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regressa como quem
diz: estou aqui.
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@m-ecanicaceleste
a tua voz distante
regressa como quem
diz: estou aqui.
Eu te amo tanto.
E agora (?)
Estamos tão distantes.
São 2h de avião. São 2 dias, 03h e 5min de ônibus.
São 2 vidas de distância.
São alguns silêncios também.
Falei de você, porquê falar de vc é bom (ou era?).
Me senti encher.
de amor. e lágrimas. de amor e saudade.
Eu te amo tanto.
E agora estamos tão distantes.
Nem 2h de avião. nem 2 dias, 03h e 5min de ônibus.
Resolveriam essa distância.
Nem os silêncios também.
Falei de você, porquê falar de vc é:
Me sentir encher.
de amor. e lágrimas : de amor e saudade.
para um amigo
A arte de não caber onde o vento não fala
me diz, ventilador, do que não sei e preciso.
você que gira, gira, gira o vento de fora e dentro; que de lá e cá vem, e fica e sai e não para aqui.
você que conhece de tanto pois de tudo já ouviu do vento que é quente e é frio e é livre para ser o que quiser sob esse céu que é tão imenso e diz de uma vida que sinto fazer parte, mesmo não cabendo; um quase-céu, pedaço de infinito que não me cabe todo nos olhos e que encobre, com um falso azul, toda a grandeza do que está além do que de mim, por mim, não vejo e nem enxergo.
você que, parado aí, vê o tempo que não tem pena para pegar leve quando tento, tento e tento desacelerar dos dias que correm mais que os passos que tenho dado, cansado, e insiste em me obrigar a acompanhá-lo mesmo quando tudo o que mais quero é sentar um pouco e aproveitar a vista.
estou aqui desde sempre, dizendo e me repetindo, e já não lembro quando, de fato, tudo começou. é que não me acostumei aos anos que me passaram e, ai, ai que o tempo me atropelou e eu ainda não me recuperei da queda. você bem deve saber que quando se olha para trás e vê-se os dias que já se foram, parecem, esses, tantos, que às vezes me pergunto aonde eu estava que não os vi passar.
saudades tenho dos anos poucos que uma vez tive e já não tenho mais.
ventilador, me diz, por favor, pois há tanto que eu não sei, que já nem sei o que fazer com tanto não-saber.
mas, ah, ventilador!, você sabe. eu não sei, mas você sabe.
a única coisa que domino é a arte de dizer coisas onde não cabe a palavra, e você sabe.
você sabe.
oi, Mei.
achei umas estrelas e vou ficar nelas até quando não retomo a esperança.
espero que esteja tudo bem bom aí. se cuida direitinho. abraço.
Del,
esperancieis.
oi, Del! é assim que posso te chamar?
talvez aí seja, mais que o melhor lugar, a melhor escolha de onde se estar. já se diz: de passagem. vai, sim; tu. vai... passar. dizem que as estrelas têm riso de sino. você será uma delas. e haverá esperança. serás esperança.
"– Quando olhares o céu de noite, eu estarei habitando uma delas, e de lá estarei rindo; então será, para ti, como se todas as estrelas rissem! Desta forma tu, somente tu, terás estrelas que sabem rir!
E ele riu mais uma vez.
– E quando estiveres consolado ( a gente sempre se consola), tu ficarás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo. Terás vontade de rir comigo. E às vezes abrirás tua janela apenas pelo simples prazer… E teus amigos ficarão espantados de ver-te rir olhando o céu. Tu explicarás então: “Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!” E eles te julgarão louco. Será como uma peça que te prego…
E riu de novo.
– Será como se eu te houvesse dado, em vez de estrelas, montes de pequenos guizos que sabem rir…
E riu de novo. (…)
(O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry)"
brilhe muito, aí, por nós. e fica bem. sempre bem.
beijos,
Mei 💛
Quais são os seus tumblrs preferidos?
sou basicamente uma estranha, por aqui. pouco entro neste lugar e, quando o faço, é tão somente para verificar notificações ou, em oportunidades raras, publicar alguma coisa; portanto, pouco conheço dos blogs existentes e seus respectivos conteúdos. porém, eis alguns dos que sabem conduzir palavras como ninguém, dos quais sou uma inegável fã:
• @nao-lidos - nua e crua. o tanto que sangra é o mesmo que cura;
• @diegoxinaider - visceral. catastroficamente belo;
• @poesialudica - elegante. vivo;
• @esperancieis (atualmente, e infelizmente, desativado) - cirúrgico;
• @escritos-mortos - "conhece-te a ti mesmo".
