“não… esse assunto é bem útil, na verdade. ”
— “Pode até ser útil, mas o mais educado a se fazer seria esperar mais um pouco antes de começar a falar de forma insensível sobre o assunto como está fazendo.”
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@mt-gwan
“não… esse assunto é bem útil, na verdade. ”
— “Pode até ser útil, mas o mais educado a se fazer seria esperar mais um pouco antes de começar a falar de forma insensível sobre o assunto como está fazendo.”
sentiu o ar frio ainda que ambiente fosse quente, um tremor leve passando por sua nuca era a única sensação que a fazia distinguir vivos de mortos, tudo que via eram corpos trajados em preto e sons distantes de choros e conversas. sabia que deveria demonstrar alguma emoção, e por isso forçou-se a sentir, buscar memórias passadas. eunjung, sua líder, não mais voltaria a suas atividades diárias, sua voz não ecoaria pela sala e seu rosto já não possuía cor. abaixou a cabeça, uma expressão próxima a tristeza era tudo que poderia oferecer, mas era o suficiente. ❝ —- ela era boa, gentil. eu a apreciava como líder.❞ dissera para a pessoa que se posicionou ao seu lado, deixara que as palavras saíssem com naturalidade, acostumada. ❝ —- você tinha proximidade com ela?❞
— De pé em um dos cantos do cômodo, Gwan tentava não chamar atenção ou ocupar muito espaço enquanto prestava seus respeitos à antiga colega. Por não conhecê-la muito bem, decidiu que ficar mais afastado do “altar” para dar espaço àqueles que a conheciam e gostavam da garota, enquanto que ele não sabia como se sentir em relação a isso e estava lá por educação e consideração, preferiu ficar em silêncio; isto é, até perceber que a garota ao seu lado falava consigo, achando que seria de mau tom não respondê-la. “Não, para ser sincero. É a primeira vez que ouço falar dela, e justo em uma situação dessas. É uma pena que eu não tenha a conhecido.”
“então, você acha que foi um ghoul raivoso, um lobisomem novo, um hipogrifo ou uma quimera que fez isso com a eunjung-ssi?”
— “Eu acho que tem assuntos melhores para se conversar do que esse, não acha?”
“não foi desnecessário, foi um funeral. há muitos anos não se havia uma cerimônia triste como essa. e mesmo que eunjung não esteja mais viva…” ele solta o ar que estava prendendo em seus pulmões e abaixa a cabeça ao pensar nela. “as coisas ruins que dizem sobre ela vão voltar pra eles. tenho certeza.” ele cerra os punhos com força e se controla para não derramar mais lágrimas.
— “Sim, o funeral não foi nada desnecessário, mas não houve exposição do corpo porque foi um funeral simbólico, então acho que eu apenas não entendi direito o que você queria dizer. Tudo vai acontecer da forma como deveria acontecer, mas não fique com esses pensamentos na cabeça agora, não vai fazer nada bem para você.”
"Sometimes I just can't control myself when around you."
— voltar a pintar aquarelas foi uma das melhores decisões de gwan, uma vez que o ato o deixava bastante calmo e relaxado, principalmente quando ele ia fazer aquilo do lado de fora. estava sentado de costas para daehwi, o corpo inclinado para a frente enquanto ele passava o pincel delicadamente pela folha de papel desenhando ninguém menos do que o próprio garoto que estava junto com ele. gwan adorava pintar a pele dele e seus olhos. era difícil para gwan colocar aqueles pensamentos para fora, mas daehwi era lindo demais e a única forma de tirar aquilo de si era pintando-o. no entanto, era difícil fazer aquilo quando o mais velho insistia em acariciá-lo. o carinho era bem-vindo uma vez que ele estava começando a se abrir para seu hyung e a ideia de ser tocado por ele, mas a hora era errada pois o desconcentrava e fazia ele rir baixinho enquanto dizia “daehwi-kun” em tom de reprovação, pedindo para que ele parasse. a última frase vinda dos lábios alheios fez com que seu rosto assume um tom rosado enquanto ele ria de forma tímida, se virando para empurrar ele levemente. “não diga essas coisas, bobo.”
