henrymagnas:
Henry não tinha parado de enviar cartas porque quisera. Apenas não parecia certo. Mesmo durante os seus noivados, que foram breves, ele manteve a correspondência, com menos frequência. Se tivesse se casado, ele sabia que também teria parado. Era uma questão de respeito com sei parceiro. O conteúdo das cartas era inocente, mas a intenção fugia disso. Não era de todo inocente trocar cartas com uma amante antiga e se Freya não pudesse compreender aquilo, não teria nada que ele pudesse falar em sua defesa. “Tudo bem, então── eu me importo,” admitiu. Henry já não tinha exatamente uma reputação estelar na sua vida amorosa. Ele não podia reclamar, visto que ele tinha contribuído de diversas formas para isso. Não queria dizer que ele queria fomentar os rumores. Só porque ele nunca ligou de abafá-los, não era porque ele gostava de estar na boca do povo. “Mas você não precisava estar sozinha. Você podia ter falado com suas irmãs, com Allura…” Devaneou, tentando encontrar as nobres que fossem próximas de sua idade nas quais Ariel pudesse ter formado uma amizade. Talvez a verdade fosse que Ariel também não era boa em fazer amigos, por mais que parecesse ser extrovertida. Poderia estar completamente enganado e que ela tivesse uma melhor amiga ali que ele desconhecia, mas pelo que notava, ela não estava ganhando nenhum concurso de popularidade. “Escolhemos estar sozinhos,” ele disse, falando também dele mesmo. Não sabia se realmente era verdade para Ariel, mas ele achava que sim. Nennhum deles era realmente sozinho, mas algum deles escolheram se isolar mais do que outros. Ele seria o primeiro culpado de não se abrir, nem mesmo com os seus amigos. Henry estava acostumado a carregar o seu fardo sozinho. E, pelas palavras dela, não era o único. Ele não podia força-la a reconhecer as suas falhas, mas ele podia ver o reflexo das dele nela como cristal.
Assentiu levemente já que tinha seu rosto ainda colado ao dele. Sentia como se ela e Henry estivessem fora de sintonia, ou talvez houvessem muitos obstáculos entre eles. Era como se eles estivessem se afastando cada vez mais ao inves de recuperarem o tempo perdido, ou a amizade perdida. — Está bem. Eu entendo. - Ela falou, pois afinal entendia. Não era como se ela estivesse cobrando-o por ter parado de lhe escrever, mesmo que fosse aquilo que parecesse, ela só queria entender o porquê. Mais e mais Freya começava a se arrepender de muitas decisões que havia tomado para sua vida. Se arrependia de ter feito tudo o que o pai queria, se arrependia de ter se afastado de sua família por se sentir sufocada, se arrependia de ter sido chantageada para colocar um fim no que tinha com Henry, mesmo que não tivessem nada. Ela, que sempre achara que estava maipulando os outros, percebia mais e mais que ela era quem havia sido manipulada este tempo todo. — Eu o fiz. - Pois sim, ela havia trocado várias cartas com Allura, visitado a princesa em várias ocasiões, assim como havia mandado cartas para os irmãos assim como havia visitado-os, tendo recebido de volta cartas apenas de Maximus e Valentina. Mas não era o mesmo e provavelmente Henry nunca entenderia, ou pelo menos era o que ele deixava transparecer em suas respostas. — Sim, eu sei. - Ela limitou-se a dizer, não vendo o ponto de continuar com aquela conversa. Ariel sabia escolher suas batalhas e aquela era uma que ela sabia que perderia, afinal, sua solidão era inteiramente sua culpa. Piscou algumas vezes, tentando impedir as lágrimas de cairem por seus olhos e foi então que notou que as pessoas ao redor deles dançavam de forma mais animada, a música já não era uma valsa lenta, mas eles, por algum motivo continuavam com o mesmo passo calmo. — Estamos fora do ritmo. - Ela afastou apenas a cabeça, para olha-lo nos olhos, dando um pequeno sorriso tímido. — Creio que esteja livre de suas obrigações, sir. - Ela brincou, afinal ele havia dito que não queria dançar, certo?