como vai, Mei?
ei, olá! boa tarde 💛
bem... eu vou, só. não só, felizmente. mas tenho ido, apenas. que bom que tem sido assim, aliás. creio que, de tudo, o que mais importa é continuar, sabe? ir.
e você, tem ido? ah, e se for, não te esqueças, sobretudo, de fazê-lo devagar...
se cuida, ok? 🌼
Quando a luz entrou, beijou-te
a ti,
e misturou-se ao tecido
da cortina
tão alva – tão quente,
a luz; o beijo,
aquele, que se derrama
na pele exposta, que pede,
em súplicas – pulsante
nas veias e ossos –:
“beija-me agora, tu que vens
e tocas a mim, toda terna e
tênue, com seus braços curtos
a estenderem-se sobre o
branco que é vivo, em mim,
e que, arrebatador,
me faz flutuar”.
E assim, numa tarde,
daquelas tantas, de horas muitas e
dia poucos, a luz –
não eu, quem dera fosse! –,
a balançar-se, jogou-se-te
aos pés, e
a ti
beijou.
a.mei
Está chovendo.
Ouço pouco, a chuva, mas sei que chove.
Chove e respinga no parapeito da janela.
Eu não escuto mas, sei, está lá fora — a chuva, à espreita.
Tão só, ela.
Tão só ela a se derramar.
Ora forte, ora fraca. Ora fina, ora sem classe.
Não senta à mesa, deita-se sobre ela.
E se esparrama. E desaba. E deságua... é nascente
[dos olhos].
Chuva tão quieta!
Veio de mansinho. Me assustou.
Cedo irrompeu a cair; desatando as nuvens, torcidas até secar – não houve uma gota salva.
Nada.
Sempre caindo, a chuva, a chiar!
...
E é lá fora, ou aqui dentro, que uma de nós está...
...em queda livre,
despencando c
é
u
abaixo.
a.mei.
se eu te pedisse
a voz, a lançar-se
rio adentro
a tomar-me
em silêncio
e fazer-nos
embaraços
se eu pedisse
uma só palavra
a contar o
que se abre
a cantar o
que me rasga
a tecer-nos
véus de graça
se eu pedisse
o céu que fosse
se eu pedisse
o morrer, hoje
darias-me tu
o amanhecer?
a.mei
Boa noite,
ou deveria dizer boa madrugada? O relógio, adiantado, já marca 01:56.
O dia passou como um vento, e a gente mal se falou. Queria saber mais sobre você, sobre o que te ocupa e o que te preenche.
O que lhe toma o pensamento?
Ando curiosa. Você não se abre. As vezes parece me querer perto, outras nem aparece.
Você é lindo, sabia? Sempre te achei bonito.
Seu rosto. Seu olhar. Seu jeito de andar e seu jeito de ser. A forma como fala. Eu poderia gastar toda a minha vida te olhando. Te gravando os detalhes.
Será que um dia farei parte deles?
[Dos teus detalhes]
Num sorriso, ou olhar. num suor ou em algum sentir[?]
Queria poder te contar tudo que sinto.
Olhar nos teus olhos. Bem de perto. Beijar teus cílios. E conversar sobre sentimentos como se falasse sobre o céu, sobre a chuva que cai.
Queria te escorrer o corpo.
Te ligar a qualquer hora.
Te fazer barulho.
Ser silêncio pra você.
Queria tudo. Contigo.
[Boa noite, meu amor.]
