil. mas talvez o problema seja esse, que você conhece ela bem, sabe que, se alguma coisa acontecer, ela não vai correr para longe. talvez isso torne tudo mais assustador.❞ — luna apoiou as mãos no colo enquanto observava um ponto qualquer do chão por alguns segundos antes de voltar a olhar para ele. ❝ — harry, só tem uma coisa. mesmo com voldemort e essa coisa toda do seu suposto destino fora da questão... o amor não vem sem riscos. as pessoas que amamos sempre podem se machucar. quando minha mãe morreu, eu passei muito tempo pensando em como seria se ela tivesse feito escolhas diferentes, mas eventualmente eu percebi que esse tipo de pensamento nunca termina. sempre existe outra possibilidade, outro caminho, outra tentativa de impedir uma perda... e acho que você faz isso consigo mesmo o tempo todo, tenta chegar antes da dor, tenta impedir ela de não acontecer. ninguém consegue viver assim para sempre, harry.❞ — disse com calma, então um sorriso pequeno surgiu no canto da boca dela porque a segunda parte do que precisava dizer era um pouco diferente. ❝ — toda vez que fala da ginny... você fala com um cuidado diferente. e eu sei que é diferente, porque não é o mesmo cuidado com o qual você fala da hermione, ou até de mim. isso é um pouco inconveniente para a sua tese.❞ — piscou para ele e manteve o sorriso divertido no rosto. luna assentiu diante de harry ter dito que ia tentar conversar com ela. esperava realmente que isso acontecesse, que isso resolvesse algo entre eles, mas sabia que o caminho para harry deixar aquelas barreiras caírem e se abrir para o que sentia por ginny seria... bem longo. ❝ — eu não estou dizendo que você precisa decidir nada agora. só acho que, se continuar tratando qualquer possibilidade de felicidade como uma ameaça, vai acabar transformando a própria vida numa missão eterna... até quando não tiver mais nada pra salvar.❞
Marcus soltou uma risada desacreditada ao ouvir aquilo. Ele cruzou os braços, apoiando melhor o ombro na parede enquanto observava Luna largar os pergaminhos de vez. "Você passa metade do seu tempo falando sobre criaturas invisíveis, conspirações cósmicas e objetos que aparentemente podem ou não explodir, mas eu sou o mistério. Injusto, Lovegood", a sobrancelha arqueou. O sorriso continuou ali por mais alguns segundos antes dele balançar a cabeça. Porque essa era a parte complicada de Luna, ela dizia coisas absurdas com tanta naturalidade que ficava difícil perceber quando estava brincando e quando estava sendo perigosamente observadora. "Só pra registrar, as pessoas falam mal de todo mundo pelas costas. Eu faço isso, você faz isso", mas aí ele pausou e pensou mesmo no que tinha dito, então balançou a cabeça. "Na verdade, esquece. Você parece o tipo de pessoa que não fala mal de ninguém, o que só prova meu ponto. Weird as fuck, but not crazy", a risada veio logo depois. Marcus deslizou os olhos pelos pergaminhos espalhados ao redor dela antes de voltar a encarar. "Mas eu tava tentando dizer que todo mundo quer descobrir quem vai casar, quem vai morrer, quem vai ficar rico ou miserável... mas você tá aí sentada escrevendo em um diário. Can't you see the craziness?"
❝ — eu não disse que você era o único mistério. só disse que você era o mistério aqui. além disso, criaturas invisíveis costumam ser muito mais honestas sobre quem são do que seres humanos.❞ — respondeu com toda a naturalidade do mundo, mas também sem esconder que tinha um fundo de provocação. sim, marcus flint, você esconde quem é! o sorriso continuou nos lábios dela enquanto observava marcus tentar reformular o próprio argumento sobre as pessoas falarem mal umas das outras. ❝ — eu falo mal das pessoas às vezes, só não costumo fazer isso pelas costas. por exemplo, você. eu acho que você se irrita muito facilmente e desconta nas pessoas que não tem nada a ver. além do mais, você me chamou de estranha, mas quem está escondendo uma grande e completamente normal parte da vida é você.❞ — havia humor na observação, mas a fez com a intenção de desconsertá-lo mesmo, assumindo o risco de que isso o faria se sentir irritado com ela, com bastante consciência de que disse anteriormente que não ia pressioná-lo... fazendo o exato contrário agora. então ouviu a pergunta dele e olhou brevemente para os pergaminhos espalhados ao redor antes de voltar a encará-lo. ❝ — mas é por isso que eu estou escrevendo num diário. todo mundo quer descobrir essas coisas... quem eu casei, quem você casou, os filhos de não sei quem... mas elas não existem, existem? e eu gosto mais das coisas que existem de verdade. continuo achando muito mais interessante tentar entender por que você fica tão nervoso sempre que acha que alguém percebe alguma coisa sobre você do que o nome do seu filho daqui vinte anos ou algo assim.❞
