EUA registram mais uma escultura vandalizada
Uma reflexão sobre a arte do escultor
Uma estátua de Cristóvão Colombo foi retirada de um parque da cidade de Chicago, nos Estados Unidos, durante a madrugada de hoje. Após a morte de George Floyd, ela foi uma das estátuas que viraram motivo de depredação. De maio para cá, muitas estátuas em homenagem a nomes ligados ao escravismo e ao colonialismo estão sendo pichadas, desfiguradas, derrubadas ou removidas. Até o momento, tem-se poupado as de músicos, como Dvorak, na República Tcheca, pintores, como Velásquez, Espanha, e poetas, como Schiller, na Alemanha
Bom lembrar este texto de Hegel: “A escultura representa, na forma corporal, o espírito na sua unidade imediata, no mundo de tranquilidade serena e beatífica, ao mesmo tempo que a forma, por sua vez, se acha vivificada pela individualidade espiritual. A forma e o conteúdo são de uma adequação absoluta, nenhum deles sobreleva. A forma determina o conteúdo e o conteúdo determina a forma; é a unidade na sua pura universalidade. Assim, a estátua reproduz a própria figura divina. O Deus imanente a sua expressão exterior, no estado de imóvel tranquilidade, de beatífica serenidade. E, só consigo mesmo apresenta relações, mostra-se como uma espécie de manifestação orgânica. Temos pois, aqui, o conceito encerrado em si próprio, numa relação consigo mesmo que nada tem de aparente.
É assim que os materiais exteriores e sensíveis são objeto de uma elaboração, não enquanto massas pesadas sem outras qualidades além das mecânicas e indiferentes a coloração que se lhes dar, mas enquanto formas ideais da figura humana e na totalidade das suas dimensões especiais. neste aspecto, é preciso reconhecer o mérito da escultura em tecido a primeira arte que serviu para a expressão do mundo interno espiritual no seu repouso eterno e na sua essencial independência. É a figura na sua abstrata especialidade. O espírito representado pela escultura é o espírito que basta a si próprio, que não se dispersa no jogo dos acidentes, dos acasos e das paixões. Coíbe-se a escultura de deixar que a forma exterior se perca na variedade dos acasos e dos acidentes, e este único aspecto ela representa, quer dizer, a esparcialidade abstrata na totalidade das suas dimensões.
O espiritual assimilou completamente, portanto, os seus materiais; a forma tornou-se massa infinita. O Deus interior mergulhou na exterioridade; a exterioridade transfigurou se em Deus, individualizou-se. fora tornou-se dentro, o dentro tornou-se fora. Os materiais já não são indiferentes. E, são, é certo, sensíveis, mas pulos imã no cromos, e a sua particularização não foi acentuada à custa do que a de universal na sua unidade. Qual é o destino da escultura.
Vimos que já na terceira forma de arte, no romantismo, a interioridade, o sujeito, o conteúdo da obra de arte abandona o seu tranquilo silêncio , A sua unidade absoluta com a forma, a sua matéria, a sua representação exterior, para regressar a si mesmo, reintegrando a liberdade à exterioridade que, por sua vez, regressa a si mesma, quebra a união com o conteúdo, torna-se estranha e indiferente”.