Sinto-me uma farsa, a esconder a verdade,
Vivendo uma mentira, longe da realidade,
Enganando a todos, tentando me proteger,
Mas dentro de mim, sei que preciso ser.
Não posso ser quem sou, não posso me mostrar,
Diante dos olhares, tenho medo de me entregar,
Eles me perfurariam, sem compaixão,
Me matariam, se soubessem do meu coração.
Questionam minhas amizades, buscam razão,
Vasculham minha vida, caçam a tentação,
Se soubessem do meu real eu, meu segredo,
Me julgariam, me excluiriam, em um jogo sem enredo.
Porque eu estaria pecando, em seus olhos errados,
Seria "mundana", entre seus julgamentos fechados,
Mas quem define o que é certo ou errado?
Eles ou Ele, que tem tudo anotado?
Por que me limitam de viver e amar?
Por que não posso ser, sem precisar esconder?
Por que essa máscara, essa dor a ocultar?
Não entendo, não consigo compreender...
Hoje, vivo e finjo, finjo e vivo,
Finjo para respirar, finjo estar vivo,
Mas no fundo, sei que sou mais que esse disfarce,
E, um dia, quem sabe, poderei me mostrar com coragem.