Havia algo profundamente tranquilizador sobre Luna, como se, não importasse o quão absurdo o mundo estivesse ficando, ela simplesmente aceitasse a esquisitice da vida e seguisse existindo ao redor dela com uma calma quase absurda. E mesmo não acreditando tanto em energia, fosse de ambiente ou de pessoas, havia algo na de Luna que conseguia acalentar a Weasley de alguma forma. "É, você tem razão. Por mais que o propósito agora seja outro, ainda acredito que se a AD voltasse a ser ativa nós conseguiríamos nos preparar pro que quer que esteja acontecendo." comentou, já um pouco mais leve agora. A AD tinha sido uma das poucas vezes em que Hogwarts pareceu deles. Um espaço onde fazer alguma coisa parecia melhor do que esperar passivamente o desastre. "Bom, se vamos todos enlouquecer em conjunto, nada mais justo que tentar ter ao menos um escudo decente." o comentário veio com um humor leve, finalmente. Então ela se afastou alguns passos, ficando no centro da sala, os ombros relaxando um pouco pela primeira vez naquela manhã, assim como Luna, ela posicionou a varinha entre os dedos. "Certo. Vamos começar simples: feitiços defensivos, escudos, desarmes, talvez alguma contenção. Nada muito agressivo." ergueu uma sobrancelha, apontando a varinha para Luna. "Protego primeiro? Sem facilitar pra mim, Lovegood."
luna sorriu quando ouviu a amiga falar sobre enlouquecer em conjunto. e de certa forma se sentiu melhor com o fato de que ninguém parecia estar enfrentando tudo aquilo sozinho. ❝ — se o universo realmente enlouqueceu e nos trancou aqui, é justo respondermos com preparação e teimosia. é melhor do que pânico.❞ — os olhos claros acompanharam ginny se afastar até o centro da sala e, por um instante, luna foi tomada por uma sensação estranha de familiaridade. já tinham feito aquilo antes. não exatamente daquela forma, mas ainda assim era reconfortante ver ginny com uma varinha na mão e aquele olhar determinado no rosto. assumiu sua própria posição, ajustando os dedos ao redor da madeira da varinha e sorrindo quando a amiga mencionou não facilitar. ❝ — eu jamais facilitaria, te conheço o suficiente para saber que isso seria insultante... se você achar que estou facilitando, saiba que é só porque você é muito boa. e protego parece um bom lugar para começar... quer dizer, se eu não sobreviver a isso, definitivamente não vamos conseguir nem chegar em azarações.❞ — havia humor na voz dela, mas também concentração. por mais que luna não fosse competitiva por natureza, sempre levava aprendizado a sério. e, naquele momento, enquanto observava ginny diante dela, teve a sensação de que talvez a amiga estivesse certa. talvez existissem situações em que aprender a se defender não fosse apenas uma questão de magia, mas também uma forma de lembrar a si mesma que ainda existia alguma influência possível sobre o próprio destino, mesmo quando o resto do mundo parecia determinado a escapar de qualquer explicação.
A menção ao ocorrido na biblioteca fez com que Astoria se recolhesse minimamente, ela evitava pensar naquilo, porque fora o que levara a sua primeira discussão com Draco, seu descontrole e o fato que assumiu tudo o que sentira por anos pra ele. " nós só conversamos e nos entendemos, acho que estamos bem agora. pelo menos eu espero. " sorriu suavemente, bem, ela tinha decido seguir em frente, colocar quaisquer sentimentos envolvendo o Malfoy de lado, e só tentar se apaixonar por outra pessoa ou aceitar que tudo se não se apaixonasse, também tinha o novo acordo com Blaise, coisa que ela ainda tentava entender como exatamente ia funcionar. sua expressão só mudou com a fala seguinte de Luna, que ela merecia um futuro bom, um sorriso triste tomou sua face, Astoria queria acreditar naquilo, mas... " é mais uma sensação, acho que sempre me vi com um futuro mais curto do que gostaria... talvez seja isso que me fez gentil, gostaria de deixar um memória boa para aqueles com quem tive a oportunidade de conviver. " era um tanto melancólico, até demais para alguém como Astoria, mas era a verdade, se não fosse ter muito tempo, que pelo menos fosse bem aproveitado, ajudando quem podia e deixando para trás algumas boas lembranças. " você nunca vai esquecer os detalhes importantes, pode até pensar que sim, mas... quando precisar vai ver que eles continuam ali, que tem muito dela em você. " seu sorriso ficou um pouco mais feliz, esperançoso quase, Astoria acreditava que as pessoas que amavam nunca as deixavam de verdade, existiam marcas que eram profundas demais para serem esquecidas, não importava quanto tempo se passasse. " e agora, se tiver a oportunidade de vê-la, construira novas lembranças que vão ser ainda mais preciosas. " assentiu para a amiga. " talvez ele só te ache irritante porque você diz coisas que ele não quer ouvir, ele me chamou de frustrante ontem mesmo. "uma risadinha escapou. " mas gostaria que ele soubesse que não precisa sobreviver sozinho, que tem pessoas que o ajudariam se ele permitisse. "
