Yekun continuou a observar a fresta da porta com seus olhor carmesin como se estivesse esperando ansiosamente que alguém entrasse ali para lhe tirar daquela situação sem precisar responder mais nenhum das perguntas que o vampiro fazia. Ele sempre parecia saber exatamente o que falar para acabar com o demônio com tão pouco. Ou… Yekun que, de alguma forma, deixou que Klaus o afetasse daquela forma. E não diria isso a ele. Mas nunca. Nunca mesmo. Permaneceu em silêncio por mais alguns momentos, mas não por falta de resposta, mas porque ele não tinha mais máscaras para usar como escudo, qualquer coisa que falasse sem pensar direito poderia ser perigosamente sincero de mais.
"O que me impede, hm?" Repetiu a pergunta. Yekun não era do tipo que demorava de mais em suas respostas, muito pelo contrário, sempre tinha tudo na ponta da língua, mas quando se tratava do vampiro parecia que tinha que tomar muito mais cuidado do que o de costume. Ele sabia usar suas palavras contra si afinal. Repetia as perguntas para evitar que o silêncio fosse maior que o nescessário, asssim como havia acontecido mais cedo na sala. E depois daquilo, começou a ter um cuidado extra em não deixar o vampiro esperando por tanto tempo.
...Um cuidado extra? Pelo inferno.
'Klaus, o que está fazendo comigo?' O demônio quase soltou uma risada.
“Algumas vontades são perigosas demais para se realizar." Suas orbes brilhantes se moveram e encontraram com os olhos do vampiro, sua expressão séria por alguns momentos antes de suavizar e deixar que um sorriso aparecesse em seus lábios. Não era seu sorriso teatral de sempre. Era sincero. Mas era um sorriso de quem tem medo de lidar com as coisas de frente e estava fugindo. Mais. Uma. Vez. "Especialmente quando não tenho certeza do que vou querer depois de saciá-las." Suspirou enquanto fechava os olhos. Chega de estar perto do vampiro enquanto seus selos estão quase se partindo. Tinha que esfriar a cabeça e pensar direito.
"Descansa. Você está sobrecarregado." Yekun sabia como cuidar de alguém. Era bom nisso. Preciso, encantador, envolvente. Sabia tocar, dizer, olhar e prometer com perfeição. Fazia parte do ofício de seduzir almas. Mas tudo isso só funcionava quando estava interpretando. Quando usava a persona construída para capturar, não para se revelar. Agora, pela primeira vez, não havia personagem algum entre ele e Klaus. E foi aí que tudo se tornou mais difícil.
Ele tentou disfarçar esse cuidado estranho, quase tosco, com gestos incertos e palavras duras demais para serem confortantes. Ajeitou a gola da camisa, como se isso pudesse ajudar, e permaneceu parado ao lado da cama depois de se levantar, incapaz de se afastar, como se buscasse um jeito de fazer mais — mas sem saber como. Então, num tom que misturava ironia e uma tentativa tímida de calor, disse:
“Quer companhia?” E silenciou, deixando o convite pairar no ar. “Não a minha, claro, eu não iria conseguir me comportar. Mas Echo, meu tigre familiar, pode vir.” Finalmente deu alguns passos em direção á porta e a abriu, parando na entrada e olhando para o vampiro por cima do ombro. "Estarei no quarto da frente. A casa é sua, fique a vontade."