Pelos deuses! Aquele ali passeando na praia é APOLO? ah, não, é só MAXIMILLIAN LOWELL "MAXWELL" HARRINGTON, um ENFERMEIRO PARAMÉDICO, funcionário do hotel, nos agraciando com sua beleza nos halls do aletheia hotel. as moiras avisaram: mesmo com os VINTE E CINCO anos nesse novo corpo, segue tão PRESTATIVO & SANGUE FRIO quanto na antiguidade.
𝐃𝐈𝐕𝐈𝐍𝐃𝐀𝐃𝐄 : APOLO // Ἀπόλλων: deus do sol, da luz, da música e da poesia. Distante de seu passado, Apolo renasce em um covil que não retém das artes, mas sim da medicina. Maxwell curte música, mas não sabe tocar nada e tampouco tem interesse em algo além disso - é apenas um quê a mais em sua rotina para não ficar tão entediante. Bem como pinturas e outros adendos que puxam o artístico do deus em seus antepassados, este não consegue segurar uma caneta para rabiscar qualquer coisa que seja, e as poucas vezes que tentou fazer sentiu uma dor de cabeça estupenda.
* ⠀𓂃 ☀️ ⠀❪ EXTRASTATS :
𝐃𝐀𝐓𝐀 𝐃𝐄 𝐍𝐀𝐒𝐂𝐈𝐌𝐄𝐍𝐓𝐎 : 24 de abril de 2000;
𝐎𝐑𝐈𝐆𝐄𝐌 : cambridge, inglaterra;
𝐆𝐎𝐒𝐓𝐎𝐒 : rnb, chuva, jogos mobile, a estética dos anos 2000, mochila e calça com muitos bolsos, a cor laranja (na tonalidade de um pôr do sol), outono, felinos, cartas, all star, academia sozinho & praia.
𝐃𝐄𝐒𝐆𝐎𝐒𝐓𝐎𝐒 : barulho em excesso, pessoas gritando, filmes sem final feliz.
tba.
* ⠀𓂃 ☀️ ⠀❪ HEADCANONS :
De problemas financeiros, certamente nenhum Harrington sofreria se dependesse da herança que a família carregaria por anos. Frente a uma rede próspera de painéis solares, foram se consolidando no mercado cada vez mais com o custeio de placas e implementando sua tecnologia avançada para a época. Por ser algo inovador e caro, o mercado de placas solares acabou por ser um dos mais rentáveis e, na sequência, ajudava o meio ambiente por ser uma geração de energia limpa e renovável.
Claro que com o nascimento de Maxwell, as coisas tomariam um rumo bem diferente, só não sabiam qual…
Mimado, rotina recheada de prazeres e vida boa, ele não sabia o que era tristeza, pois, até mesmo a felicidade o dinheiro podia comprar -quem dizia que não, é porque era pobre! Então, não eram só as melhores comidas que provava, as roupas de marca que tinha, as idas à praia no meio do dia para tomar um solzinho e reativar as energias, os professores particulares que contratavam para ensiná-lo, era também sua ambição por herdar um império e criar o seu próprio. Não havia muito trabalho já que tinha tudo nas mãos, mas durante o começo de sua vida adulta, logo após formar-se da escola, Max soube o que era sofrimento.
Em um momento novo de sua vida, soube que deveria estudar enfermagem quando, por infortúnio, antes disso tudo, embebedou-se e sofreu um acidente de carro em um campo isolado, longe de onde morava e também longe do urbano. Sua sorte era que estava próximo de alguns moradores e estes prontamente vieram de seu auxílio, chamando os paramédicos para que o levassem ao hospital mais próximo. Depois disso, festas, bebedeira, os antigos amigos más influências, tudo isso pôs para trás para iniciar os estudos.
Longe dos parâmetros profissionais dos Harrington, ele decidiu que faria o bem para outrem bem como haviam feito a ele, e nesse lapso de trauma, Maxwell quis fornecer bem-estar para aqueles que pudesse, tornando-se alguém alerta e distante agora daquela realidade que outrora vivenciou.
[ … ]
Poucos anos depois de formado, o jovem que já havia iniciado sua profissão decidiu para onde os mares o levariam dessa vez, visando por uma oportunidade de emprego muito promissora no país vizinho de mesmo continente. A jornada para um outro local longe de sua família foi previamente planejada, pois, de acordo com Maxwell: "eles estavam ficando um pouco folgados demais e apesar de querer usurpar a herança, também pretendo criar uma própria", como tudo fora planejado desde o início.