luna observou astoria com atenção enquanto ela informava ter a impressão de que não viveria muito. quando voltou a falar, a voz saiu mais suave do que antes. ❝ — eu não gosto quando você fala como se já tivesse decidido isso. talvez você tenha passado tanto tempo tratando ela como uma certeza, mesmo quando ela ainda é só uma possibilidade. o futuro raramente acontece da forma que as pessoas esperam. às vezes isso é horrível, mas às vezes é justamente o que salva tudo.❞ — disse com convicção, a mesma que luna costumava ter quando falava sobre criaturas que ninguém acreditava existir ou sobre coisas que ainda não tinham acontecido. o comentário sobre sua mãe fez o sorriso dela retornar, menor dessa vez. ❝ — eu espero que você esteja certa. se eu realmente tiver a oportunidade de vê-la... talvez a coisa mais estranha seja perceber que nós duas mudamos.❞ — aquilo parecia assustador e bonito ao mesmo tempo. então, inevitavelmente, seus pensamentos retornaram para draco. a risadinha que escapou diante da palavra frustrante foi imediata. ❝ — considerando que você conseguiu convencê-lo a ficar preso num armário de vassouras tempo suficiente para ter uma conversa emocional, suspeito que suas chances sejam melhores do que as minhas.❞ — e logo depois não conseguiu conter uma risada engraçada. ❝ — desculpa, é que eu ouvi o que disse e pareceu ainda mais maluco dito em voz alta. presos em um armário falando sobre sentimentos... três castelos, linhas do tempo convergindo e ainda acho que essa é a coisa mais estranha que aconteceu.❞
Não era só com ela. Também se sentiu aliviada, pois havia tentado em baralhos diferentes e mesmo assim o resultado continuava sendo o mesmo. Então era todos os baralhos e todos que se sentiam mais suscetíveis para aprender Adivinhação dentro do mesmo barco. Imaginava que a professora Sybill estivesse passando por uma grande sensação ruim já que aquela era uma grande parte da vida da outra. Tentou se lembrar de tudo que havia estudado e pesquisado sobre a carta. Havia feito isso mais recentemento e havia sido atrapalhada por Pansy, mas havia ao menos conseguido fazer a leitura sobre ela. Ou seja, o problema era quando pensava sobre o futuro ou o que estava acontecendo naquele momento. "Também tem haver com flexibilidade. Não tentar controlar o que irá acontecer e se adaptar. Acho que também deve significar que todos nós vamos precisar entender e adaptar ao que irá acontecer." Comentou com a amiga e soltando um pouco o peso dos ombros relaxando na cadeira.
"Só que ao contrário pode significavar padrões ruins e mudanças que podem ser difíceis ou até mesmo significa que estaremos em uma situação que não iremos conseguir sair. Será que realmente estamos presos em uma situação sem chance de escapar?" Estava começando a ficar assustada. Eram jovens e tinham a vida inteira pela frente. Tudo começando agora a dar certo. Não queria perder nenhum ano de sua vida, muito menos, por alguma questão temporal que deu errado.
luna permaneceu com os olhos voltados para as cartas espalhadas entre elas. os dedos giraram distraidamente a roda da fortuna sobre a mesa. tudo ao redor deles parecia estar exigindo adaptação constante, desde os castelos até as pessoas surgindo quando não deveriam existir. então ergueu os olhos para lavender quando a amiga mencionou a possibilidade de estarem presos, e dessa vez o sorriso desapareceu completamente. ❝ — talvez. sabe, quando a roda da fortuna aparece numa leitura comum, ela fala sobre ciclos, momentos em que a gente não consegue controlar a direção dos acontecimentos porque a roda continua girando independentemente da nossa vontade. mas toda roda eventualmente completa uma volta, certo? então eu não acho, ou pelo menos é pra isso que eu torço, que vamos ficar aqui para sempre. eu só acho que ainda não consigo enxergar onde exatamente esse ciclo termina. acho que as cartas também não...❞ — por fim, luna lançou mais um olhar para a roda da fortuna antes de empurrá-la para o centro da mesa e apoiar o queixo na mão enquanto pensava mais à respeito. ❝ — o que é bastante irritante da parte delas. depois de anos aprendendo a interpretar símbolos misteriosos, eu esperava um pouco mais de colaboração. às vezes eu queria ser clarividente também, será que faz diferença na hora de tirar as cartas?❞ — brincou, pois sabia que não era assim quer as coisas funcionam.
