O caminhoneiro, o estresse, e as estratégias de coping
Cada vez mais ouvimos as pessoas super atarefadas e sobrecarregadas reclamarem de estresse. O que muita gente não sabe é que o estresse pode favorecer a saúde. Mas, afinal de contas, o que é estresse?
Segundo Abreu e Oliveira (2014) o estresse não pode ser considerado uma doença. Na verdade, o estresse é uma resposta de defesa do organismo que sinaliza o perigo de adoecimento. Então, na medida em que funciona como um “alarme” para que o indivíduo mude hábitos, crenças e/ou comportamentos que estejam agredindo seu corpo, o estresse é considerado inclusive benéfico à saúde!
Achou estranho? Explicamos.
O estresse geralmente aparece em contextos que exigem do indivíduo alguma mudança, algum esforço adaptativo. Sempre que essa mudança ou adaptação ocorrem relativamente rápido, os sintomas do estresse (que durante o processo adaptativo mantêm-se em estágios iniciais) somem e não há danos a saúde. Sim, nosso organismo tem certo índice de resiliência, que nos permite experimentar e suportar por algum tempo níveis medianos de cansaço e mal estar, sem que isso comprometa a saúde geral do indivíduo de maneira permanente. Cessando-se as condições insalubres, os sintomas desaparecem e o bem-estar é retomado. O problema aparece quando, por algum motivo, os limites dos primeiros estágios do estresse não são detectados ou respeitados, e as circunstâncias insalubres tornam-se constantes. Aí, os problemas de saúde importantes podem surgir e estabelecerem-se de maneira crônica. A situação passa a ser preocupante porque reduz drasticamente a qualidade de vida do indivíduo ou, mais grave ainda, passa a colocar sua vida em risco.
No geral, contextos de trabalho são comumente geradores de necessidades adaptativas aos seres humanos. Conforme Abreu e Oliveira (2014), a rotina dos caminhoneiros brasileiros frequentemente envolve situações de alto nível de geração de estresse: carga horária de trabalho excessiva, sono insuficiente e de baixa qualidade, prazos apertados de entrega de carga, alimentação inadequada, privação estendida da convivência familiar, preocupações financeiras, exposições a perigos relacionados às condições das estradas e à falta de segurança.
Em situações de estresse em caminhoneiros, os sintomas representarão grande perda de qualidade de vida, e podem ser físicos (distúrbios do sono, dores de cabeça,rouquidão, pigarro, tosse, problemas de audição, arritmias cardíacas, tremores, hipertensão, diarréias, reações alérgicas, indigestão, sobrepeso, dores lombares e musculares, varizes, hérnia de disco, hemorróidas...), cognitivos (dificuldades de concentração e atenção seletiva, falha de memória, falha no processamento de informações, compreensão e execução de mais de um comando, dificuldade de localização, déficit na autoconsciência, confusão mental...), comportamentais (gagueira, tiques nervosos, agressividade, irritabilidade, passividade, usos abusivos de álcool e medicamentos...), e/ou psicológicos (ansiedade, angústia, tristeza, depressão...).
Buscando amenizar os sintomas, é frequente os caminhoneiros lançarem mão de estratégias para manter ou aumentar sua produtividade de trabalho, mas que na verdade poderão agravar os problemas e os quadros de estresse, como o uso indiscriminado de medicamentos que tiram o sono e o apetite, por exemplo.
Ok, e então?
Quando as pressões acumulam-se e os sintomas aparecem, como o caminhoneiro poderá lidar de maneira mais saudável com o estresse de sua rotina? Atualmente, as estratégias de coping são consideradas uma boa saída.
No próximo post desenvolveremos melhor esta ideia!
Referencias
ABREU, Juliana Andrade de; OLIVEIRA, Valéria Marques de. Como reduzir e administrar o estresse em caminhoneiros. 2014. Disponível em: <http://www.psicopedagogia.com.br/new1_artigo.asp?entrID=1740#.VVy39blVikp. Acesso em 09/06/2015.