E lá estava na Grécia, almejando por repassar seu dom de curar os enfermos a fim de buscar por um capítulo na sua história onde ele mesmo traçasse tudo sozinho - ainda que com um pequeno auxílio do bolso de seus pais, mas isso ninguém precisava saber…
“eu não fazia ideia de que havia sido arrastado para cá novamente.” a voz calma, ligeiramente divertida, enquanto ezra se aproximava com duas xícaras de chá. seriam bons britânicos, ao menos por algumas horas daquela pequena tarde. era bom, propício, pois fazia tempo desde a última conversa com max. ela não gostava de admitir, mas havia uma espécie de zelo discreto, vigilante, como se sentisse que precisava manter-se próxima o bastante para ampará-lo caso algo desandasse. um impulso que talvez estivesse mais sensível agora, contaminado pela gravidez, ou talvez fosse apenas o resultado natural de um afeto antigo. sentou-se, e indicou a poltrona à frente com um leve movimento de cabeça. “faz considerável tempo desde que nos falamos, também… então… atualizações?” pergunta sem cobrança, aberta. não era enclausuramento, era espaço, oferecido por olhos bem atentos e talvez... talvez só um pouquinho inquisidores. observadora não apenas ao que ele diria, mas a tudo o que poderia ficar suspenso entre uma palavra e outra.
Para seguir com sua vida em paz, às vezes era preciso que amparasse sua curiosidade em determinado momento. Não costumava ser intrometido nas questões familiares, até porque, para falar a verdade, nunca fora incluído em certos momentos. Aquilo o incomodava. Mais do que isso: Ezra ser próxima de sua família também o incomodava, pois, é claro, sua língua e mente astuta não era capaz de processar que precisava manter as duas coisas separadas; profissional e pessoal.
Antes que pudesse respondê-la, Max se acomodou na poltrona e tomou a xícara em mãos. Nada como um gostinho de casa para se sentir confortável outra vez! "Contra minha vontade, mas, sim, fui." Inoportuno, porém, mantendo a veracidade de suas palavras. Não sabia se ela poderia dizer o mesmo, mas, talvez, focar na conversa fosse o ideal para descobrir. "E pra ser sincero eu sentia bem mais falta de ficar aqui do que de estar por lá. É cansativo socializar com alguns tios sem graça, às vezes." Bebericou só um gole do chá para aquiescer o interior há algumas horas ansioso demais. "Faz mesmo." De repente, um sutil suspiro; alto o suficiente apenas para que pudesse aconchegar as costas e relaxar, por fim. "Na verdade, eu já 'tava quase esquecendo como era seu rosto." O tom bem humorado fez-se presente com um sorriso ladino. "Bom... Talvez eu devesse começar dizendo que viajei pro Egito e foi bem legal por lá, foi diferente. Fiz uma repaginada em alguns móveis lá de casa e agora vou ter que trabalhar dobrado aqui pra conseguir pagar. Fora isso e o fato de que tive um apagão de memória há pouco tempo, nada demais. E você, 'tá tudo bem contigo?" Tentou ser o mais convidativo possível, só não sabia como se portar diante de Ezra. Não era por timidez ou desconforto, era por falta de tato. Pelo tempo não podia dizer se o nível de intimidade que antes havia sido desenvolvido entre eles ainda existia ou se teria de ser trabalhado novamente.
Os olhos de Britney seguiam logo para o que achava bonito e naquele momento, ela seguia o homem que passava há sua frente. Ele não era um hospede, isso tinha a certeza, porque Brtiney Moon tinha memorando todos os rostos que passavam. Então, curiosa para saber quem era o homem, a mulher aproximou-se. Enquanto caminhava até ele, esta arranjava o seu vestido e cabelo tentando estar o melhor para ele "Oi bonito. Qual é o seu nome?"
Não era incômodo e muito menos inoportuno para Max receber algumas cantadas, especialmente quando estava cuidando do machucado de alguém. No meio do hotel ele estava atrás apenas de um café durante a tarde para aquecer seu corpo, mas quando andava de volta a enfermaria a abordagem o pegou desprevenido. O elogio seguido da questão sobre seu nome lhe fez parar, fitar a semelhante e semicerrar os olhos em confusão antes de respondê-la: "Maximillian." Ficou tão absorto na bagunça mental que esqueceu que não precisava de formalidades. "Max, na verdade. No que posso te ajudar, pretty face?"
Massageou a têmpora e fechou os olhos. Sua cabeça doía pela enxurrada de pensamentos. Nada fazia sentido. Nem as teorias que criou, muito menos as que ouviu. E não queria teorizar. Farley só queria paz, só queria sossego, queria sua cama, em seu quarto, em sua casa. Tirou o aparelho novamente, coçou perto do ouvido e devolveu o eletrônico ao lugar. Estava irritadiço. - Você não tem uma casa fora daqui? - Não o olhou. Em momento algum o olhou. Olhá-lo era extremamente incômodo. E Farley adorava olhar pras pessoas, olhar em seus olhos, analisar seus traços. Mas era incapaz de olhar pra Max. - Não acho que eles estejam confusos pelo hotel, mas pelo fato de estarem aqui sem a menor lembrança de terem vindo pra cá. - O que parecia óbvio. Como Max não via o óbvio? - Aliás, por que aqui? Por que... você... tá tão à vontade?