um suspiro escapou. " eu só nunca achei que teria um... quero dizer, eu pensava no futuro, mas de alguma forma, nunca achei que fosse muito longe. " nunca tinha admitido aquilo em voz alta, nem mesmo para Daphne, era um assunto delicado, e envolvia segredos que a própria família Greengrass mantinha deles mesmos, mas Astoria confiava em Luna, e talvez de todas as pessoas com quem poderia conversar a respeito de tais detalhes, a loira fosse a que melhor a compreenderia. " e agora que o futuro está tão próximo, literalmente no castelo do lado, acho que ter as respostas que me perguntei boa parte da vida se tornou tudo um pouco real demais. " continuou sem olhar diretamente para a amiga. " sua mãe? eu tenho certeza que ela adoraria te conhecer, você é incrível Luna, qualquer pessoa ficar orgulhosa em ser sua mãe. " disse aquilo com toda a convicção que tinha, mas também entendia o quão assustadora a ideia podia parecer, afinal, Astoria não sabia exatamente o que faria se surgisse alguém do outro castelo se dizendo seu filho ou filha, ela nem acreditava que poderia engravidar por conta da condição. " ei! foi realmente só uma conversa, eu estava procurando pro algo e o Peeves nos trancou lá dentro. " justificou rapidamente junto a uma risada por conta da expressão da loira. " mas acho que foi bom, esclarecemos as coisas e.. somos amigos de novo. " sorriu, não tão abertamente, ainda estava lidando com a aceitação de que ela e Malfoy se resumiriam a isso dali pra frente, não que tivesse sido alguma outra coisa antes. " ele parece precisar de alguém pra conversar, anda por ai como se carregasse o peso do mundo nos ombros. e agora, com a notícia de que tem um filho no outro castelo, parece mais tenso do que nunca. "
o sorriso divertido que surgiu no rosto de luna quando astoria tentou se justificar sobre o armário de vassouras ficou ali até o fim de sua fala. havia algo curioso em como as pessoas sempre davam mais informações quando estavam tentando convencer alguém do seu contrário. ainda assim, luna teve a gentileza de não insistir no assunto. ❝ — claro, peeves sempre foi um grande defensor da reconciliação entre alunos. de qualquer forma, todos devemos uma à ele nessa. confesso que depois do que aconteceu na biblioteca, fiquei com um certo medo de que as coisas fossem ficar piores.❞ — comentou com uma solenidade tão perfeita que era impossível saber onde terminava a ironia e começava a sinceridade. então voltou a atenção para a parte anterior da conversa, porque aquilo parecia muito mais importante. os olhos dela permaneceram alguns segundos sobre astoria, acompanhando a forma com que ela falava do futuro, e alguma coisa naquilo fez luna compreender ainda mais sobre a amiga do que ela deixava transparecer. ❝ — você é jovem demais pra achar que não tem futuro, asty. especialmente sendo quem você é, tão... gentil e inteligente. se alguém merece um bom futuro é você...❞ — opinou, ainda que sua intuição gritasse que a situação ali não era só falta de perspectiva pessoal; algo na expressão de astoria lhe dizia que existia algo a mais naquela situação, algo que ela não sabia ainda. os dedos dela deslizaram distraidamente pela borda de uma folha próxima enquanto falava. então sorriu de leve quando astoria falou sobre sua mãe. ❝ — eu gostaria de acreditar nisso. eu era uma criança quando ela morreu... eu e meu pai fizemos o possível para preservar a memória dela, mas já faz dez anos... às vezes tenho medo de esquecer os detalhes realmente importantes.❞ — confessou, e havia algo mais vulnerável naquela resposta do que em qualquer discurso longo que pudesse ter feito sobre o assunto. por fim, quando o assunto voltou para draco, luna ficou quieta, pensativa, mas acabou assentindo. ❝ — ele sempre foi assim... a esse ponto acho que é parte da personalidade inerente dele... mas eu concordo, acho que ele precisa mesmo de alguém para conversar. fico feliz que seja você, asty, minha atuação às vezes fica limitada porque ele me acha irritante, mas você... tenho a impressão de que ele se abriria mais com você. mas, de verdade, eu não estou muito preocupada com o draco. ele tem um talento para sobreviver a coisas que deveriam desmontar qualquer pessoa. provavelmente vai continuar fazendo isso por mais algumas décadas.❞ — e, daquela vez, o sorriso que surgiu era genuinamente afetuoso.
