Em um momento, tudo estava bem. No outro, completo caos. Os dragões começaram a sobrevoar o lugar e a cidade, pousando no chão, cuspindo fogo e levando caos para todas as partes. Rapidamente, pânico e desespero tomaram conta de todos os presentes. Mahika, que estava em um banheiro no segundo andar do hotel, apenas ouviu gritos antes de realmente se dar conta do que estava acontecendo. Primeiro, achou que fosse apenas uma impressão ruim. Mas quando os gritos se intensificaram, ela abriu a porta, vendo pessoas correndo de forma desesperada de um lado para o outro. “Mas que confusão!” pensou Reyansh, mas a princesa sabia que era mais do que isso. Conseguiu ouvir um silvo, um guinchado que só poderia pertencer a criaturas malignas. O barulho de destruição e dor só implicava que alguma coisa estava bem errado. De um lado, as chamas começaram a lamber o chão e o teto do corredor.
“Não. Aquela era a saída” choramingou para o daemon enquanto andava apressadamente na direção contrária. Mas embora o fogo não estivesse consumindo o andar por completo, havia muita fumaça. Decidiu se transformar em diamante, assim evitando respirar e consumir o ar tóxico. Assim também era imune ao fogo. Porém, mesmo assim ainda era difícil ver sequer um palmo a sua frente, por isso que quando esbarrou em alguém, não conseguiu identificar de primeiro quem era. Apenas de que ela estava ao lado de uma porta, por debaixo de onde saia muita fumaça e o pior: muitos gritos. Haviam pessoas naquele local, provavelmente presas. Mesmo na forma mais resistente, um tremor percorreu o corpo de Mahika.
Era o primeiro dia de férias e Mahika estava animada. Havia acabado de completar a idade de quinze anos e no mesmo Reyansh tomara a forma de um majestoso lince euroasiático. A maharajkumari tinha certeza de que aquela seria a figura final dele, afinal era belo e elegante e achava que combinava perfeitamente com ela. E com ele. Nenhuma outra forma havia se adequado tanto a simpática personalidade do daemon.
tw: assédio sexual, machismo.
Era o início da manhã ainda e Mahika brincada com Reyansh, correndo de um lado para o outro no grande quarto. O sol se infiltrava pelas grandes cortinas douradas e lançava um brilho mágico em todas as pedras espalhadas pelo lugar. Ora, Mahika era uma fortunada. Não bastava ser membro de um poderoso Império, carregar a coragem e a nobreza em seu sangue e sobrenome, também havia sido abençoada com uma patrona que lhe garantia riqueza. Não por sua família, não pelo seu sangue, mas era rica por ser quem era, a magia correndo nas pontas de seus dedos. Era exatamente por esse conjunto de beleza, sangue e poder que Mahika tornava-se a noiva mais desejável do Império e talvez até mesmo da Ásia. Atrás apenas de sua irmã mais velha, claro. Sentia sempre um passo atrás da mais velha.
Uma batida na porta fez com que a garota e o lince parassem de pular na cama. “Entre!” Exclamou para um criado, que logo reconheceu como um lacaio do pai. “O Senhor deseja vê-la em meia hora.” Proferiu, sem seguida fazendo uma reverência e retirando-se em seguida. “Pelos deuses, Reyansh! Como vou me arrumar em meia hora? É a primeira vez que o vejo em meses, preciso estar apresentável!” Mahika correu para seu armário, jogando as peças de um lado para o outro. Então se irritou por estar fazendo aquilo sozinha. Colocou a cabeça para fora da porta e bastou um grito até que duas mulheres praticamente se materializassem ali. “Eu quero meu lehenga azul!” Falou, sentando-se na cama e fazendo carinho do daemon enquanto as mulheres procuravam pela roupa. Você é mesmo uma folgada. Resmungou Reyansh. Naquele momento Mahika não importou-se em sentir um pouco de dor ao puxar a orelha do daemon. “Eu não te perguntei nada, Reyansh, não perguntei nada.”
Exatos vinte e oito minutos depois estava pronta, vestindo um lehenga azul e prata, os cabelos longos caindo pelas costas em ondas e várias jóias a adornando. Queria mostrar ao pai como tinha crescido, como estava bonita e como era rica por si mesma. Queria que se orgulhasse dela. Queria que ele a olhasse da forma olhava para Lakshmi. Podia sentir as vibrações de consternação vindos de Reyansh, mas queria ignorar. Não queria estragar seu humor com as lições de moral do lince.