A nítida forma com que o outro agia bem como se portava, chegou a incomodar Max mais do que antes, embora apenas mantivesse o silêncio e escuta ativa. Parecia que estava incomodando, era óbvio, mas não sabia com o quê. Pra falar a verdade, não sabia por quê! O problema é que estava tão em paz dentro de si que pensou que não era nada demais, apenas o ambiente. Focado em outrem, o loiro não tardou em respondê-lo, o semblante já um pouco murcho devido as reações: "Tenho, mas... não estava aqui nesses dias. Por que?" Uma dúvida genuína, esboçando a confusão que unia as sobrancelhas no ato. "Eu nunca disse que foi pelo hotel, mas sim que era reconfortante eu estar aqui de volta a Santorini." E, por fim, Max suspirou profundamente com um pesar sem explicação. Não sabia o motivo de tal aspereza, mas certamente havia algo por detrás disso. Algo que ele possivelmente tivesse feito contra ele sem que soubesse - ou pior, lembrasse. A próxima sequência de falas de Farley foi o que fez com que o loiro apenas coçasse a cabeça, inquieto, antes de olhar ao redor para tirar o pouco da súbita consternação que agora sentia. Da premissa de desgosto que passava por sua mente, longe de seu controle. "E por que você não está, Farley? Acho que a questão agora é essa. Você tem algum problema aqui que eu não 'tô sabendo e gostaria muito de entender o que é."
"um pouco cansada." respondeu, incerta se o cansaço era dos próprios pensamentos, de toda a bagunça no hotel, ou se realmente era resultado de uma noite dormida em excesso. poderia tentar elaborar melhor, mas repentinamente, não se sentia mais tão à vontade com o rapaz. eles compartilhavam o mesmo apelido e nunca teve problemas com ele, mas algo estalou em sua cabeça. "não. você passou?" devolveu, sem se aprofundar, se sentindo na defensiva mesmo sem motivo.
Algo dizia internamente para Max que a presença de outrem era reconfortante, não sabia porquê. Poucas pessoas habitavam a mente dele em seus sonhos estranhos e ela foi uma delas - uma das mais frequentes no caso. Tentou ignorar esse fato enquanto conversava com a mesma para que não fosse inconveniente com suas expressões. "Sim, mas... não lembro muito bem por enquanto o que fiz antes de ir dormir. Nem lembro de ter ido dormir, na verdade, só que tive um espasmo no meio da noite e nada mais. Depois estava aqui." Aprofundou-se, coçando os fios na cabeça. "Mas, e aí, o que pretende fazer hoje que 'tá de folga? Parece até que os dias vão ser arrastados. Não acho que seja folga de um só dia, não com a quantidade de repórteres que tem aqui."
[ Drop: Fragmentos] - Bar da cobertura. Aletheia Hotel. (0/3)
Estava sentado no bar do hotel, um copo de whisky intocado à sua frente, os dedos tamborilando nervosamente na superfície polida do balcão. Sete noites. Sete malditas noites sonhando com rostos que pareciam simultaneamente estranhos e familiares demais, com um mundo suspenso, uma carvena familia. Agora acordara ali sem fazer ideia de como. As olheiras arroxeadas sob seus olhos denunciavam a exaustão que sentia, mas não era sono comum que Alt normalmente vivia submerso em. Era algo mais profundo, como se seu corpo reconhecesse aquele lugar de uma forma que sua mente racional recusava a aceitar. Ele pegou o copo, observando o líquido âmbar refletir as luzes suaves do bar. Havia um conforto estranho em estar de volta, como deslizar para dentro de uma roupa velha, confortavel e familiar. Mas, tudo estava errado. Pessoas normais não atravessavam oceanos em transe. Pessoas normais não sentiam que pertenciam a um hotel em Santorini como se fosse casa. Alt nunca foi normal, no entanto. — Doze horas. — Alt murmurou para si mesmo, finalmente levando o copo aos lábios e, em seguia olhando para a pessoa a sua frente. — Doze horas de memória apagada, e a única coisa que eu consigo sentir para além do cansaço e da confusão é sensação incômoda de proteção, quase maternal, que não faz sentido nenhum. O que você acha que aconteceu?
Por vezes pegou-se pensando sobre o que aconteceu horas antes de estar ali de novo no hotel. Durante o dia, na realidade, era tudo o que conseguia pensar. Após as conversas com as outras vítimas, alguns repórteres, charlatões e, por fim, conhecidos próximos, Max resolveu aliviar um pouco a cabeça ao ir até o bar. Por sorte, encontrou a última pessoa que faltava para ver no dia: Alt. Um sorriso logo estampou nos lábios, feliz. Ao aproximar-se acenou com a cabeça, tomando o banco ao lado deste. "Eu até perguntaria como foram as festas na sua casa, mas já imagino." E ao proferir aquilo quis dizer com relação à família deste, não somente ao infortúnio que acontecera algumas horas atrás. "Creio que seja estranho e confuso pra outras pessoas também, pelo menos com quem conversei. Alguns outros pareciam muito irritados, não tive como puxar muito papo. Mas... sinto a mesma coisa. Não sei porquê. Parece ruim ficar assim, preso a uma sensação boa enquanto outros parecem extremamente mais frustrados do que eu."