“I’ll never let you go.” ( daehwi )
@mt-daehwi
— os poucos metros de corredores e espaços abertos que ele tem que percorrer para chegar ao seu quarto se estendem como milhares de quilômetros através de um deserto. sua respiração está saindo muito forte, como algo violento em sua garganta, e mais rápido do que deveria. ele tenta se controlar porque não pode simplesmente começar a chorar na frente de todos, mas, a beira de um ataque de pânico, ele não consegue raciocinar direito. tropeçando no início, gwan desce o primeiro corredor, mantém a cabeça baixa enquanto passa apressado pelas pessoas e sente os olhos começarem a se encher com lágrimas. em um ato de desespero, entra em uma sala de suprimentos, escura e vazia, e fecha a porta apressadamente, tropeça alguns passos para frente e depois cai de joelhos, sufocado por um soluço que sai de sua garganta dolorosa quando ele começa a chorar. gwan não consegue respirar, ele quer ir embora, ele quer chanmei - não, ele quer desaparecer, sumir e nunca mais lidar com aquele dom. ele não pode mais fazer isso porque está o matando.
ele esta com as palmas das mãos fortemente pressionadas contra os olhos quando escuta a porta se abrindo. o horror da ideia de alguém vê-lo daquele jeito percorre o seu corpo e faz seus olhos se arregalarem quando ele olha para ver quem está lá. os olhos aumentam ainda mais de tamanho quando ele percebe que é daehwi e, incapaz de conter a respiração, tenta inalar e termina soltando um gemido ofegante que o faz cobrir a boca com a mão, mortificado. aquele é o seu pior pesadelo. gwan está tão assustado que não consegue parar de chorar nem por um segundo. “desculpe, desculpe. eu... não aqui- deveria... eu deveria ficar quieto, desculpe, eu deveria ir embora. eu queria ir embora, só sumir” ele engasga no meio do choro ao tentar colocar as palavras para fora e sente cada vez mais vontade de sumir. ele não esperava que o mais velho fosse se sentar junto dele, muito menos que fosse abraçá-lo. e, na situação em que estava, ele não questiona, apenas afunda nos braços de daehwi e chora mais, ainda mais com as palavras que vem a seguir, fazendo com que ele agarre a camisa de daehwi com força como se dissesse, como se implorasse, para que ele não fosse embora.
“there is nothing wrong with planning a wedding with a video game character.”
— gwan nunca foi do tipo que se interessa por videogames, principalmente porque quando era um pouco mais novo e todos os outros garotos começaram a jogar, ele estava muito ocupado, de modo que acabou nunca se apegado à isso mesmo depois de grande. mas ele não queria dispensar a companhia de hyungwoo, por isso aceitou ir jogar um pouco com ele para se distrair e tentar se divertir com o mais velho mesmo que ele [gwan] fosse péssimo. na maior parte do tempo, ele apenas suspirava de frustração por não conseguir jogar direito e ria das reações de hyungwoo, balançando a cabeça negativamente para as coisas que ele dizia sem repreendê-lo em momento algum, mas talvez hyungwoo tivesse percebido mediante a fala dele. “claro que não, só é inusitado e um pouco engraçado, não é todo dia que eu vejo alguém se apaixonado por um personagem de overwatch.”
“o clima de mahoutokoro está bem pesado, mas pelo menos não ouvi nenhum comentário estúpido sobre eunjung depois que seu cadáver foi exposto. as pessoas finalmente perceberam que é melhor calar a boca quando se pretende insultar alguém morto.”
— “Não acho que estou no lugar de dizer alguma coisa, mas, para mim, a exposição do corpo dela foi horrível e desnecessário, quem gosta de falar coisas ruins vai falar independente daquilo ou não, mas não sou quem decide.”
“não quero, obrigada… já que acha bobagem eu tirar fotos de pessoas que eu não conheço, quem sabe possamos nos conhecer! como você se chama?”
— “Não é exatamente uma questão de sermos desconhecidos ou não, é mais por não querer estar em foto alguma, entende? De qualquer forma, me chamo Wei Gwan.”
▬ Dá para a escutar a voz da pessoa se prestar atenção. Eu sei, é bem estranho no começo, mas fica mais fácil se você treinar com conhecidos, sabe? Com o tempo dá para encontrar estranhos. Sabe o que é antisséptico bucal? É a mesma lógica. Só fazer isso e pensar em sal ▬ mordeu o lábio inferior com força e se virou minimamente. ▬ Esse assassinato ainda vai dar mais dor de cabeça. E logo com as Kitsunes?