Grace caminhava o mais silenciosamente que conseguia, prestando atenção em passo após passo que seus pequenos pés davam, tentando ao máximo não emitir barulho. Ela estava ali de forma ilegal, quebrando regras que claramente foram impostas para manter alunos como ela longe desses caminhos, todavia, May ao longo das noites — desde que tudo começou — não conseguia dormir, inquieta e sentindo aquele cheiro magico constante que a impedia de fechar os olhos tranquilamente. A ruiva precisava andar pelos corredores para descarregar as energias e, infelizmente para Professora Scamander — e felizmente para Grace — os seus caminhos haviam se cruzado, fazendo a possível estupida ideia de segui-la brotar na em sua mente. Entretanto, talvez a jovem Dursley não estivesse sido tão silenciosa quando pensava — talvez tenha sido o soluço que escapou de seus lábios quando o frio da noite entrou em contato com sua pele ou quando tropeçou em um punhado de folhas, fazendo um farfalhar chamativo — já que a Luna a notou com uma facilidade incrível. E rapidamente, Grace ajeitou a postura, saindo do esconderijo — atrás de uma mureta — que se encontrava, acenando levemente para a professora com um sorriso amarelo lateral — como se fosse um por favor, me perdoe por te seguir no meio da noite.
"Sim… sempre me falam que é impossível um ponto vermelho não ser visto" Tenta fazer uma gracinha, segurando uma mão na outra enquanto decidi caminhar em direção a professora rapidamente, mas ainda contraída. Grace nunca teve uma relação aberta com Luna como todos os outros alunos tinham, ela era mais contida e até mesmo tímida "Bem, eu tenho um costume de ser silenciosa pelos corredores. Nenhum monitor me pega" Ri fraco, olhando em volta antes de encara-la "Desculpa por lhe seguir, professora… é que eu vi a senhora vindo para cá e, bem, decidi vir também"
o comentário sobre os monitores arrancou dela um sorriso. havia uma diferença entre alguém que quebrava regras por rebeldia e alguém que quebrava regras por curiosidade, e luna sempre teve certa facilidade para reconhecer a segunda categoria. manteve o caderno aberto entre as mãos por alguns instantes antes de fechá-lo devagar, protegendo as páginas do vento que atravessava os terrenos naquela noite. ❝ — eu acredito em você. sabe, quando eu tinha a sua idade, as pessoas costumavam presumir que eu fazia perguntas porque não entendia as coisas. depois eu descobri que, na maior parte do tempo, eu fazia perguntas porque as respostas que todo mundo aceitava pareciam incompletas. ultimamente eu tenho encontrado muita gente andando pelos corredores tarde da noite. algumas pessoas dizem que estão procurando respostas, outras dizem que só não conseguem dormir. normalmente as duas coisas acabam sendo a mesma coisa.❞ — só então luna voltou os olhos para grace de verdade, observando-a com atenção, sem qualquer intenção de repreendê-la. tinha descoberto há muito tempo que seu modo de lecionar e, mais que isso, ser mãe, não perpassava pela autoridade por autoridade, o mandar por prazer. se não funcionava com ela, não via como podia funcionar com os outros. ❝ — então, me permita também perguntar: o que exatamente veio fazer aqui? não garanto dar passe livre, mas definitivamente não vou te mandar automaticamente pra cama ou, pior, para a detenção.❞
Ginny não sabia exatamente quando o medo tinha começado a se instalar de verdade. Talvez tivesse sido depois da Sala Precisa, ou depois da barreira, ou quando percebeu que os adultos — professores, aurors, diretores — estavam começando a parecer tão confusos quanto os alunos. Aquilo nunca era um bom sinal. E ela conhecia aquela sensação. O jeito como todo mundo fingia que estava tudo sob controle quando claramente não estava. A sensação crescente de que tudo estava prestes a explodir a levou até ali, parada diante de uma antiga sala vazia no sétimo andar. Uma daquelas que costumavam ser esquecidas pelo próprio castelo, apropriada para o que pretendia fazer, uma hora que agora a Sala Precisa estava isolada. Claro que ela havia chamado Luna, se existia alguém que Ginny se sentia segura quando tudo parecia desmoronar, era ela.
Já estava dentro da sala quando a porta rangeu, virando rápido demais ao ouvir o som. Mas relaxou logo depois, assim que viu as madeixas loiras entrarem no espaço. "Obrigada por vir." disse em um cumprimento, aproximando-se o suficiente pra abraçar a amiga, o que por si só já era sinal suficiente da sua frustração. Havia lhe entregado um bilhete mais cedo, a convidando para ir até ali para treinarem um pouco. Agora que a Armada já não se encontrava mais, simplesmente pareceu pertinente a ideia. "Pensei que talvez fosse uma boa ideia revisar alguns feitiços defensivos, o que acha? Escudos, proteção, talvez duelos leves." um sorriso torto apareceu, estava estranhamente nervosa com aquilo. "Sei que pode soar um pouco paranoico. É estranho querer estar preparada pra alguma coisa? Caso tudo dê errado de novo?"