— Amém, irmão Max, amém. Quando eu posso te encontrar no seminário? Pra compensar não nos vermos mais no hospital. — Brincou, juntando brevemente as duas mãos em sinal de oração. Apreciava pessoas com uma personalidade tão alinhada e trejeitos tão leves, porque ele próprio se sentia meio desajustado em vários sentidos desde a infância. Muito dela, aliás, vivida em um abrigo religioso, por isso estava tão familiarizado com todo aquele culto a pessoas que viviam próximo da famosa virtude, de modo que teriam adorado alguém como o rapaz diante de si: paramédico, sem hábitos ruins e uma fala tranquila. Seu completo oposto, mas ainda uma ótima companhia desde que o conhecera melhor. — Eu não sou fã de romances, então acho que só ouvi falar desse Brilho Eterno mesmo. O que pega? É ruim ou só triste mesmo? — Indagou com genuína curiosidade, porque só ouvira e lera comentários a respeito. Por não ser muito fã de dramas em geral, era raro que consumisse algo do tipo. — Com todo o respeito, parceiro, mas eu acho que meu tipo de filme não te agradaria. Não agrada nem a mim, na verdade. São uma porcaria. O pior dos mais recentes foi Tetsuo, eu não recomendo nem que leia a sinopse. Mas um bom, ainda que antigo e com umas cenas... Diferentes, foi Hellraiser. Alucinado do mesmo jeito, realmente não acho que faça seu tipo. Mas sim, não vi muitos dos lançamentos. Aceito sugestões, ando ficando muito na parte dos animes. — Meneou levemente a cabeça, pensando em todos os títulos duvidosos que consumira ao longo da vida. Muitos terrores tidos como "perturbadores", mas apenas apelativos e sem graça na percepção de Ettore, que não era uma pessoa realmente impressionável. Fosse pelo tipo de coisa com que trabalhava e acabava se "acostumando" ao nível de criatividade do ser humano ou em geral mesmo. — O quão sortudo você é por eu conhecer o dono de uma agência de paraquedismo daqui? Consigo te arranjar isso na faixa. Só tem que me prometer que não vai morrer. — Franziu o cenho com a possibilidade de ajudá-lo naquela vontade. Até hesitar diante do retorno da pergunta. Era algo que tinha que processar melhor. — Eu te conto quando você chegar em terra firme, são e salvo, quem sabe. É segredo de estado, porque eu já concluí 98% das coisas que sempre quis fazer, mas até lá... — Garantiu. Até se colocar em pé, finalizando o cigarro que tinha entre os dedos. O espírito inquieto tornando impossível que ficasse parado no mesmo lugar por muito tempo. — Ettore Altavitti, coach do fim do mundo, especialista em saltos, queda livre, bungee jump, cassinos duvidosos, animais peçonhentos, maridos putos e esposas furiosas, se apresentando, senhor. Tenho certeza que seus conhecimentos em primeiros socorros nos serão úteis nessa temporada final.
Permitiu-se rir do comentário, mesmo que repreendesse com a cabeça qualquer tipo de ideia semelhante ao celibato. Tinha todo respeito do mundo por quem se entregava, mas... ele?! Não, não era algo que tinha aprendido nem no berço, que dirá agora fora das asas dos pais. Quando se pôs a pensar, então, sobre o filme citado, Max estalou a língua no céu da boca e fez um bico antes de respondê-lo: "É só triste." Olhou para Ettore rapidamente, verificando sua expressão. "Não é exatamente aquele final feliz que se espera de um romance. E pior de tudo: faz você repensar tudo na sua vida, se fosse mesmo possível apagar as memórias." De fato, seria um salvador da pátria aquele que inventasse a cabine de apagar memórias que não quer mais de alguém. Isso certamente aliviaria um terço da agonia intermitente que habitava dentro de Max. "E por que gosta desse tipo de filme se não te agrada tanto?" Seus gostos também eram duvidosos, mas jamais conseguia passar de dois minutos de filme se não fosse cativado logo no início. "Só suponho que, por citar Hellraiser, você goste de terror e um terror bem culto, dos bem ruins. Não tenho muito apreço por esse tipo. Sou mais daquelas coisas felizes, sabe?" Fez uns gestos com os dedos, como se fosse a coisa mais mirabolante. Longe de desdenhar da vida de outrem, mas Max crescera em um ambiente tão calmo e tranquilo, com uma rotina tão calma e tranquila, que era até estranho assistir coisas tão agressivas. Sua vida sempre foi praia, sol e boas risadas, então por que mudar seu vínculo com a alegria? Ele sentia que boas energias passavam com boas energias. "Confesso que nem pra mim 'tá sendo fácil. Só 'tô vendo as mesmas coisas de sempre, coisas antigas. Círculo de Fogo, Tron, Jogador Número Um... Essas coisas futurísticas, meio cyberpunk."