— “O problema é esse, hyung, eu não quero prestar atenção, eu quero que todas essas coisas sumam durante a noite para eu nunca mais lidar com isso” suspirou pesadamente, esfregando uma das temporadas com a ponta dos dedos antes de balançar a cabeça levemente e voltar a olhá-lo. “Claro que sei, hyung” respondeu, quase sorrindo ao achar certa graça na pergunta. “Interessante, mas acho que prefiro apenas tomar mais água” apertou os lábios em uma linha fina, erguendo o copo na direção dele antes de tomar um gole. “Eu sei, eu sei, minha cabeça dói só de pensar. Por isso a gente devia falar de outra coisa.”
“Eu fui errada em me intrometer desta forma, peço desculpas! Não se preocupe, tudo foi apenas um mal-entendido.”
— “Não é intromissão, você só se preocupou e me desculpe por isso, por fazer você se preocupar e por ter sido indelicado. De qualquer forma, logo essa dor passa e tudo fica bem.”
“ Oh me perdoe não quis chama-lo de louco! Se bem que eu gosto de pessoas loucas… Apenas queria ajudar, poxinha.”
— “Desculpe, não quis parecer como se eu tivesse ficado ofendido, não foi o caso, você não fez nada de errado, é só... É, não tem razão para eu ter agido dessa forma, desculpe.”
“ Claro que pensam! So que ficam tão assustados que nem abrem a boca para dizer algo. Se esta com dor de cabeça deveria ir para a enfermaria, se não sabe o caminho eu posso lhe ajudar”
— “Bom, eu não sou louco, sou normal como qualquer outro, só estou com dor. E não tem muito que as enfermeiras daqui possam fazer por mim. Não se preocupe tanto, vai passar logo.”
▬ Você realmente não sentiu nada de diferente na hora? Sabe que podemos distinguir respirações, não é? Eu estava do outro lado da escola, mas você poderia saber se algo ▬ RyuWon odiava se sentir impotente. E, sim, poderia ter feito algo caso não tivesse se distraído tanto com Woona. Contudo, pelo menos, isso havia garantido a segurança da garota. ▬ Sabe que dá para esquentar a sopa e tirar o sal? Isso é bem fácil, na verdade, dá para fazer isso na boca.
— “Você já me falou sobre isso, mas... Eu não sei dizer, tudo está um pouco confuso para mim recentemente, é como se todas as coisas ao meu redor estivessem gritando ao mesmo tempo e eu não consigo processar tudo, será que é normal?” questionou, finalmente olhando para o outro garoto. Estava tão difícil ultimamente que ele estava sedento por qualquer resposta que o ajudasse. “Verdade?! Eu nunca tentei isso! Como você faz?”
“ Poderiam pensar que estava ficando louco, o que aconteceu ai, hm ?” ─A menina juntos as mãos rente a camisa enquanto se aproximava de forma curiosa e sigilosa, tentando ver se havia algum ferimento na face alheia.
— “Há tantas coisas piores que os alunos daqui fazem e ninguém pensa que eles estão loucos. E não é nada para se preocupar, só uma pequena dor de cabeça.”
- ̗̀ — “Se você está passando mal dessa forma deveria ir até a enfermaria. Você pode piorar, ou ser algo contagioso… Será que foi alguma coisa que serviram no jantar?!”
— “Por favor, não se preocupe comigo, estou dizendo que não é nada demais! Estou acostumado com essas dores de cabeça.”
“ Eu terei que fingir que não vi isso? Deveria ter cuidado com o lugar que você resolve fazer esse tipo de coisa, imagine se fosse algum monitor?!”
— Às vezes, quando a dor de cabeça se tornava insuportável, ele costumava bater a cabeça levemente contra a parede, como se tentasse se forçar a pensar em outra coisa, e fazia isso quando foi repreendido. Abriu os olhos, endireitando o corpo que estava sentado no chão contra a parede. “Me desculpe, eu acho. Não sabia que isso era inapropriado” disse, franzindo o cenho, sem entender.