Estava de frente a uma das salas do pai. Era uma sala não usual, no térreo, com portas amplas que davam para os jardins. Não fazia ideia do que o pai queria, mas assim que as portas se abriram, ela entendeu. Fora a primeira vez que entendeu uma situação de imediato, sem que palavras precisassem ser emitidas. Foi a primeira vez que aconteceu uma situação daquelas também.
Dois homens estavam de pé na sala iluminada. Um era o poderoso Raj II. Os cabelos escuros possuíam alguns fios brancos, mas ainda assim ele emitia uma áurea de poder que fazia com que Mahika sentisse a necessidade de reverenciá-lo. Seu daemon, um enorme tigre, estava ao seu lado. Do lado oposto a Raj estava um homem que Mahika não conhecia. Parecia ter a idade do pai, talvez um pouco mais novo e penetrantes olhos verdes. O daemon, uma pantera negra, analisava a maharajkumari com os mesmos intensos olhos verdes. Um formigamento tomava conta do corpo da garota, que ainda não sabia nomear as emoções conflitantes que passeavam pelo seu corpo. “Não gosto disso.” Reyansh anunciou. Podiam não se dar muito bem e se alfinetarem a maior parte do tempo, contudo Mahika confiava cegamente no lince. Se ele não se sentia confortável, ela também não.
“Mahika, minha pérola. Minha pryia*. Meri jaan*.” Ele se aproximou e a princesa logo abaixou para tocar-lhe os pés, demonstrando respeito. Quando ela se levantou, o soberano apenas passou um dedo por sua bochecha. Não era o suficiente para acalmar a saudade que sentia, mas não queria ser mau educada na frente de um estranho. O Imperador pôs um braço de leve nas costas da filha, de forma a impulsioná-la para frente até que estivesse próxima ao outro homem. “Quero apresentar-lhe à Satwik Pachineela, ele é o novo Peshwa que eu escolhi. Ele é filho da segunda família mais rica do Império, além de muito influente. Satwik é estimado por mim.” Proferiu e o homem direcionou um sorriso a princesa, seguido de uma rápida reverência. Mahika sentiu-se um pouco mais calma, afinal se o homem era querido por seu pai, era querido para ela também. “Você já é uma mulher agora. Está na hora de casar-se.” Raj II comunicou, a voz séria, sem deixar brechas para que a garota falasse. Mahika estava assustada, assim como Reyansh. “Satwik é seu noivo.” O soberano afirmou, o tom orgulhoso. “Como irão se casar em breve, irei deixá-los a sós por um breve momento.” E saiu da sala.
Mahika podia não se interessar por política, mas era inteligente o suficiente para saber o que estava se passando. A família Pachineela tinha muitas terras e ficava atrás apenas da família real em questão de poder. Pior, eles estavam na linha de sucessão ao trono também, ficando apenas após a atual família reinante. Raj II queria que Satwik fosse o próximo Maharaj. E que Mahika fosse sua esposa. Com o enlace das duas famílias, a Índia se tornaria ainda mais forte e próspera. Contudo, ainda não se sentia pronta para se casar. Não sentia-se como uma mulher.
O homem ofereceu um braço para Mahika. “Ouvi dizer que as flores estão desabrochando e o cheiro é incrível. Vamos passear.” Ele não esperou pela resposta, tomando o braço da princesa no seu, com uma proximidade que era incômoda. “Mahika, não é uma boa ideia. Mahika, não é uma boa ideia.” A voz de Reyansh soava como um alarme. “O daemon dele não é bom. Você precisa ouvir as barbaridades que ele está dizendo ao seu respeito! Ora, melhor que não ouça. Mahika, não é uma boa ideia. Não é uma boa ideia, Mahika”. Ela tentou ignorar o lince e focar no homem ao seu lado. Cabelos escuros. Olhos verdes. Bom porte físico. Mas algumas cicatrizes, nas mãos e no pescoço, o que conferia a ele um ar de perigo. Era até um pouco atraente. Poderia ser um bom marido? O pai havia escolhido, então a resposta deveria ser óbvia. O pai nunca escolheria algo ruim, certo? Então porque sentia um aperto em seu âmago? Por que Reyansh estava tão inquieto? A voz do homem ao seu lado a distraiu. “Tenho estado sozinho por anos. Minha última esposa fugiu com outro homem. Temo que ela não aguente um homem de fibra e preferiu um fracote. Por sorte os peguei. Arranquei o couro do desgraçado na frente dela.” Ele riu enquanto a mahrajkumari sentia seu estômago embrulhar. “Não se preocupe, não os matei.” Assegurou Satwik. “Arranquei os olhos dela e as mãos dele e os mandei para viver na fronteira. A morte seria uma solução rápida demais… Ouch, estou te assustando, princesa? Peço-lhe seu perdão.” Não parecia sincero em suas palavras, mas Mahika assentiu, porque suas pernas tremiam de medo e seu coração batia desesperadamente. Nunca tinha estado tão próxima de um homem que não era seu pai. Nunca tinha sentido medo de um homem.