O olhar se arregalou brevemente com a menção de lhe conseguir um pulo. Claro, havia medo, mas também euforia misturado às sensações no momento. Quando disse que queria não pensava que seria tão rápido assim. "O quão sortudo eu sou?!" Repetiu com a mesma animação que outrem, mas, foi nítido: forçado. "Pelo menos sei que caí nessa contigo e não 'tô tão na merda assim." Esticou a mão para Ettore em um ato muito formal, altamente desnecessário e puramente teatral. "É uma honra compartilhar do ato final com você. Suspeito que eu seja útil apenas pra evitar que um de nós dois morra sangrando. Outra coisa além disso, sou profissional de praia. Tomo bronze, sei nadar e construir um castelo de areia consideravelmente grande." Após isso, Max pensou bem na maluquice de ultimamente e dos meses anteriores, cogitando suas possibilidades de prontidão. "Talvez não seja uma má ideia se você me arranjasse essa chance de cumprir com meu desejo, né?! Imagino que vá me conseguir de graça e eu tenho que pagar com algum favor..." Supôs muito audaciosamente.
As coisas estavam mais confusas do que nunca, o hotel, estava mais uma vez cheio e cercado de jornalistas, fotógrafos, era até um pouco assustador, Olívia tinha perdido as contas de quantas pessoas tinham a abordado oferecendo dinheiro em troca de informações a respeito dos hóspedes, era bárbaro e bastante imoral, então ela só continuava desviando de toda aquela confusão e tentava seguir com seu trabalho da melhor forma possível. Mas parecia que não eram só os hospedes que estavam com problemas e confusos a respeito de tudo, pelo menos estava sendo assim com todos que tinha conversado até então, se virou na direção de Max quando mesmo falara consigo. " Um verdadeiro caos, eu diria. " respondeu em um suspiro assentindo para ele. " Acho que sim, mais ou menos. " moveu os ombros, ainda estava tentando entender tudo o que se passava e lidar com tudo. " e você? como está com tudo isso? " perguntou prestando atenção nele. " parece que todos estamos recebendo folga em algum momento, acho que está sendo demais até mesmo para eles, todos precisamos de um tempo. " disse olhando em volta, para todos que circulavam por ali, dava pra sentir a tensão no ar. " tudo está realmente muito confuso, é estranho que ninguém se lembre exatamente como voltamos pra cá... e ainda, para ajudar, tem todo esse circo ai na frente. "
A pergunta de volta para si o fez ponderar por brevíssimos segundos, apenas para retomar a conexão com seus próprios pensamentos. Era idiota que ele mesmo não lembrasse tanto de como sentia após tantos discursos dados a desconhecidos e para a polícia, apenas para deixá-lo mais confuso do que já estava quando acordou. "Bom, parece que tudo revirou de cabeça pra baixo e eu nunca tive uma enxaqueca tão forte quanto a das últimas horas, mas... 'tô bem, eu acho. Não morri, né?!" Encolheu os ombros rapidamente, desdenhando de si mesmo. Se a pior das questões era morrer, então estava andando até lá para que isso acontecesse, afinal, que tipo de coisas fez em doze horas que não era capaz de lembrar? E, mais importante, será que isso tinha afetado em algo seu físico além da sua mente? "Acho que o mais ridículo é o circo. O problema do ser humano é justamente sua curiosidade e não posso nem falar muito porque se fosse eu de fora também estaria me mordendo pra tentar entender o que aconteceu." Olhou para o entorno e suspirou profundamente, com verdadeiro cansaço expresso tanto em suas feições quanto em sua voz. "Só queria saber até quando isso vai durar. Dias, semanas, meses?... Já é exaustivo o suficiente ficar assim, mas se eu ficar também por muito tempo parado nessa rotina, vou acabar enlouquecendo facilmente."
Ui, ui, ui, olha pra mim. Eu sou o Max, tenho dois empregos, uma rotina regrada, um queixo quadrado e minhas sobrancelhas não são da mesma cor do meu cabelo. Olha como eu sou incrível! Isso jamais aconteceria com o homem impecável que eu sou. Isso mesmo. Eu. O MAXimo! Seus pensamentos desceram junto com a bebida quente, aquecendo seu corpo e voltando com um sorriso compreensível e uma postura profissional - bem diferente da imagem good vibes que transmitia durante as aulas de ioga. - É realmente frustrante quando as respostas não vem de primeira e as coisas não parecem fazer sentido. Nossa mente está sempre em busca de respostas, de motivos, de formas para contornar o inimaginável. Mas nem sempre o inimaginável é, literalmente, inimaginável. Por ventura ele pode ser apenas o desconhecido. Agora fala pra mim, Maxwell, se você pudesse escolher estar em outro lugar agora, onde estaria?
