Sabe por que Γ© tΓ£o difΓcil α΄
α΄κ±α΄Ι΄Κα΄Κ α΄Γ£α΄κ±?
Porque elas nunca estΓ£o quietas.
Mesmo paradas, estΓ£o acontecendo.
Uma mΓ£o carrega o hΓ‘bito de pedir desculpa,
outra aprendeu cedo a esconder o tremor.
HΓ‘ mΓ£os que nunca souberam do descanso
e mΓ£os que sΓ³ aprenderam a ir embora.
Quando tento desenhΓ‘-las,
elas trazem junto tudo o que jΓ‘ tocaram:
a crianΓ§a em seus braΓ§os,
o vidro embaΓ§ado de um Γ΄nibus,
o calor breve de alguΓ©m que nΓ£o ficou.
MΓ£os sΓ£o o primeiro idioma do corpo.
Antes da palavra, jΓ‘ havia o gesto.
Antes do amor, jΓ‘ havia o toque tentando entender.
Talvez seja difΓcil porque mΓ£os denunciam.
Revelam o cuidado, a pressa, a culpa,
a forma como alguΓ©m ama ou se protege do mundo.
No papel, nenhuma linha Γ© neutra.
Todo traΓ§o carrega intenΓ§Γ£o.
Por isso elas resistem ao desenho.
NΓ£o querem ser sΓ³ forma.
Querem continuar sendo passagem.
No fim, nΓ£o Γ© sobre saber desenhar mΓ£os.
que elas nunca cabem inteiras em lugar nenhum.
nem em quem fomos quando tocaram a gente pela primeira vez.
Talvez o erro nΓ£o esteja na mΓ£o,
mas no lΓ‘pis tentando conter o gesto,
como se arte pudesse ser imΓ³vel.