Eu sempre tive medo do escuro, então a noite não era o melhor momento da minha vida, eu sempre tive medo de ficar sozinha então morar em uma casa cheia de pessoas nunca me incomodou, o silêncio, diferente do que parecia causar nas pessoas nunca me pareceu acolhedor, apenas era assustador.
Os meus medos sempre estiveram comigo, moldaram meu caráter, por isso ando de cabeça baixa, por isso falo tão rápida e de uma maneira tão confusa, ainda assim com todos os pesos e as tristezas que os meus medos me trazem eles ainda são meus, ainda são coisas particulares e que pertencem apenas a pessoinha de seis anos atormentada por os monstros embaixo de sua cama, e que nunca a deixaram.
Não peço compreensão, até por que compreender como um adulto tem medo de ir ao banheiro sozinha a noite, do escuro, de um filme de terror besta ou apenas de ficar sozinha por mais de cinco minutos está um pouco além do bom senso. Ainda assim, peço respeito e paciência, não para todos, apenas para aqueles que me amam.
Afinal, não é isso que devemos oferecer a quem está do nosso lado? Um ombro para chorar, um abraço para se esconder, mesmo quando não faz sentido para nós?



