luna retribuiu o abraço imediatamente, permanecendo ali por um segundo a mais do que normalmente permaneceriam. luna a conhecia bem demais para identificar os medos que apareciam nos ombros tensos, na inquietação dos movimentos e naquele olhar hipervigilante. ❝ — você não tem o que agradecer, gin. sabe que pode me chamar pra tudo que for, não importa se é tirar cartas, comer besteira ou... bom, seja lá o que for isso.❞ — disse ainda abraçada na amiga. depois de finalmente soltá-la, lançou um olhar demorado para a sala vazia ao redor delas, após ouvir a pergunta da ruiva. ❝ — eu não acho que seja paranoico. na verdade, eu já tinha pensado na possibilidade de voltar com a ad, até comentei com a hermione... quer dizer, ano passado não apenas foi bom pra nos ensinar a nos defender, mas porque nos deu um senso de propósito quando tudo parecia opressor demais, não acha? então por que não agora também? além disso, eu sempre gostei mais de aprender coisas do que de esperar coisas.❞ — então finalmente sacou a varinha de vez e sorriu para a amiga de forma serena. ainda que achasse que sua derrota para ginny fosse eminente em todos os campos que elas praticassem, luna não estava particularmente focada em ganhar duelo algum. ❝ — como quer começar, ruiva?❞ — sorriu divertida.
quem: luna & @pcsterboy
onde: torre de astronomia
quando: 21 de setembro de 2026, noite
as noites de luna não eram mais suas desde que chegou em hogwarts. ela não tinha aquela sensação de esgotamento e de não conseguir pregar o olho de preocupação desde que lysander e lorcan eram bebês. o estresse sobre o que estava acontecendo com aquele gigante castelo era comparável, quiçá pior; mesmo quando ela não precisava ajudar os outros professores e monitores a patrulhar o castelo, luna percebeu que não conseguia dormir direito. e sempre que isso acontecia, ela gostava de ir para lugares silenciosos e, principalmente, olhar as estrelas. quando era estudante, a torre de astronomia era figurinha carimbada, por isso não foi surpresa se pegar fazendo o caminho até lá no meio da noite. de certa forma, estava ansiosa para ver aquele céu estrelado lindo que sempre aparecia por lá, mas seus planos mentais foram interrompidos pela constatação de não ser a única pessoa na torre. logo ali ela identificou sem problemas viktor krum. com um meio sorriso, alcançou-o e pôs-se ao seu lado. ❝ — acabei de ter um déjà-vu...❞ — cumprimentou, o olhar voltando para ele de forma divertida. quantas vezes luna tinha presenciado essa cena? quantas vezes tinha importunado viktor, na sua metafórica torre de silêncio e reserva? incontáveis vezes. ❝ — quão sortudo você precisa ser para vir dar um curso rápido e acabar preso aqui indefinidamente, huh? o bom filho à casa torna, não é isso que dizem? o destino só foi meio sacana com o timing. admita que você não acreditou naquela leitura de folha de chá que fiz pra você aquela vez, que disse que você ia ficar preso em algum lugar... mas olha aí o resultado.❞ — ela apontou de forma abstrata para o espaço, indicando os outros dois castelos ao fundo. claro, não estava falando sério, apenas brincando com a situação para quebrar o gelo. além do mais, ela tinha aquele traço de personalidade peculiar de tratar pessoas com as quais não falava ou via há muito tempo como se tivessem se visto ou falado constantemente nos últimos anos. era o seu espírito naturalmente hospitaleiro, uma bênção ou uma maldição a depender do interlocutor.
Direcionou um sorrisinho culpado na direção de Luna, pedindo desculpas com o olhar. Não tinha errado de propósito, só nunca tinha entendido muito bem o que eles eram, mesmo. “Depois você me explica” concordou, mas só porque realmente tinham um assunto mais urgente no momento. A mente de Parvati era inquieta demais para prestar atenção em uma coisa só de cada vez, e quando se tratava da Lovegood, era consideravelmente mais difícil entender o seu raciocínio se não estivesse completamente voltada para ela. Às vezes tinha a mesma sensação com Padma... talvez fosse coisa de gente inteligente demais. De início, franziu o cenho com a comparação do rio, mas à medida que explicou, Patil assentiu rapidamente. “Isso! Exatamente tipo isso. Só que eu acho que além de terem mudado o curso de um rio, ainda mudaram o curso de outros dois e enfiaram tudo no mesmo lugar” tentou explicar, gesticulando dramaticamente o momento da "colisão" dos três rios. “E aí nenhum tá funcionando mais do jeito que deveria. Do jeito que foi previsto.” Era uma ótima comparação, ela tinha que admitir. A amiga era muito boa naquilo. “Enfim. Estou prestes a tentar umas coisas diferentes. Não dá pra falar muito sobre agora...” sussurrou, referindo-se ao "projeto" que tinha com a professora Trelawney. Confiava em Luna, mas havia levado muito a sério o pedido da docente. “Mas te conto se der certo.”