“Olhe, uma rosa!” Enunciou apontando para uma flor, tentando deixar o clima mais leve. Mas não adiantou. A mão do Peshwa saiu do braço da garota, indo até a cintura, em um gesto íntimo demais que ela não apreciou. Tentou se afastar, mas ele era mais forte. Vendo isso, Reyansh começou a emitir um ruído ameaçador, seguido pelo daemon de Satwik. O ar parecia estar até mais gelado. “Não tente fugir de mim.” O homem falou baixo, o que causou arrepios em Mahika. Ela sentia-se incapaz de se mexer, presa como um animal indefeso. A mão dele abaixou até suas nádegas, apertando com força. Mahika queria gritar. Estava assustada. As pernas trêmulas, o coração acelerado. Rezava para que Radha mandasse um raio para a cabeça daquele ser repugnante. “Você vai ser minha. Vai ser minha esposa e minha porta de entrada para a realeza. Você me dá prazer e riquezas. Eu preferia a mais velha, mas você é tola. É perfeita. exatamente como o imperador disse.” Enquanto falava isso, uma outra mão subiu até um de seus seios. Neste momento, Reyansh, que tentava se controlar, atacou o daemon de Satwik. Foi o necessário para Mahika acordar e empurrá-lo para longe. Os daemons brigavam e a princesa sentia a dor dos ferimentos sofridos por Reyansh, mas aquilo não era nada comparado a dor e a vergonha que sentia. Satwik a empurrou para o chão e no instante seguinte estava em cima dela. Rápida, conseguiu transforma-se em metade diamante e metade rubi, se tornando dura e resistente. Satwik não podia tentar nada com Mahika naquela forma. Aproveitando sua vantagem, ela começou a gritar.
Mas seus poderes estavam vacilando. Não conseguia se manter concentrada porque sabia que Reyansh corria perigo. “Guardas! Guardas!” Continuava a gritar, até que segundos depois eles apareceram. Mesmo assim, hesitaram. “Não se intrometam!” Bradou o Peshwa, usando os mãos para segurar os braços de Mahika. Eles ainda estavam parados. “Lhex darei ouro pela vida inteira!” Gritou, uma última tentativa que funcionou. A ambição superava o poder. Os homens puxaram Satwik, de maneira gentil até demais e o acompanharam para dentro. O daemon foi atrás, enquanto Mahika ainda estava no chão, sentido as lágrimas em seus olhos. Queria chorar por ter sido usada como mercadoria. Queria chorar pela humilhação, pelos guardas não terem a ajudado de primeira. Queria chorar porque seus braços estavam arranhados, porque Reyansh também estava ferado.
O daemon se aproximou dela e deixou a cabeça em sua barriga. A presença dele a acalmava. Mahika colocou a mão em na cabeça dele e se permitiu chorar. Porque estava envergonhada, humilhada, com medo, sentimentos que em sua percepção, uma princesa jamais deveria sentir. O pai estava errado. Satwik tinha engado o imperador. O pai havia dito que ela era perfeita, mas o homem interpretou errado. Mahika falaria com seu pai e o faria demitir o Peshwa. Era um maluco que precisava ser mantido longe de todas as pessoas pela segurança geral, principalmente das mulheres.
Mahika sentia seu coração e corpo doerem. Mas Reyansh estava ali com ela. Havia defendido-a. Era implicante, moralista e as vezes até meio arrogante. Mas estava ao seu lado e sempre estaria. Mahika sabia que nunca estaria sozinha. O mundo poderia virar-lhe as costas, mas Reyansh sempre estaria ao seu lado. E por essa percepção, foi capaz de sorrir em meio as lágrimas que teimavam em cair. Sempre estaremos juntos e sempre iremos proteger um ao outro. Os dois disseram ao mesmo tempo em uníssono, enquanto compartilhavam a dor e a alegria de se terem.
