Sobre os marcadores sociais de quem vos fala
Essa é uma frase que eu já tinha ouvido inúmeras vezes na minha caminhada, mas foi em um workshop intitulado “Pretos-Velhos: Resistência e Sabedoria Ancestral” ministrado pelo Caio Duarte, que eu despertei para me debruçar em uma pesquisa sobre os marcadores sociais que residem no ser que sou. De uma forma breve eu os apresento na descrição desse perfil. E aqui, nesse texto inspirado pelo sabedoria da Conceição Evaristo, eu discorro sobre algumas reflexões e pesquisas feitas por mim dentro de dois marcadores específicos que me marca: 1° mulher preta e 2° candomblecista. Existem outros, mas quero e vou me ater apenas a estes.
Mas me conte... você entende o que são os marcadores sociais? Resumidamente, eles falam sobre a diversidade na sociedade e assim sendo, trazem questões sobre a hierarquização e a desigualdade entre as pessoas. São muitas categorias dentro desse campo de estudo das Ciências Sociais.
Essa frase da Conceição Evaristo, mulher que nasceu rodeada de livros e desde criança aprendeu a colher palavras, nos possibilita refletir sobre isso: Quem é o alvo?
Nós, das religiões de matrizes africanas, diariamente lidamos com o racismo religioso. E ele mata simbolicamente, quando não fisicamente. Terreiros são apedrejados/invadidos/destruídos, até as crianças são agredidas e se passamos na rua com as nossas roupas ou nossas guias no pescoço recebemos violência verbal e muitas vezes física! Trago as palavras do jornalista Walmyr Junior, que em um texto publicado no Portal Geledés, afirma: "Não restam dúvidas que essas ações são pano de fundo do preconceito racial, tendo em vista que a história de fundação da religiosidade de matrizes africanas é fruto da resistência dos escravos no Brasil. Entendendo que a maioria dos seguidores dessas religiões são negros e negras, vemos se espalhando no Brasil o ato criminoso do 'racismo religioso'”.
Nós, mulheres, vivemos em uma sociedade misógina e patriarcal. Sabemos bem o quão somos violentadas fisicamente e psicologicamente, invisibilizadas, desrespeitadas, assassinadas. O Brasil ocupa o 5° lugar no ranking mundial da violência contra mulher. Os casos de feminicídio cresceram durante esse momento de pandemia e, se tratando do feminicídio, ainda que tenhamos a Lei Federal 13.104/15, sabemos que ser mulher nesse mundo é um risco. Vamos racializar? Mulheres pretas são as principais vítimas. Quando vamos pesquisar percebemos que existe um grande falha no registro deste quesito porque muitos estados não divulgam essa informação ou quando acontece de divulgar aparece como "não informada". Ainda assim, no Monitor da Violência no site do G1, podemos verificar que no primeiro semestre do ano de 2020, 75% das mulheres assassinadas foram mulheres negras. E essa diferença percentual entre mulheres brancas e mulheres pretas se repete em casos de violência doméstica e estupros.
Brevemente levantei dois dos marcadores que me marcam a fim de que vocês conheçam quem está falando por aqui e por onde os meus estudos, pensamentos e vida passeiam. Se eu sou um ser político, viver necessita de posicionamentos e eu começo está página trazendo através destas primeiras publicações uma breve apresentação do que e de quem se move por trás da tela.
E você? Já parou para pensar quais são os marcadores que marcam a sua vida? Já parou para perceber o quanto viver é um ato político? Reflita e se sentir de compartilhar, fique à vontade!
Deixo a baixo o link de um e-book que pode ser baixado para o melhor entendimento do que são os marcadores sociais de diferenças.
🗝️ Por Michele Lima 🔥 @luzdatocha