SÉRIE: "CARTAS DE VERÃO PARA GAROTOS QUE ERAM MARÉ"
(Correspondências não enviadas entre dunes, coqueiros e amores que duram menos que bronzeado)
CARTA #1: "Do Garoto que Bebeu Seu Nome no Bar da Praia"
Data: 15 de janeiro, 5:17PM
Local: Bar do Caju (Aracaju) - onde o vento gruda sal na pele
Querido Fantasma de Óleo Solar,
Encontrei tua pulseira de miçangas hoje. Tava enterrada na areia igual nossas promessas. Guardei no bolso e cortei o dedo — sangue e lembrança têm o mesmo gosto metálica.
O bartender me serviu caipirinha sem perguntar. "Ele não voltou esse ano, né?" Disse que não com os dentes e sim com os olhos. Você sempre gostou dessa minha contradição.
O mar tá cor de *Venice Bitch* ao pôr do sol.
(P.S.: Joguei nossas fotos no rio Vaza-Barris. Você sabe que eu menti sobre ter apagado.)
Luiz Such.

















