A pior parte sobre se meter em uma briga, pra Kiefer, nunca foi sair machucado, mas sim o dia seguinte. Ele já não era uma pessoa bem recebida na escola, de modo geral já haviam olhares um tanto questionáveis em sua direção, mas quando chegava machucado, tudo parecia pior. Em especial, naquele dia em que chegou com um corte da sobrancelha a bochecha, todos pareceram bem agitados sobre o assunto. No dia anterior, teve que lidar com um ex cliente o qual tentou invadir seu apartamento após Kiefer ter negado-lhe vender drogas. O garoto não conseguiu nem ao menos chegar ao capacho do apartamento, mas em momento de distração atingiu o rosto do Alemão com uma garrafa a qual carregava em mãos. Chamar a polícia quando se é um traficante não é uma opção, então ele teve que lidar com aquilo por si mesmo, tendo certeza que ele não colocaria a ele ou a sua filha em risco em momento nenhum por um tempo. Uma pessoa em especial, pareceu bastante agitada com o machucado, e quando a professora substituta percebeu que não apenas o rosto de Kiefer estava machucado, ela fortemente sugeriu a ele que fosse a enfermaria. Sem motivos ou vontade pra permanecer em aula, ele caminhou vagarosamente até a sala da enfermaria. Não era um espaço muito grande nem muito lotado, na verdade, naquele momento ele pensava estar sozinho. Então, ao entrar apanhou um pirulito, que era provavelmente direcionado às crianças mais jovens, e sentou-se na maca branca saboreando o doce até que alguém aparecesse por ali. “ Oh thank god, é o meu enfermeiro favorito. Sinceramente, a senhora que trabalhava aqui antes era uma megera, estamos muito melhor agora com você aqui.” o alemão disse não segurando um sorriso ao finalmente ter um motivo para começar a falar e não se sentir mais perdido no próprio silencio.
Em seus raros momentos livres naquele colégio, o Lowell aproveitava para trabalhar mais. Acontece que com tantos alunos, o rapaz podia facilmente trocar as fichas e acabar dando algum remédio errado, causando alguma reação alérgica indesejada e isso era estressante. Preferia então não correr risco algum, buscando apenas memorizar os nomes dos estudantes e suas imagens pois os reconheceria com facilidade e não teria chance alguma de trocar as fichas. O problema é que todas as vezes que fazia isso, alguém vinha lhe chamar. E agora não foi diferente. O enfermeiro logo se apressou com urgência na voz da sua ajudante, fazendo-o sair apressado da sala dos professores já vestindo rapidamente o jaleco.
Mas Brian só conseguiu acalmar-se quando percebeu quem era o paciente da vez. Dificilmente Kiefer teria brigado dentro dos limites do colégio, não precisava então se preocupar se haveria alguém pior, com machucados mais graves. “Você um dia vai estar quebrado demais para receber ajuda.” respondeu, soltando um suspiro pesado. O garoto tinha sorte que seus ferimentos, apesar de sempre tão feios, eram fáceis de remendar. “Isso não foi de hoje.” declarou. Não era uma pergunta, era apenas uma afirmação do que via. “Se o seu enfermeiro favorito fizesse uma pergunta, você responderia com honestidade?” sondou, estreitando os olhos para o garoto ao que começava a colocar as luvas para examinar aquela bagunça.