Não sei como amor pode ser visto como pecado.
Com o lançamento da terceira temporada de Sram, a versão croata de Skam, me surgiu uma vontade insana de escrever sobre meus personagens e histórias de amor lgbt favoritos. Os abertamente gays, os Queer Coded, aqueles que vivem em meu coração; então eis aqui uma lista que deveria ter sido feita há muito tempo:
Porque não existe outra forma de começar essa lista. Á luz do luar, garotos negros ficam azuis. É lindo como Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney reportam a vulnerabilidade e a verdade em ser negro e gay. Tem muito acontecendo na vida de Black, ou Chiron, o chame como você preferir. Violências por todos os lados: na escola, em casa, no seu reflexo no espelho. Quem é você? Chiron? O negro homosexual com problemas com a mãe? O traficante? Porque não apenas uma pessoa, uma com sentimentos e que deveria ser permitido os viver. Alguém cheio de angústias, alguém que deveria ter o direito de as lamentar. Fiquei tonta assistindo esse filme. As atuações dos três que assumem a persona Chiron/Black, a trilha sonora, a direção artística. É tudo demais. É bruto do jeito que deveria ser, não tem medo de se esconder em uma fantasia para se encaixar nos desejos brancos de como as narrativas devem caminhar para pessoas negras, ao mesmo passo que retrata a realidade violenta encontrada por meninos largados para morrer antes mesmo de aprenderem a sonhar.
É assim que se perde a guerra do tempo.
Já falamos de Blue e Red aqui. Ah, o maior amor já escrito. O romance impossível entre rivais se mistura com o universo fantasioso de um jeito tão doce na escrita de Amal El-Mohtar e Max Gladstone. No Skoob user lookingformo escreveu: “Quero pegar todos os apelidos com ligação a seus nomes e tatuar, em minha alma, em meus ossos e em minha pele. As palavras são tão delas, a história vai entrando no coração e criando uma coisa tão bonita quanto flores nos vãos da calçada”. Eu quero te encontrar em todos os lugares que amei. Red, Red, Red, eu quero te escrever poesia. Não sei mais o que falar sobre essas duas, que nos ensinam a aprender a amar enquanto elas mesmas se aventuram nesse sentimento pela primeira vez.
Naomi & Ely e a Lista de não Beijos.
Sinto muito por estar sempre falando sobre as mesmas coisas, mas não consigo superar Ely. Naomi é minha personagem favorita do livro, e do filme, mas acho que é só pelo fato de que me vejo muito nela. Ely não tem medo de ser mutante, talvez por ser gay em uma das maiores cidades do mundo, talvez por ser filho de um casal safico; isso não importa tanto. Porque ser gay era coisa grande nos anos dois mil. E eu conheço gente que ainda tenho certeza do apoio em casa e uma comunidade maior do que muitas outras nas ruas ainda não teria coragem de assumir ser mutante. Estou falando de mim mesma.
Clarisse La Rue & Silena Beauregard.
Ah, Rick Riordan… Você me paga. Me paga mesmo. Eu poderia adicionar Will Solace e Nico Di Angelo aqui, amo a dinâmica de filho de apolo x filho de hades tanto quanto a de filha de ares x filha de afrodite. Acho que o fato delas terem um fim tão trágico é o que me fez escolher esse relacionamento para representar o Riordanverse. A filha do amor morrendo em pele de guerreira, consegue entender o encanto disso? Guerra e amor andam mesmo juntos, das formas mais trágicas de todas. Silena a traidora, a vítima de seus próprios sentimentos e Clarisse a agressiva, que não se deixa conquistar com pouco. A receita perfeita para o desastre até mesmo no simples status de amizade que as duas exercem na saga. La Rue não derruba suas barreiras para qualquer um, e, quando faz, é esse o ponto final que a espera; a traição, o salgado do desamor.
Anwar é um barco frágil em meio a tempestade de sua religião e o mundo queer, que o jogam de um lado para o outro no mar agitado da vida. É lindo como o conflito em viver tendo um melhor amigo homosexual se transforma em uma das histórias mais impactantes de autoaceitação que eu já vi. É tudo questão de interpretação, claro. Dev e ninguém da produção de Skins disse: “a propósito, Anwar é queer”, apenas está lá, você pode ler desse jeito ou não. Uma vez eu descrevi Anwar como medroso. Gay ou não, ainda acho que ele não passa de um covarde. Ele usa da religião como desculpa para sua visão doente da sexualidade de Max, ao mesmo tempo em que não perde uma chance de cometer os maiores pecados de todos. Anwar se hoje na vida britânica sem levar a risca os costumes de seu povo, apenas para ter a ideia de que seu amigo vai ser julgado e condenado por amar.
Ninguém poderia me fazer odiar minha doce Quinni. Entre tantas personagens Queers de HeartBreak High, ela é a minha querida. Ela é doce, presta atenção nos outros ao seu redor. Sinceramente, acho que ela é o que faltava em tantas produções sobre a vida adolescente durante o ensino médio. Quinni não lida bem com mudanças por ser autista, ela se preocupa em ser demais para os outros o tempo inteiro, ela tenta ser amada por quem é apesar das implicações que vem com ser sua parceira romântica ou sexual; e eles tratam o assunto de um jeito lindo de se ver.
Espero que a essa altura de nosso relacionamento você esteja ciente de meu amor por Dead Poets Society. Acho que Neil foi feito para as crianças que sempre se mostraram promessas do mundo das artes, mas que tiveram suas asas cortadas antes mesmo de saírem de suas casas. Terrível, não? como, por vezes, aquele destinado a destruir seu sonho é quem te colocou no mundo. Te fazem pronto para ser uma estrela, mas apagam a luz antes mesmo da sua peça começar. Não consigo pensar na mãe desesperada repetindo e repetindo He’s alright. He’s alright. Nada nunca esteve certo para Neil, mesmo assim ele garantiu que estivesse para quem ele amava.
Eu não sei como amor pode ser visto como pecado; e espero que meus filhos nunca precisem pensar sobre isso. E que os filhos dos filhos deles também não. Nem os seus filhos ou os filhos deles.
Eu sei que todos esses personagens me ensinam, todos os dias, que em todos os lugares para onde você olhar, vão existir pessoas Queer. De todas as aparências e personalidades possíveis. Um beijo para Isak Valtersen, Ian Gallagher, Marco Del Rossi, Alex Nuñez, Neil Josten, Kevin Day, Wyland Van Eck, Rob Brooks e todas as personagens que eu guardo em um canto especial do coração, bem do lado do meu amor. Do amor que ninguém pode dizer ser errado quando é algo que me faz tão bem.
Com muito, muito amor. Mo.