A casa tá um caos (eu também) e atitudes precisam ser tomadas, mas sento no chão pra procrastinar tomar coragem, antes de lidar com a bagunça. E falo “coragem”, porque faxina é uma coisa que simplesmente não acaba. Depois que você começa, quanto mais você futuca, mais sujeira você encontra.
Muito bem. Levanto num pulo e boto Afrodhit, da Iza, no último volume. Esperança de não ouvir meus pensamentos (quem sabe, quando a casa estiver limpa, minha cabeça também esteja).
Penso que seria ótimo pagar pra alguém lidar com isso, mas logo mudo de ideia. Mesmo pagando, ninguém faz como eu.
Só eu limpo aquele vinco da máquina de lavar. Só eu lembro do quebrado no rodapé (que tenho pânico de encontrar barata), das quinas de dentro das mesas, dos pés das cadeiras, do arranhador dos gatos, dos buracos das tomadas, de cima do armário do banheiro.
Minha mente tá competindo com o aspirador: quem grita mais alto?
Ninguém tira o botão do ventilador pra limpar embaixo!!!
E, mesmo com tanta dedicação, deixo passar tanta coisa, porque confesso que tem uns lugares que sempre deixo como tá, porque não alcanço ou porque preguiça. “Ai, fica pra próxima”. Mas a próxima nunca chega.
A faxina nunca acaba. Ela te vence.