As falas se embaralharam na cabeça de Max de tal forma que foi preciso dar uma tossida suave para desengasgar da saliva. Fungou rapidamente a coriza no nariz e olhou em volta, pasmando-se com sua incapacidade de ouvir. Tinha desaprendido a interpretar ou ele apenas o tinha pego em um momento de desatenção? Jamais saberia, pois a pronúncia do apelido seguido da pergunta o tirou do transe. Fechou a boca e então voltou a falar ao invés de babar. "Perdão, viajei com sua descrição." Piscou algumas vezes apenas para que pudesse relaxar e ajeitar a postura, deixando as costas eretas outra vez. "Eu não sei se estaria em algum outro lugar que não aqui." A honestidade com que falou aquilo, assustou até a si mesmo. "É que me sinto bem. Sinto saudade da minha família em Londres, é claro, mas aqui se tornou minha casa. Literalmente moro aqui. Não no hotel, óbvio, mas em Santorini." Explicava com certo zelo pelo lugar. A Grécia tinha sido seu motivo de fuga das responsabilidades que os pais estavam impondo sobre ele na Inglaterra, mas Santorini se tornou seu refúgio. Não era só pelo trabalho, até porque era cansativo por vezes, mas... pelas pessoas em si e o ambiente. "Não é um lugar perfeito, mas estou acostumado com o que tenho aqui e não trocaria. Mesmo nas condições em que estamos situados agora. Tudo bem, isso foi bastante poético e ridículo de falar em voz alta... Na minha cabeça soou normal."
Passava o olhar pelo lobby lotado de pessoas confusas. Mesmo à distância, a poluição visual cansava seus olhos e ouvidos. Mas foi o colega descrever a receita que um interesse brotou. Sabia que estava irritado com a presença do britânico ali, e sabia que daquela conversa não sairia nada de positivo, mas quando eventualmente se acalmasse, usaria o doce para se desculpar. Puxou o celular pra dar uma olhada na receita e era a coisa mais simples do mundo. - Não precisa gritar, eu to te ouvindo. - coçou a orelha e resmungou um pouco mais irritado do que devia, do que gostaria, do que ele merecia. - Qual a sua teoria então? Porque eu não sei o que pensar. As coisas no hotel nunca foram muito normais, mas isso já ultrapassa os limites da sanidade.
"Agora não parece ser um bom momento, não é?!..." Falou um pouco mais baixo que o normal, dessa vez, mas foi mais para calar a voz dentro de si do que para que o outro escutasse. E se escutasse também, que bom, seria menos constrangedor do que tentar tirar leite de pedra com alguém que claramente não estava em um bom momento. "Minhas teorias envolvem teorias de outras pessoas, então é um apanhado de grandes mentiras com conspirações políticas e científicas, nada que realmente vá justificar o que 'tá acontecendo." Foi sincero quando disse aquilo, até porque sua mente estava tão cheia e envolvida em tantos assuntos que chegava a esquecer da realidade, de fato. Sequer lembrava mais como estava se sentindo há poucas horas atrás. "Só sinto um estranho reconforto de estar de volta aqui. Não vou conseguir explicar, mas é... bom. Não sei se consigo sentir tanta empatia pelos outros, por estarem confusos, porque, sinceramente, não me sinto mais tanto assim."
— Ora, eu disse que conheço meios ilícitos, não que faço uso deles. O que pensa de mim, Max? — Uma pausa retórica, o sorriso ainda de lado, antes de acabar rindo. Na verdade usava sim, só estava brincando com o outro mesmo. — Meu corpo é um templo. A Dionísio, talvez, mas é. Ou nem isso, porque esse é meu primeiro cigarro em uns bons dias e eu nem bebi direito nesses tempos viajando. — Refletiu brevemente enquanto tentava fazer um levantamento do quanto se envolvera até o pescoço em confusões recentemente, de modo que se houvesse álcool ou outras drogas envolvidas, dificilmente teria conseguido superar tudo aquilo. O corte em seu cílio, por exemplo, como o hematoma do lado esquerdo de seu rosto, já amarelando, servindo como demonstrativo de que, mais dia menos dia, poderia não estar ali conversando junto de Max. — Ano novo, vida nova, cara. Eu prometo que não vou surgir no seu plantão tão cedo dessa vez. — A brincadeira persistiu antes de tragar outra vez e tomar o cuidado de dispersar a fumaça na direção oposta à dele. O cenho se franzindo em surpresa com a referência trazida por ele, já que a julgar pelo temperamento e pelo pouco que conhecia de Max, sequer cogitava que ele tivesse aquele tipo de filme no catálogo de repertórios. — Eu acho que esperava qualquer outro filme de você, esse realmente me pegou. Mas já que talvez sejamos cobaias duvidosas em breve, ou sejamos arrebatados assim que der... Existe algo que Maximilian Maximus nunca fez na vida e tem vontade de fazer antes que nosso tempo aqui acabe? — Perguntou. Os olhos claros demorando-se na figura alheia, tentando confabular algo, ao mesmo tempo que pensava em si próprio; havia feito tanta coisa nos últimos tempos, que ficava difícil mensurar, com precisão, o que ainda faltava realizar. Coisas específicas, na verdade, mas meio deprimentes se o Altavitti pensasse demais. — Dentre as minhas atribuições de modelo da plataforma laranja, influencer e ótima companhia pra filmes duvidosos qualquer dia desses, eu posso apostar que sou um ótimo coach de fim do mundo, então sinta-se à vontade para começar a falar.