Na opinião de Mahika, a festa estava terrivelmente entediante. Isto era porque não importava o quanto tempo passasse em terras ocidentais, sempre iria preferir as festas indianas. Eram muito mais coloridas, animadas e dançantes. “Argh”. Proferiu ao ouvi a música que estava tocando, algo que parecia tremendamente sem graça e impossível de dançar. Comida e bebidas eram boas, mas nada que se comparasse a Índia. Suspirou, percebendo que sentia falta de seu país, seu idioma, suas músicas e comidas, além de principalmente, sua família. Trocava cartas constantemente com a mãe e o pai, embora com mais frequência, o pai. Reconhecia todos os defeitos do homem, mas não podia deixar de sentir-se encantada por ele. Amava o pais acima de qualquer outra pessoa.
Coincidentemente, percebeu Lakshmi em seu campo de visão. Seria impossível não percebê-la com aquele lehenga vermelho. “Sempre querendo chamar atenção.” Mahika proferiu, em seguida ouvindo Reyansh murmurar alguma coisa, provavelmente uma repressão. Não hesitou em se aproximar da irmã mais velha e oferecer um sorriso forçado. “Laksh!” exclamou de forma exagerada, como se estivesse surpresa com a presença dela ali. “Recebi hoje uma carta de nosso pai. Ele disse que você não o responde. Também me encontrou outro pretendente... Nosso soberano não me deixa em paz quanto a isso.”
O inglês carregava o daemon em seu colo; uma lebre de pelagem acinzentada e bem macia adornada com uma sofisticada coroa de flores brancas, feita sob medida para acompanhar o scion na evento de grande notoriedade. Clifford desfilava entre os convidados, atraindo alguns olhares debochados e críticos ou olhares encantados para a bola de pêlos cinzas; mas ele, de fato, não se importava quando caçoavam pela forma final de seu daemon, preferia focar apenas naqueles que simpatizavam-se com o animal. — É uma pena que não seja possível que acariciem meu daemon sem que isso pareça estranho. Não saberão o quanto a pelagem de Cora é gostosa. — deu de ombros com sua frase quase que imodesta. — Nós dois temos muito em comum; espero que tenha entendido.
“Pelos deuses, o que esta rapaz está dizendo?” as súbitas palavras de Reyansh chamaram a atenção de Mahika, que apreciava um bolinho. Reyansh comentava a festa, distribuindo elogios para todos, mas as palavras um pouco mais ásperas surpreenderam o daemon. “O que houve?” Indagou a indiana, deixando que uma risada escapasse quando o lince repetiu o que havia ouvido. “Isso é tão... Inadequado!” Ela riu e então avistou aquele que havia proferido tal barbaridade. O conhecia de vista e argh, era inglês. “Ora, com certeza eu acariciaria seu daemon seu eu tivesse a oportunidade. Já que não posso, devo acariciá-lo, então? Sua colocação me faz supor que sua pelagem seja tão gostosa quanto a dela.” Mahika terminou com uma risadinha enquanto Reyansh bufava. “Não acredito no que estou ouvindo! Oh, como eu gostaria de poder me afastar de você. Sinto-me tão envergonhado!” reclamou ele.
Quem visse Misaki no vestido todo feito especialmente para ela, arrumada como uma verdadeira princesa, nunca imaginaria que ela estava quase correndo de um dos guardas da festa que se coçava por conta do pó de mico colocado em suas vestes e por isso a japonesa acabou batendo em alguém durante a volta que deu na pista de dança para poder sumir um pouco de vista. - Kuso*! Me desculpe, eu não te vi. Eu te sujei?- perguntou em tom preocupado embora olhasse para os lados brevemente. - Desculpe mesmo! Você está incrivelmente bonitx! - voltou a atenção para a pessoa, dando um sorrisinho para poder amenizar o que tinha feito antes.
“ Arey, kya?* ” Mahika quase gritou, surpresa, quando sua taça foi ao chão. Se voltou brava para a pessoa a vítima, dando de cara com a princesa do Japão. Ela suspirou. Por pouco quase tinha sujado seu lehenga caríssimo, feito especialmente para a ocasião. “Você quase me sujou!” Brandou, irritada. “Você é uma adulta, para que está correndo assim por aí? Poderia causar um acide...” Parou subitamente, se dando conta do quanto lembrava sua mãe. Respirou fundo rapidamente e sorriu. “Se você está fugindo de algo, correr irá apenas te denunciar. Obrigada pelo elogio, eu estou sempre incrivelmente bonita.” Ela ignorou a meia bufada, meio risada soltada por Reyansh.
