Desculpa, eu só estou exausta.
Não parei de sentir.
Mas agora eu só fico aqui, quieta.
Exausta.
Querendo correr até você.
Mas exausta.

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@luadealaly-1
Desculpa, eu só estou exausta.
Não parei de sentir.
Mas agora eu só fico aqui, quieta.
Exausta.
Querendo correr até você.
Mas exausta.
Sempre seremos diferentes.
Quando assino o seu nome,
seja por amor
ou por rancor,
meu peito arrebenta,
minha boca arrebenta,
meu corpo inteiro perde o pudor.
Eu preciso dizer.
Preciso cuspir.
Preciso sangrar.
Porque toda palavra que engulo
aprende a me mastigar.
Você não.
Você costura a própria ferida
com linha de mentira.
Diz que passou.
Diz que esqueceu.
Diz que nunca doeu.
Mas eu conheço o peso
de quem aprende a sobreviver
fazendo do peito
o próprio cemitério.
Nós nunca fomos iguais.
Você enterra.
Eu desenterro.
Você cala.
Eu estilhaço.
Você chama de exagero.
Eu chamo de espaço
que o amor abriu
quando rasgou meus ossos.
Eu transbordo.
Você transborda medo.
Porque quem ama como eu
não cabe no silêncio.
Quando eu partir,
não espere delicadeza.
Vou partir aos berros.
Vou escrever teu nome
até meus dedos quebrarem.
Vou gritar teu nome
até minha garganta virar ferrugem.
Vou amar teu fantasma
até ele cansar de me assombrar.
E quando não restar voz,
eu ainda vou sangrar.
Porque você aprendeu
a esconder a dor.
E eu nasci
para fazer da minha
o barulho mais alto do mundo.
Sempre seremos diferentes.
Quando assino o seu nome,
seja por amor
ou por rancor,
meu peito arrebenta,
minha boca arrebenta,
meu corpo inteiro perde o pudor.
Eu preciso dizer.
Preciso cuspir.
Preciso sangrar.
Porque toda palavra que engulo
aprende a me mastigar.
Você não.
Você costura a própria ferida
com linha de mentira.
Diz que passou.
Diz que esqueceu.
Diz que nunca doeu.
Mas eu conheço o peso
de quem aprende a sobreviver
fazendo do peito
o próprio cemitério.
Nós nunca fomos iguais.
Você enterra.
Eu desenterro.
Você cala.
Eu estilhaço.
Você chama de exagero.
Eu chamo de espaço
que o amor abriu
quando rasgou meus ossos.
Eu transbordo.
Você transborda medo.
Porque quem ama como eu
não cabe no silêncio.
Quando eu partir,
não espere delicadeza.
Vou partir aos berros.
Vou escrever teu nome
até meus dedos quebrarem.
Vou gritar teu nome
até minha garganta virar ferrugem.
Vou amar teu fantasma
até ele cansar de me assombrar.
E quando não restar voz,
eu ainda vou sangrar.
Porque você aprendeu
a esconder a dor.
E eu nasci
para fazer da minha
o barulho mais alto do mundo.
Como pode alguém não estar mais aqui e, ainda sim, continuar sendo uma das partes mais vivas das nossas vidas?
Como pode alguém não estar mais aqui e, ainda sim, continuar sendo uma das partes mais vivas das nossas vidas?
Quadragésima carta
É estranho pensar que já não te conheço mais.
Sei seu nome. Sei o jeito que você dorme. Seu gosto para comida. Sua música favorita.
Mas agora somos estranhos.
Fico me perguntando o que você fez com a minha primeira carta.
Se a queimou. Se a rasgou. Se ela ficou esquecida no fundo de alguma gaveta, amarelando, enquanto a tinta desaparecia devagar, como nós.
Penso nos nossos "e se".
Na vida que planejamos ter. Nos lugares que prometemos conhecer. Nas pessoas que jurávamos apresentar um ao outro. Nas mentiras que adorávamos contar.
— "Isso aqui é para sempre."
Eu disse. E você sorriu.
Às vezes quero que você fique bem. Às vezes te odeio tanto. E, em outras dessas vezes, eu simplesmente não penso em você.
Já se passaram cinco anos desde a primeira carta.
Ainda te escrevo sempre que dói.
Anoto seu nome e seu endereço, colo selos, mas nunca envio.
Fico esperando o tempo passar mais rápido e levar tudo isso embora.
Visitei seu perfil ontem à noite.
Faço isso quando quero te esquecer.
É assim que tento te esquecer, ressuscitando você por alguns minutos.
Me obrigo a viver o luto
Nada mudou.
Seus olhos, seu sorriso, continuam os mesmos
Mas você não é você.
E é isso que é estranho.
Eu não sou mais eu. E você não é mais você.
Sei seu nome e seu sobrenome.
Mas já não te reconheço mais.
