Olá criança.
Você está presente em algum lugar do limbo imaterial de minha psiquê, foi gerada no abstrato da incompreensão de si, no qual seu espaço se dilatou diante de todas as mudanças no decorrer do tempo, acumulando memórias, sentimentos, emoções, adoecimento. Como um Buraco negro, nada escapava de ti, nem mesmo a própria luz que rodeava o teu núcleo crescente, capaz de engolir toda claridade ao redor, como um ralo no meio do espaço que exerce toda sua força, sugando o que está diante de si principalmente no o que constitui teu ambiente transfigurado em dor.
Te vi crescer minha pequena criança e na flor de tua mocidade pude perceber em teu ser a mais clara explicação prática da palavra "intensa", as drogas, as noites, os prazeres passageiros, o ego, nada foi possível de te afastar dessa escuridão e quando tudo se torna-ra insuportável tu desejasses escurecer teus dias na crença ilusória de que aqueles medicamentos iriam te salvar, se pudessem falar, diriam que não importa o que você faça minha pequena criança, você nunca fugirá de si.
A parte final, contínua e incompleta dessa história é que tu cresceu criança, a escuridão ainda reside em ti, mas agora tua psiquê é vasta, a mistura do todo nem sempre é confortável, todavia inegavelmente liberta, que chore pelo que te dói, no entanto, que sorria também pelo que merece teu riso, a vida não é preto no branco minha criança e tu sabe perfeitamente disso.
















