Quando os olhos vêem, não existem mentiras que convençam. Electra havia visto, claramente, que aquela arma havia voado da mão do rapaz, e que não havia sido deixada escorregar pelas mãos. Aquele bairro, não era um dos mais perigosos, mas sabia que os bandidos que ali rodeavam não eram principiantes, nunca costumavam á ser. As respostas vindas por parte da morena, e a sua forma de lidar como se nada tivesse acontecido como seus olhos haviam visto, deixavam-a com uma dúvida impregnada na cabeça. E quando ela a questionou sobre o que fariam com a arma, aquilo fez com que se perturbasse, o que ela realmente á visto? Electra detestava se encontrar em dúvida, e questionar o que os seus próprios olhos viam, estava começando a ficar sem paciência consigo mesma. E com a garota.
“Eu sei o que aconteceu. Eu vi, Giny, a arma não caiu das mãos do bandido. Ela voou das mãos dele.” havia sido direta e clara. Ela não envolveria joguinhos, até porque não havia necessidade disso, ela só queria a verdade. O porquê? Ela também não sabia, mas de alguma forma, sentia que se acaso ela dissesse e fosse uma dessas pessoas com super poderes, talvez pudesse á confiar que este também era seu segredo. E assim guardariam juntas. Sem pesar só um dos ombros, mas os dois. Espínola precisava disso; não aguentava mais o peso. Haviam muitas coisas entaladas em sua gargantas, coisas com que, a fizessem desejar o pior para si mesma, e por mais que merecesse, ela não queria. Prosseguiu. “E o mundo estando como está, eu sei que não aconteceu por acaso. O que você fez Giny?” perguntou, buscando a verdade em seus olhos. “O que você é Guinevra?” cruzou seus braços, encarando-a, esperava á verdade vinda dela.
Quando todas as possibilidades de mentira se esvaem, e a única coisa que resta é a honestidade, algo muito errado está acontecendo com a mente de Guinevra. Afinal, sua criação havia sido baseada em mentiras. Aprendera desde cedo que inventar, seja lá o que fosse, era necessário, e, a sinceridade era o último dos recursos. Mas lá estava ela, suando frio e com os punhos fechados, concentrando-se para que suas mandíbulas não entrassem em choque. Não conseguia pensar em nada. O medo havia tomado conta de seu cérebro, fazendo com que não restasse nenhum espaço para a criação de lorotas.
Por fim, resolveu se render a falta de criatividade. Ficar ali parada, no escuro e com um emocional completamente abalado e desdenhando inutilidades, afinal, não adiantaria em nada. Concentrou-se apenas nas palavras ouvidas, que lhe cortavam a alma, faziam-a ficar ainda mais fraca, mais encurralada. Passara tanto tempo se escondendo, controlando todos os instintos e impulsos. E agora, todos estes, ocultados por anos à fio, vinham à tona de uma vez só; e pior, de uma forma nada discreta.
“Eu irei te responder.” Guinevra falou. Não demonstrava raiva, tampouco medo ou nervosismo, parecia apenas arrependida, como uma criança que é levada para o castigo. Seus braços permaneciam cruzados, agora tão fortes, que Giny podia sentir a circulação sanguínea diminuir à partir de seus dorsos. “Podemos entrar?”