Vestir-se em terno e gravata ainda era peculiar para Ishmael. Dizer que não estava acostumado a esse tipo de evento seria um gigantesco eufemismo; a verdade é que jamais imaginara que um dia colocaria os pés em algum, e lembrava-se de referir-se a aristocracia que os frequentava com sarcasmo. Claro que ele jamais teria escolhido o terno que vestia; sinceramente, se dependesse do ex pirata, estaria enfiado em roupas simples e antigas, como as usuais camisas de algodão que costumava usar, e com o crucifixo prateado pendurado no pescoço. Eram velhas e desbotadas, mas confortáveis, ao contrário do terno que Verena Brunelleschi havia feito Vlahakis vestir. Bem, não era sua intenção reclamar. Uma hora se acostumaria a situação como um todo, ou pelo menos, assim esperava. Não demorou para encontrar o balcão onde estavam servindo bebidas, e os olhos azuis esverdeado percorreram as ofertas. Champagne, vinho branco, vermelho… “ ––– Aqui não tem cerveja? Ou rum?”
Mahika sentiu sua face se contrair em uma expressão de aversão. Não acreditava que estava ouvindo aquelas palavras, por isso virou-se na direção da voz, dando de cara com um rapaz vestido de forma bastante elegante e que definitivamente não tinha a cara de quem se contentava com cerveja ou ruim. “Por que cerveja ou rum?” Se aproximou, sem vergonha alguma, indagando como se a preferência do homem fosse um tanto repugnante. “Você tem várias boas opções... Não estamos em um bar de esquina, sabe.” Falou, pegando uma taça de vinho branco do garçom que passava. Não era tão bom quanto feni, mas ainda assim bastante agradável. “Mahika, você pode acabar soando ofensiva”, alertou Reyansh, fazendo com que a princesa tentasse ser mais suave. “De qualquer forma, acho que não tem cerveja ou rum por aqui. Talvez haja na cidade.”
“O que acha, Guaraci? Essa ficou boa?” perguntou, abaixando-se na altura da onça para que ele pudesse ver a foto que ela mostrava no celular. ‘Eu gostei, acho que talvez a fenda do vestido mostrou coisa a mais, mas vindo de você tá até bem aceitável.’ a onça disse. As vezes Mariana ficava um pouco surpresa com o tanto que Guaraci era sincero algumas vezes. “Okay… obrigada pela opinião.” levantou-se, voltando a mexer no celular conforme andava pelo salão, já o erguendo em direção ao seu rosto conforme ia gravando os vídeos rápidos dos stories do Instagram, mostrando as pessoas e falando sobre o jantar. Guaraci a guiava em meio as pessoas já que a princesa não estava prestando atenção no caminho. “… eu diria que a festa maravilhosa, dá até vontade de convidar quem arrumou isso tudo para um chá. Você também não acha…” Mariana olhou para os lados, procurando a primeira pessoa que viu, a arrastando para frente de sua câmera no celular. “… amigx? Olha quem eu encontrei por aqui, felizmente maravilhosx como sempre. Manda um oi pro Brasil!”
“Eu juro, nunca vou entender porque você tem sotaque inglês.” Mahika proferia em tom acusatório para Reyansh. “É sério, você faz isso para implicar comigo?” Seu tom era sério, mas o daemon sabia que a scion jamais seria capaz de ficar brava de verdade com ele. “Eu não possuo absolutamente nenhuma ideia do que está falando, milady” disse o lince, requintado demais e soando como um lord britânico, algo que arrepiava todos os cabelos da princesa. Era compreensível o trauma que todos os indianos possuíam do Reino Unido. Estava pronta para dar uma resposta bem mal criada para o daemon quando Mariana se aproximou de repente. “Oi?” Respondeu se surpresa, mas quando percebeu o que ela realmente fazia, fechou a cara. “Ah, não! Por favor, faça outro. Você não pegou meu ângulo bom, por favor. Deixe-me ver, você terá muito mais visualizações se eu estiver bonita, meus seguidores não perdem uma oportunidade de me ver!”
ღ → 💐 [[ YOUR ROYAL HIGHNESS MAHIKA SUHANI, INDIA MAHARAJKUMARI]]
✓ A princesa indiana veste um lehenga floreal nas cores rosa, vermelho e perolado, com detalhes em dourado, tendo um fino véu completando o visual, além das pesadas jóias feitas com as pedras que a própria Mahika produz. Reyansh, o daemon, exibe sua graça natural enquanto caminha ao lado da maharajkumari.