dispersos
Os fragmentos permanecem, assim como as dores. Eu jurei que ia esperar tudo cicatrizar, que ia aguardar as feridas se fecharem, mas foi só me deparar com o seu sorriso bobo pra eu deixar de estancar o sangue. Você disse que se pudesse voltar no tempo, teria (des)feito algumas coisas, que não teria me magoado, que teria deixado de ser a ponta do iceberg que me levou há tantas crises de ansiedade e pânico. Você disse. Disse tanto, que eu acreditei demais. Cai no abismo das tuas mentiras, outra vez. Permiti trair e ser traída. Não me deixei regenerar. Eu sequei. Sequei o corpo: emagreci. Sequei a alma: tornei-me pó. Seca como chão do sertão, seca como as toalhas que caem do varal, seca como tua própria estupidez. Você disse que tudo ia mudar, mas quem recolheu os pedacinhos fui eu, sozinha, de novo. Mas o fragmento da culpa, eu deixei para você. Eu não mereço ele, não agora. Eu não posso me sentir culpada, apesar de ter confiado em você. Mas eu não posso. Não hoje, não amanhã, não por você.



