Max não precisou sequer fitá-lo por muito tempo após aquela sentença para que acabassem rindo - se poupou até de responder a retórica devido a isso. "Já vejo progresso em você. Mas como em tudo na nossa vida é feita de tentações e das nossas decisões de ceder ou nos reter, se não for da sua intenção parar, os vícios voltam." Às vezes ser o mister óbvio na cabeça dele valia de alguma coisa, afinal, estava tentando ajudar. Contudo, Max também sabia que seus próprios vícios eram saudáveis até o ponto em que ele não os usava de fuga. Foi preciso escutá-lo para sair da imersão de seus pensamentos, seguido de um riso breve e bem humorado. "Isso é bom pra você, só não vou ter tanto com quem conversar mais. Vai ser chato." Brincava, quase pedindo para que voltasse atrás com a realização de ano novo, mas poderia ser visto como tudo que não fosse ironia, e, no momento, Max não estava com disposição para explicar suas piadinhas sem muita graça. Então, não só a menção do filme que citou como a pronúncia do nome que era parcialmente seu, fez Max balançar a cabeça em negação, rindo. "Esse com certeza não sai da minha cartela de filmes pra nunca mais terminar de assistir ou reassistir, ao lado de Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças." Pontuou sabiamente com uns toques sutis na têmpora, relembrando o trauma de ter assistido ambos filmes em momentos distintos de sua vida dos quais não gostaria de revisitar. Muito embora, é claro, o último fosse o mais calmo possível para que ele voltasse atrás com a refação dessa lista de filmes. "Que tal se começar indicando algum filme duvidoso do qual nenhum dos dois nunca viu? Não precisa ser necessariamente de terror. Tem vários lançamentos aí que com certeza você nem olhou... né?!" Conferiu se a resposta era positiva, ao passo que desajeitava os fios desgrenhados na cabeça para ponderar em voz alta. "Pular de um avião, com paraquedas, é claro, é algo que nunca fiz, mas acho que agora tenho vontade de fazer. Não sei explicar porquê, só acho radical demais pra mim. E você? Como coach do fim do mundo, o que não fez ainda que faria?
aka leddy and rowaya
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maxine estava mais calada do que de costume; seja pela falta de descanso ou pelos pensamentos acelerados. estava tentando observar e analisar todos, achando tudo muito bizarro. como, de uma hora para a outra, estava no hotel? e com tantas outras pessoas fazendo o mesmo? a psicóloga custou a tirar alguma informação dela, no entanto, seu silêncio também era ensurdecedor. parou ao ouvir a voz do mais velho, abrindo um sorriso seco. "tirando que provavelmente estamos vivendo um delírio coletivo, tudo certo." ironizou, cruzando seus braços. "você também recebeu folga?" falou um tanto surpresa, até pensar mais um pouco e concluir que era o mínimo. "não tô com jet lag, mas... sei lá, nem parece que dormi. lembro de ligar para os meus pais, dizer que..." que talvez voltaria a estudar e deixaria tudo isso para trás. "senti falta deles no natal. e ano novo... mas, sei lá. não lembro quando fui dormir. isso é muito bizarro."
Era o mais lógico, mesmo que fora de lógica, pensar que era uma histeria coletiva, afinal: qual o sentido daquilo tudo? "Mas, você sente sono ou 'tá bem descansada?" Pausou e pensou em si mesmo enquanto esperava uma resposta alheia. Não se lembra de sentir cansaço ou algo do tipo, só a falha das memórias. "Não parece existir uma explicação muito boa pra isso tudo, essa é a realidade." Suspirou profundamente, pois, embora alguns fizessem que tanto faz o que aconteceu, embora fosse estranho, para Max, um estudante da área da medicina, era bizarro que não houvesse uma resposta lógica para isso em seus estudos. "Você não passou os feriados com os pais? Perdão se for uma pergunta muito íntima, é que comentou que sentiu falta deles."
O que poderia aproximar mais dois desconhecidos do que o fato de ter sido socorrido por um cara bonito, próximo de sua idade, umas três ou quatro vezes desde que havia chegado a Santorini? Somente uma confusão mental como aquela, de fato, como a que acometia todos os participantes do entorno do Aletheia, aparentemente, desde o dia anterior. O ponto era que até vira Max se aproximando, mas como estava meio distraído com os próprios pensamentos, Ettore levou alguns segundos até reconhecer plenamente o outro e também entender melhor o que ele dizia. Havia passado tanto tempo com o italiano na mente recentemente, que ficava meio difícil voltar ao inglês e, sobretudo, o britânico, por mais que o acento vindo do Harrigton lhe caísse muito bem aos ouvidos. — Eu conheço maneiras de lidar com o estresse, mas não são exatamente... Lícitas, 'cê sabe. — Tentou brincar enquanto, por ora, observava o cigarro entre os dedos. — Eu tô tentando não pensar muito, mas fico feliz de ter voltado. Eu tava fodido de grana e consegui fazer todo o caminho de volta, considero isso um milagre do fim dos tempos. — Ponderou. — É isso ou, sei lá, estamos vivendo no roteiro de Lost? Todos mortos, presos numa ilha. Não soa poético? — Sua pergunta retórica veio em forma de brincadeira antes de indicar para o cigarro que segurava e provavelmente levaria aos lábios novamente, mas não sem antes tirar aquela dúvida referente a estar tudo bem ou não para Max. — Se importa?