A resposta dela depois do seu drama fez com que soltasse um risinho de imediato, mas não sem dar uma cotovelada leve em retaliação. “Ha, ha.” imitou uma risada, o que não era tão efetivo depois que havia rido de verdade. “Eu espero que não, sinceramente. Já tem doido demais nessa escola.” Sabia que por mais que comentassem aquele tipo de coisa sobre Luna pela escola, ela saberia que Parvati não se referia a ela. Ao menos não agora, que já eram consideravelmente próximas. “Vem cá, você não acha que Harry devia voltar com a Armada esse ano, não?” perguntou baixinho, mudando consideravelmente o curso do assunto. “Sei lá, a gente deveria se preparar melhor, sabe. Pra o que quer que possa vir aí.”
luna observou a encenação dramática dos três rios colidindo como se parvati estivesse demonstrando uma teoria avançada de aritmancia em vez de gesticular descontroladamente no meio da aula. ❝ — eu acho que essa é uma descrição melhor do que a minha. um rio ainda pressupõe uma direção, mas três rios tentando ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo parece muito mais próximo do que está acontecendo.❞ — assentiu luna em concordância. inclusive, aquilo explicava a sensação estranha que vinha acompanhando todas as leituras desde o início do ano. não parecia que o futuro havia desaparecido, parecia apenas que existiam futuros demais tentando existir simultaneamente. os olhos dela se estreitaram quando parvati mencionou que estava tentando coisas diferentes, a curiosidade surgiu imediatamente, mas luna sabia perceber quando alguém estava guardando uma informação porque precisava guardá-la. ❝ — tudo bem, eu vou fingir que não estou curiosa, mas se der certo, quero estar entre as primeiras pessoas a saber. considere isso um investimento da minha parte.❞ — respondeu divertida e piscando para a amiga. então recebeu a cotovelada com uma risadinha baixa, sem sequer tentar se defender da acusação. a pergunta seguinte fez o semblante de luna ficar mais sério enquanto considerava a possibildiade. ❝ — eu acho sim, inclusive já disse tanto para a ginny quanto para a hermione que essa seria uma boa ideia.❞ — admitiu, mas ainda não tinha concluído a sua linha de raciocínio. os dedos giraram distraidamente a xícara entre as mãos, depois adicionou: ❝ — quando criamos a armada, existia um inimigo com cara e nome. agora não temos nem certeza do que, quando e nem o motivo... e é muito difícil lutar contra ideias abstratas. mas eu entendo o que você quer dizer. talvez seja bom só sobre lembrar as pessoas de que elas não estão sozinhas nisso tudo.❞ — eu adoraria lembrar disso, completou a frase mentalmente, um sorriso doce surgindo nos lábios. luna então lançou um olhar rápido para a professora trelawney à frente da sala antes de voltar a atenção para a amiga. ❝ — além disso, se alguma coisa muito terrível resolver acontecer, eu prefiro estar do mesmo lado que harry potter. as estatísticas dele continuam sendo estranhamente impressionantes.❞
Uma risada baixa escapou dele antes mesmo que pudesse evitar. “ protagonista trágico de expedições perigosas é uma acusação surpreendentemente. ” comentou enquanto olhava rapidamente para a pena dourada ainda presa na manga do uniforme. O toque rápido dela ao afastar a pena do seu cabelo pareceu pegá-lo desprevenido por um instante. Não o suficiente para transformar aquilo em um momento estranho, apenas o bastante para interromper a linha de raciocínio que tinha antes. Os olhos acompanharam a pena escapar novamente para o ar antes dele voltar a atenção para Luna. “ embora eu admita que o universo esteja fazendo um esforço considerável, primeiro a tinta, depois as penas, nesse ritmo eu vou acabar parecendo uma instalação artística ambulante até o final da semana. ” A menção à caixa arrancou outro sorriso dele. “ eu continuo sustentando que ela tinha intenções hostis desde o início. ” então abaixou-se para recolher uma das penas que havia pousado perto dos frascos espalhados pelo chão, girando-a distraidamente entre os dedos. A pena dourada foi colocada cuidadosamente de volta dentro de uma das caixas sobreviventes antes dele se levantar novamente. O olhar passou pelo corredor ainda coberto de tinta, penas flutuando e materiais espalhados, avaliando o cenário como se estivesse diante das consequências de uma pequena catástrofe. “ embora eu ache que agora temos um problema maior, porque se algum monitor aparecer antes da gente terminar de limpar isso, existe uma chance real de acreditarem que tentamos reinventar arte moderna em Hogwarts. ” O humor voltou ao tom da voz enquanto inclinava levemente a cabeça na direção dela. “ e, não tenho certeza se conseguiríamos nos defender dessa acusação. ”