-Cartas que te escrevi nas madrugadas...
Me sinto ridícula por ainda procurar um sentido em nós.
No que fomos.
Em quem éramos.
E nessa pessoa estranha que me tornei depois de você.
Ainda uso a aliança que me deu.
Não por esperança,
nem por amor.
Talvez porque alguns objetos demorem mais para entender os términos do que as pessoas.
Sorrio pelas ruas
como se você ainda caminhasse ao meu lado.
E, por um instante,
eu mesma acredito nessa mentira.
É curioso.
Segui em frente,
mas algumas partes de mim continuam sentadas no mesmo lugar,
esperando um acontecimento que já terminou.
Você não está mais aqui.
Essa deveria ser uma frase simples.
Mas há ausências que ocupam mais espaço do que certas presenças.
Não sinto sua falta.
Pelo menos é isso que repito para mim.
Mas escrevo como quem sente.
Procuro seu rosto entre desconhecidos.
Acordo, às vezes, com seu nome antes mesmo do meu.
E me pego desviando os olhos para lugares onde você nunca esteve.
É como se você tivesse deixado de existir
e, ainda assim,
habitasse silenciosamente tudo aquilo que não consigo nomear.
Se lesse estas cartas,
acho que riria.
Você sempre soube rir das minhas tentativas de encontrar significado onde, talvez, nunca tenha existido nenhum.
E essa é a única certeza que me resta:
a de que, aos seus olhos,
meus sentimentos sempre pareceram exagerados.
Ridículos.
Engraçado.
Ainda me dói pensar nisso.
É como voltar para casa
e descobrir que outra família mora ali.
Eles mudaram os móveis,
pintaram as paredes,
abriram as janelas.
E eu permaneço parada na varanda,
como alguém que já não pertence,
esperando que alguém se lembre de dizer:
"Você também viveu aqui."
Mas ninguém diz.
A casa continua existindo.
Só deixou de ser minha.
Talvez seja isso que o tempo faça.
Não leva tudo de uma vez.
Vai retirando nossos lugares aos poucos,
até que um dia nos tornamos visitantes das próprias lembranças.
E é por isso que continuo te escrevendo.
Não porque espere uma resposta.
Nem porque deseje sua volta.
Escrevo porque, entre querer esquecer e perceber que já esqueci partes de você, existe um intervalo silencioso.
E é exatamente nesse intervalo que eu ainda moro.
em noites como essa; minhas explosões internas são silenciosas.
cr.
IG: @rodrigo_lopes_escritor
Se algo pode dar errado, dará.
— Lei de Murphy.
Nem toda distância é geográfica; algumas são puramente emocionais.
Soco.
Passei tanto tempo tentando entender você que, quando tudo acabou, percebi que já não sabia quem precisava ser compreendido.
Sempre me perguntei o que aconteceria se eu deixasse você me perder.
Não porque duvidasse do amor.
Mas porque desconfiava da gravidade.
Queria descobrir se existia alguma força capaz de fazer você voltar ou se todo corpo que ama sozinho está condenado a cair sem testemunhas.
Hoje não penso em você.
Penso na mulher que pensava em você.
E não sei qual das duas me assombra mais.
Às vezes me pergunto se você realmente existiu.
Não como homem.
Como lembrança.
Porque pessoas existem.
Memórias negociam.
A saudade falsifica documentos.
E a solidão é uma excelente autora de ficção.
Talvez eu tenha amado a hipótese.
A promessa.
O intervalo entre quem você era e quem eu precisava que fosse.
Talvez o amor seja apenas isso:
uma imaginação com batimentos cardíacos.
Volto às nossas conversas como um arqueólogo escavando ruínas na esperança de encontrar provas de uma civilização.
Mas encontro apenas a minha caligrafia.
E isso me destrói.
Porque talvez eu tenha passado tanto tempo procurando vestígios seus
que nunca percebi
que todas as pegadas eram minhas.
Passei anos acusando a sua ausência.
Agora começo a suspeitar da minha presença.
Quem era eu quando te amava?
Quem sou eu agora que já não sei se aquele amor foi vivido ou apenas acreditado?
Há dias em que penso tanto em você que me pergunto se ainda estou me enganando.
Há outros em que penso tão pouco que me pergunto se algum dia você passou por mim.
Talvez esse seja o destino de todo sentimento que sobrevive sozinho:
não virar saudade.
Virar dúvida.
Porque a saudade ainda honra o passado.
A dúvida o corrói.
E talvez essa seja a crueldade que ninguém conta.
O amor não termina quando deixamos de amar.
Termina quando já não sabemos se um dia amamos alguém
ou apenas a história que contamos para justificar o vazio.
há fardos que precisamos aceitar.
o silêncio.
a rejeição.
o abandono.
a solidão que mata e cura ao mesmo tempo.
Eu sempre fui assim,
um pouco triste e um pouco só.