Durante a Guerra dos Elementais, os Tenebris, numerosos e incontroláveis, instauraram o terror no continente, invadindo e expulsando os Experimentos de seus territórios, forçando a debandada de grupos inteiros em terras alheias. Em meio a esse caos, reunidos nas Vilas Pesqueiras, um grupo misto de refugiados resolveu tentar a sorte no além mar, fugir do continente, rezar a Osseus por uma nova terra. Em meio a esses desesperados corajosos, estava uma humana, Nehemia, de rosto queimado pelo sol e mãos gastas pelas redes, e ela não estava sozinha, não, realmente não estava, pois carregava em seu ventre aquele que um dia seria o primeiro coroado.
A viagem foi longa e traiçoeira, com os mares tão agitados quanto as serpentes em suas batalhas, mas, por destino, benção ou sorte, o navio atracou numa areia fina, branca como osso, brilhante como pequenos cristais. E foi ali mesmo, em meio as marolas, que ele nasceu. Dorian, a primeira criança das terras além-mar.
Aquela ilha, antes inabitada por Experimentos, onde os refugiados fundaram as Vilas Costeiras, ficou conhecida pelas lendas como sendo o reino das fadas, a terra da magia, por ser um ninho de Dragões Puros Encantos. A maioria tinha medo de entrar na densa Floresta das Lágrimas, com aqueles brilhos poderosos enchendo as árvores, com Dragões Natureza escondidos nas copas e raízes, mas Dorian, pequenino e curioso, fascinado pela beleza selvagem do lugar, não perdia uma única oportunidade de explorar, e acabou conhecendo um Encanto tão curioso quanto ele, aquele que recebeu o nome Primus.
Escondidos da guerra, a vila prosperou numa aliança improvável entre as diferentes espécies que lá se refugiaram, e foi nesse ambiente que Dorian cresceu, familiarizado com as diferenças, e graças a Primus, cada vez mais próximo dos dragões que chegavam em manadas, fugindo de Tumba. Quando os Tenebris os encontraram, o filho de Nehemia aflorou seu espírito de liderança, unindo Experimentos e Dragões numa resistência improvisada, semeando os alicerces de sua grandiosidade.
Próximo ao fim da Guerra dos Elementais no planeta original, quando as Sombras estavam prestes a perder tudo, as que conseguiram debandaram para o Planeta Eco, marcando um rastro sangrento de destruição. A passagem da Escuridão rasgou o peito de Dorian em literalidade, mas Primus recusou-se a fugir como fizeram os outros, e sacrificou-se em prol daquilo que construiu com seu melhor amigo. Primus cedeu a força vital de sua própria alma, unindo seu espírito ao daquele humano tão singular. Unidos em um só, Dorian despertou para uma nova vida, com a nascente da magia fluindo por suas veias. Ali surgiu o primeiro feiticeiro da história.
Não muito tardou, e outros Dragões Puros vieram atrás das Sombras, mas ao invés de passarem feito raio, realmente olharam para o caminho, e finalmente tomaram conhecimento daquela aliança de espécies. Em honra ao sacrifício de Primus, Honra é forjada, e Dracaelun, a aliança atemporal dos Seres, é oficializada.
Quando as Sombras que ainda lutavam em Tumba perdem a guerra por definitivo, as que não foram estilhaçadas fugiram para o Eco, trazendo consigo novas ninhadas de Tenebris. Com a nova sobrecarga, os Encantos pedem ajuda para sua mãe, Magia, e assim são criados os Guardiões, que feitos para serem armas perfeitas contra os Tenebris, partem para a batalha em nome de Dracaelun, liderados por Dorian.
Quando os Dragões Elementais vêm para o Eco limpar o planeta da Escuridão, Dracaelun também avança para o continente como um exército que aumentava a cada conquista, e assim que o fim da Guerra dos Elementais é enfim vencida, Dorian é coroado rei do primeiro reino de todo o Eco.