luna levou uma das mãos ao peito numa expressão de ofensa teatral ao ouvir a palavra acusação. ❝ — eu não estava acusando você, estava observando um fenômeno. são coisas completamente diferentes! além disso, se você acha que não tem cara de protagonista de expedição perigosa, então claramente nunca se viu através dos olhos de outra pessoa. o que eu entendo, passamos tanto tempo dentro de nós mesmos e esquecemos que as pessoas têm outras visões de nós.❞ — o sorriso continuava presente enquanto ela recolhia mais alguns pergaminhos espalhados pelo chão. a verdade era que ela nem tinha pensado muito antes de dizer aquilo, simplesmente parecia uma observação certa a ser feita em relação à ele, da mesma forma que algumas pessoas pareciam nascer com cara de jogadores de quadribol, professores ou exploradores. a ideia de rolf se transformando progressivamente numa instalação artística ambulante, entretanto, arrancou dela outra risada. ❝ — talvez devêssemos deixar o processo terminar antes de julgar, mas... o conceito ainda precisa de refinamento. neste momento está mais para acidente do que para movimento artístico. e tudo bem, eu acho, algumas obras de artes incríveis nasceram de um acidente puro. tem até um movimento inteiro baseado nisso, sabia?❞ — seu hábito era tagarelar enquanto a outra pessoa lhe desse corda, e rolf não parecia tão próximo de interrompê-la. então acompanhou o olhar dele para o estado geral do corredor e finalmente pareceu considerar a possibilidade de que aquilo realmente fosse um problema. só um pouco. ❝ — hm, você tem razão. mas se formos interrogados, eu estou perfeitamente disposta a testemunhar que você foi um cidadão exemplar durante todo o incidente. na verdade, você provavelmente deveria testemunhar contra mim. suas chances de absolvição seriam maiores.❞
Os passos diminuíram automaticamente quando percebeu o que Luna estava fazendo. O olhar passou pelas folhas espalhadas na grama, pelas manchas de tinta nos dedos dela e, finalmente, pelo caderno. Rolf permaneceu em silêncio por alguns segundos enquanto analisava o desenho, não com a expressão de quem tentava decidir se estava bonito, mas com a de quem genuinamente tentava entender o que ela tinha conseguido captar ali. “ Relevante e levemente enlouquecedor não são opções mutuamente exclusivas. ” respondeu por fim enquanto se aproximava o suficiente para conseguir observar melhor as páginas. Então apontou discretamente para uma das linhas do desenho. “ Mas isso aqui, eu acho que você conseguiu reproduzir exatamente a parte estranha. ” Os braços cruzaram de maneira relaxada enquanto ele voltava os olhos para a água escura do lago. “ Todo mundo continua descrevendo os castelos como versões diferentes de Hogwarts, mas não parece só isso. ” Comentou. Então voltou a olhar para o desenho outra vez. “ Eu não acho que você esteja enlouquecendo, acho que você só percebe coisas que a maioria das pessoas tenta simplificar rápido demais pra não precisar pensar sobre elas. ” O vento passou outra vez pela margem do lago, fazendo algumas das folhas soltas perto dela se moverem levemente pela grama úmida. O olhar dele acompanhou as ondulações escuras na água por um instante antes de voltar para Luna. “ Embora eu admita que desenhar uma distorção temporal sentada perigosamente perto do Lago Negro talvez não seja exatamente um comportamento tranquilizador. ”
luna observou o ponto do desenho que rolf indicou e pareceu satisfeita. não tinha feito um desenho particularmente bom, mas ele tinha entendido o que ela estava tentando registrar, e isso era o suficiente. ❝ — é exatamente isso. é como quando você olha para uma criatura através da água. ela continua sendo a mesma criatura, mas a imagem chega até você distorcida. só que aqui eu não consigo decidir se os castelos são a imagem ou a água.❞ — admitiu de forma críptica. luna não se sentia realmente desesperada como o resto do castelo por respostas, mas gostava de compreender as coisas e aquela situação parecia escapar de qualquer tentativa de organização, mesmo a intuitiva. luna então fechou parcialmente o caderno sobre o colo e voltou a olhar para o lago. o vento voltou a mover algumas das folhas espalhadas pela grama, e ela precisou segurar uma delas antes que fosse parar na água. a observação sobre o lago negro lhe arrancou um sorriso. ❝ — isso é justo, mas, em minha defesa, eu estou sentada perto do lago negro desde o primeiro ano e, até agora, a maioria das consequências foi administrável.❞ — respondeu de bom humor, mas logo sua atenção retornou para o horizonte, para o reflexo fragmentado dos castelos sobre a superfície escura da água. por alguns segundos permaneceu em silêncio, observando as ondulações se desfazerem. ❝ — é engraçado pensar em como as coisas mudaram em tão pouco tempo.❞