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@meninobiel
Somos um eco do que imaginamos ser
Supercombo
Peanuts completo - 1961 a 1962.
A cada dia o anonimato fica meio sem sentido...
É que por tempos me limitei, me prendi no que acreditava, sempre achei mais confortável não contrariar. Mas desde quando me entendo por gente questionava tudo e não obtia respostas, sempre queria mais, eu achei minhas respostas, eu encontrei outros caminhos quando me faltou estrada, eu perdi mais amigos do que ganhei e aprendi que a vida é assim, eu tive e ainda tenho medo, mas entendi que mesmo assim se deve continuar, percebi que não faço isso por ninguém faço por mim e a partir de mim alcanço outras pessoas, aprendi que não se julga por ser diferente por que posso estar terminantemente errado no final do mesmo jeito que aprendi a reter o que é bom de tudo, eu senti na pele que quando tudo está dando errado não há uma regra que faz algo ou alguém vir te ajudar, te levantar, engoli o choro pra não ter que explicar muitas coisas e sorri pra dizer que entendi mesmo sem entender, vi que amigos são aqueles que estão do seu lado tanto pra sair e ficar a noite inteira fora do mesmo jeito que ficam se o mesmo te chama para ir a igreja, aprendi o que é ter um amigo agora, aprendi o que é gostar de alguém e beijei com 16 anos pela primeira vez e entendi que não existe tempo para se beijar nem para gostar de alguém, lembrei e memorizei nomes de muitas ruas eque esqueci depois, construí meu caráter que ainda está em formação, aprendi a ouvir mais do que falar, a me expressar mais me comunicar mais e sei que não sei de nada ainda, e não tenho ideia de como vai ser daqui pra frente, só espero poder sentir a vida sem pudor e com meus amigos os melhores que eu posso ter, bom, eu vou fechar os olhos cruzar os dedos e torcer era pra dar certo!
O pálido ponto azul - Carl Sagan "... não há nenhum sinal de humanos nessa foto. Nem nossas modificações da superfície da Terra, nem nossas maquinas, nem nós mesmos. Desse ponto de vista, nossa obsessão com nacionalismo não aparece em evidencia. Nós somos muito pequenos na escala dos mundos, humanos são irrelevantes, uma fina película de vida num obscuro e solitário torrão de rocha e metal. Considere novamente esse ponto. É aqui. É nosso lar. Somos nós. Nele todos que você ama, todos que você conhece, todos de quem você ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram suas vidas. A totalidade da alegria e do sentimento, milhares de religiões ideológicas e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada criança esperançosa, inventor e explorador, cada educador, cada político corrupto, cada “líder supremo”, cada “superstar”, cada santo e pecador na historia da nossa espécie viveu ali, numa partícula de poeira... A Terra é um palco muito pequeno numa imensa arena cósmica. Pense nas infinitas crueldades infligidas pelos habitantes de um canto desse pixel, nos quase imperceptíveis habitantes de algum outro canto... Como são freqüentes seus desentendimentos, como eles estão sedentos em matar um aos outros, como fervilham seus ódios, pense nos rios de sangue derramados por todos esses generais e imperadores, para que, em gloria e triunfo, eles pudessem ser os chefes momentâneos de uma fração de um ponto. Nossas atitudes, nossa imaginaria auto importância, a ilusão de que nós temos alguma posição privilegiada no universo, são desafiadas por este ponto de luz pálido. Nosso planeta é um pontinho solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Em nossa obscuridade, em toda essa imensidão não há nenhum indicio de que a ajuda virá de algum outro lugar para salvarmos de nós mesmos. Goste disso ou não, neste momento, a Terra é onde estamos estabelecidos."...
Me sinto um 'nada' , invisível, sem amigos, apenas colegas tenho colegas praticando a cordialidade
João nasceu sem chorar, levou palmada do doutor até a mãe ficar com dó. Parecia que João já veio ao mundo querendo chorar de dor, mas não queria incomodar. João comia todos os vegetais e legumes do prato. João cresceu forte e saudável, com o estômago verde e os olhos azedos pelo espinafre que engoliu ao longo da vida. João quando aprendeu a rimar, odiava o próprio nome. Odiava os colegas na hora da chamada. João, pé de feijão. João passou a odiar os contos de fada. João via girafas no céu, até que alguém disse que nuvem era água vaporizada. E João nunca mais viu uma girafa no céu, por medo de contrariar. João odiava matemática, mas estudou e levou um dez por medo de reprovar. João fechava a janela do quarto quando os passarinhos acordavam, porque ele gostava de dormir sempre uma hora a mais, por medo de não conseguir assistir a aula no dia seguinte. João colocava o fone de ouvido baixo, por medo de prejudicar a audição. João reclamava quando o chiclete perdia o açúcar, e nunca passou mais de 5 minutos mascando porque detestava dentista, por medo de apodrecer os dentes. João enricou, por medo de não poder mais reclamar de nada. O João, que odiava matemática, virou engenheiro. João detestava azul, mas comprava sempre da mesma cor, por medo de mudar. João odiava a mulher que dava troco em balas, mas aceitava, por medo de ter que esperar um pouco mais na fila. João jogava as balas fora, não dava pra criança pobre nenhuma, porque não queria alimentar a vadiagem. João odiava o calor, e mandou comprar um ar-condicionado que sugava o seu nariz, porque não queria suar. João nunca montou caras no suporte do ventilador, nem ouviu como sua voz ficaria engraçada se ele tivesse gritado nas hélices. João reclamava do barulho de tábuas rangendo, e nunca conseguiu escutar o som dos netos quando eles começaram a andar. E agora o João era Seu João, um velho que nunca precisou de óculos porque nunca quis saber de ler no escuro, um homem que escutava qualquer coisa, mas preferia ser surdo a ter que ouvir todo aquele silêncio proposital, um homem que comeu todos os vegetais do prato, que não tinha uma única cárie, que era engenheiro e odiava matemática. João morreu dormindo. Por medo de incomodar.
Cinzentos. (via lavidapasse)
Porque não existe coração inteiro lacrado e feliz, pra ser feliz ele terá que ser partido em metades e jogado fora. Você me pergunta: Como ainda terei um coração inteiro? E eu te respondo: Da parte que te sobra. Coração não é fígado mas cresce. Cresce depois de tantas partidas e tantos amores juvenis, ele evolui, se expande pra caber mais gente, quem sabe uma multidão? Não é assim desde sempre? A teoria da adaptação e evolução também é usada para o coração. Mas enquanto a gente não entende isso convidamos nossos amigos pro nosso funeral e eles riem, pois sabem que serão chamados pra outros e outros. Pedimos a morte pra cada nova e velha dor e, almejamos a vida antes e depois de começar e findar o temporal nos olhos.
Sam Nascimento, La vida passe. (via lavidapasse)
Meus pensamentos se vão tão rápido quanto as nuvens estão indo lá em cima, eu já me perdi enquanto os céus choravam de uma maneira tão delicada, a brisa pálida me faz arrepiar de uma maneira boa e eu penso como esta tarde está tão perfeita… e daí, se eu estou transbordando defeitos ou se algo me fazia me contorcendo de dor, nada importa muito agora, o dia gélido me abraçou e eu abracei de volta, estou dentre quatro paredes e uma janela aberta e dessa maneira nunca me senti tão livre. A música poderia me levar para outro mundo nesse momento mas ela preferiu me manter aqui me fez enxergar a importância do ar que eu respiro… tudo é tão normal e isso faz ficar incrível!