São várias as interfaces da violência, e ela está presente independentemente da cor, religião ou contexto social, começando antes mesmo de cada uma de nós nascermos.
A psicologia explica o padrão de violência familiar através de diversos fatores, sendo que indivíduos que cresceram em ambientes violentos têm maior probabilidade de perpetuar tais experiências.
Os traumas nos revisitam quando menos esperamos, quando acreditamos que os superamos, quando permitimos que aquela feridinha reabra e, sem dó nem piedade, mexemos nela.
Às vezes, somos cruéis demais conosco, achando que isso é o que merecemos, e, nesses momentos, o que ainda dói reaparece apenas para confirmar a imagem que temos de nós mesmos.
Os traumas nos paralisam, nos impedem de ver por outras perspectivas, porque, na verdade, temos um medo profundo de que tudo dê certo. Afinal, não estamos acostumados a isso.
Então, qualquer vento do passado nos faz estremecer, e toda frestinha que nos lembre da dor nos faz reviver aquele momento que já passou.
O trauma nos prende ao que não somos mais, aos resquícios de alguém que nos feriu, e fazemos de tudo para não nos tornarmos como essa pessoa e lidar com tudo isso é exaustivo demais.
Pois somente ao nos aprofundarmos em nossa própria dor, com coragem e compaixão, podemos emergir mais fortes, deixando para trás o que nos feriu.
E acredite, ainda há quem queira justificar o injustificável, quem culpe a vitima, quando acontece da vitima surtar diz; que ela é louca e; diga que foi porque ela merecia, na verdade, ela é a única vítima.
Mas, se a gente se acostuma com o que nos fere, vamos acreditar que o que machuca é o que merecemos, pois é a única coisa que nos é permitido sentir, e ainda vamos dizer que isso é amor e, vamos achar que cada violência que sofreu na infância foi realmente porque merecia.
A psicologia não busca apenas compreender esses padrões, mas também desenvolver intervenções que possam interromper esses ciclos, até porque essas pessoas não serão capazes de pelo menos pedir desculpas e sim culpar você por tudo que passou.
Quando a gente aprende que amor é o que nos faz sofrer, somos nós as primeiras a desaprendermos a nos amar.