Tive um dia frio de tanta saudade.
hoje a casa era só cheiro de chocolate e bolo. sentei no chão, de frente para a janela, à sombra do dia que já se cansava, e fiquei ali, eu, sentindo você a me fazer companhia cada vez que escapava, feito brisa, do forno e me fazia dançar o olfato.
fiquei sentada, embalada nessa valsa a um, até sentir que algo queimava — o bolo, claro. nunca fui boa com essas coisas de cozinha, você sabe. mas, para a minha alegria, apenas cheirava a queimado, não o estava, de fato. pelo menos não por completo. quer dizer, alguma coisa ainda podia ser salva.
podia?
de qualquer forma, desisti do bolo; não o comeria sozinha. não à tarde. não à janela. não com a chuva querendo se precipitar. há você demais, nisso.
em mim.
então passei um café. sentei sobre a mesa. abri o sutiã por dentro da blusa (não me lembrando nem o porquê de tê-lo colocado). observei a torneira pingando e pingando, e fiz uma nota mental de pedir a alguém para dar uma olhada o mais rápido possível. e em tudo isso, agora, era só eu — e um pouquinho de melancolia, tristeza e, talvez, saudades. mas era eu, só.
só eu.
ainda vai demorar um pouco até que eu me acostume a falar de você à parte de mim. tanto quanto as noites de inverno, ou o sol que há horas declina mas ainda não se pôs. porque leva tempo, sim. mas o tempo leva, não?
"há alguma coisa que você queria ter dito mas não o fez?", minha analista perguntou, certa vez, e me veio na cabeça a cena do último minuto que dividimos esse mesmo espaço, essa mesma casa; do desespero que me encheu a garganta, me deixando sem ar, sem voz; do último minuto em que tudo poderia ter sido diferente se eu tivesse implorado, como em todas as demais vezes, mas não o fiz. é que eu já não podia mais.
e, assim, você se foi.
saiu batendo a porta, que ressoou feito bomba explodindo contra as paredes, subiu a passos pesados pelas escadas, sacodiu os lençóis da nossa cama, fez tremer o telhado como um trovão acompanhado de raio, mas que não foi capaz de quebrar o silêncio absoluto que ficou comigo na cozinha, onde me deixou.
"e então?", ela me encorajou novamente. olhei pela janela e havia uma árvore, cruzando a rua, que aproveitava a manhã brilhante para mais um ciclo de fotossíntese.
"fica", respondi. o sol atravessou a janela e deitou-se às minhas mãos trêmulas no colo.
fica... foi tudo o que eu não disse.
confesso que ainda me pergunto se teria sido, mesmo, diferente — você, o digo. se tivesse ficado, teria realmente mudado, como o disse que faria ainda que pela quarta vez?
só que, pensando bem, talvez tenha sido melhor assim. porque a verdade é que já havíamos passado do ponto.
nós estivemos queimando todo esse tempo. ardemos, chegando ao ponto de doer tanto que sequer sentíamos, e, quando percebemos, já não mais podíamos salvar-nos.
nós não éramos mais nós. 'eu' e 'você' não somava, só diminuía.
diminuía.
e continuamos a diminuir até não nos lembrarmos nem do por que, um dia, termos sido um. termos sido algo.
e, agora, sentada aqui sobre à mesa, com uma xícara na mão e lágrimas nos olhos, tudo o que sei é que essa é única coisa que sabemos ser, hoje:
fim.
a.mei.
estou aqui,
você,
não sei.
não o posso ver
da minha janela,
por que te escondes?
a noite vem e não
te encontro,
vai tão longe!
amor, já não o alcanço,
estais aonde?
a.mei
esquecimento
nesse dia de chuva, lembrei de ti
(chove aí?)
há um frio em mim, desde aquele ~nosso~ dia
já são vinte e seis anos e ainda não sei dizer adeus
ainda espero que você chegue, porta-a-dentro
sem licença, sem desculpas, sem receio
me abrace.
me aqueça.
me entrelace.
dedos. vida. e.
amor.
somos metades de um mesmo sonho, procurando fazer sentido.
nós
amarrando nossas vidas.
nós
[salvando-nos da queda?]
te [d]escrevo
a m o r
eu, à janela, antesagoradepois —
à janela, eu, a esperar
o que vem há tanto,
há pouco,
nunca...
a esperar, eu!, tu
que não vem.
foi-sim.
tua mão ao sol, eu vi.
teu braço, vi, junto a ela —
tu, ela;
e a mão a intimidar o sol.
Vamos dançar
Qualquer coisa é melhor
Que tristeza, por favor
Se esqueça.
Laiá Laiá | Cícero
isto: nada; senão, talvez, acidente que não aconteceu. estrela morta que não explodiu.