O politicamente correto de Max envolvia que ele não se metia tão perto de substâncias, mesmo que tivesse acesso à elas facilmente, e tampouco corria para o fumo a fim de desestressar. Era fato que Ettore fazia aquilo, mas ele já estava plenamente ciente dos trejeitos de outrem. "E essa é sua maneira de lidar, tudo bem. A minha é dormir um pouco ou ver filme, mas a primeira opção já está descartada desde o momento em que acordei." Ironicamente sorriu. Mais ainda, permitiu-se rir com a especulação do semelhante. As sobrancelhas arqueadas demonstravam o quanto Max estava surpreso e até mesmo abismado com a falta de lucidez que Ettore parecia estar. "Isso é algo ainda mais estranho. 'Tô começando a achar que fomos sequestrados. Não tem como mudar o valor da conta no banco enquanto você sofre de um apagão, assim do nada." A careta redobrou o tamanho quando se pôs a pensar verdadeiramente nessa possibilidade, rastreando em sua mente as memórias ainda lúcidas sobre o que se lembrava da noite passada. "Tudo bem, fique à vontade." Acenou com a mão para confortá-lo da questão. Não se importava tanto quanto deveria, embora soubesse que a dor de cabeça que viria depois seria o suficiente para deixá-lo acamado descansando por mais algumas horas que o natural. "Talvez suas teorias da conspiração não sejam tão distantes da realidade. Ou, quem sabe, pode ser pior: o roteiro da centopeia humana."
– Ei! Você! - o brasileiro se aproximou do antigo colega de trabalho com um sorriso amigável. Àquela altura já não era mais funcionário do hotel, o que significava que poderia voltar ao seu trabalho como psicólogo. Sentou ao lado de Max e lhe entregou a bebida quente. - Ok, vamos lá outra vez. Você perdeu a memória das últimas 12 horas? Não só... dormiu demais?
Contar com os sábios conselhos de Genaro era o que estava fazendo sua enxaqueca passar. Podia ser irônico, mas confiava o bastante nele para permitir-se conversar sobre as questões pessoais cujas quais todos ali, aparentemente, estavam passando. Max pegou a bebida, tomou apenas um gole para saborear o gosto e não queimar muito a boca, e ao sentir a ferocidade do calor, apenas sugou o ar para esfriar o interior da boca. Era estranhamente reconfortante sentir aquilo - a quentura. "Meus horários são bem estritos tanto pela rotina na outra ponta do mar, quanto pelo trabalho aqui." Deixou que o café aquecesse suas mãos por um tempo antes de retomar a linha de raciocínio. "Não tem como eu ter dormido além do normal. Nem cansado 'tava pra apagar desse jeito. Mas você, eu e todo mundo sabe que não é nada natural apagar dessa forma e agir como agiram. Ajeitar mala, comprar passagem, falar com as pessoas tão naturalmente... Ou pelo menos é isso que falaram em um dos artículos do jornal, que eu, por exemplo, até conversar com minha mãe por telefone conversei. Desde quando? E como? Eu lembraria de ter pedido pra ela falar um pouco mais alto senão nem escuto."
Farley não costumava ser estúpido. Usava do sarcasmo pelo charme, e pra disfarçar quando estava de bode de alguém. As pessoas só viam seu lado irritado quando elas realmente faziam por onde. Fosse pelo fato de estar tão desnorteado quanto o homem, fosse por ter sido questionado exatamente 14 vezes pelo seu bem estar, mas quando o outro se aproximou, apertou os olhos. Merda de lugar barulhento! - Po, legal... - seus dedos falaram mais do que sua voz, que soou grave e impaciente. Farley estava impaciente. - O que é um triple?
Conseguia enxergar a inquietação de outrem pelo simples fato dele ter esboçado. Em momentos assim era quando Max começava a se retrair um pouco mais, apenas o suficiente para não ser intrusivo ou inconveniente. Não apenas o ambiente não lhe agradava e causava repulsa, como a situação em si não ajudava. "Trifle." Repetiu, dessa vez com o sotaque mais carregado. "É uma sobremesa britânica, parecida com pudim, mas que leva gelatina, algumas frutas e chantilly." Explicou-o em um tom acima de seu normal. Não pelo outro não escutar propositalmente, o que não era o caso, mas pelo desgosto de que este não escutasse - afinal, o hotel estava uma baderna com tanta gente falando. "Legal não deveria bem ser a palavra que exemplifica esse momento, mas, sim, se acha legal... deve ser...." Deu de ombros. Era estranhamente reconfortante que falasse de algo assim. Embora um susto por não saber de nada, lembrava-se do sonho e sentia apenas um vigor que antes não existiu. Não apenas isso, mas este com quem falava lhe dava também a sensação de conforto. Chegava a sentir-se até alegre, mesmo em meio ao fuzuê.