❛ —— Você tem coragem de chamar isso de desculpas? ❜ O francês perguntou quando finalmente se dignou a olhar para o semblante feminino, pouco se importando em disfarçar a irritação em sua voz. ❛ —— É muito engraçado que na hora de ofender alguém você parece ter muita eloquência, mas para pedir desculpar parece ser incapaz de dizer uma única palavra. ❜ Tristan não estava exigindo que Nastya se humilhasse para conseguir perdão, mas ele não admitia nada menos do que desculpas minimamente decente. Julgava merecer isso depois de aturar meses a fio todas as loucuras da russa. ❛ —— Eu tenho que crescer? ❜ Questionou com uma certa incredulidade, deixando o violão de lado à medida que um riso sarcástico deixava a sua garganta. ❛ —— É você que fica tratando todo mundo como bem entende, se orgulha de ser rude e estúpida com os outros e parte para violência a cada oportunidade. Mas, claro, sou eu que preciso crescer! ❜ Ele finalizou com ironia, umedecendo os lábios enquanto sua cabeça era movimentada em um gesto de negação.
Nastya encolheu os próprios ombros ante a acusação em forma de questionamento, sentindo-se, subitamente, menor do que o esperado, embora mantivesse uma postura que indicava a preparação para uma discussão, caso esta ocorresse. O que, de fato, não seria surpreendente. E Tristan não estava errado. Na hora de ofender aos demais, bem, ela sempre se via capaz de fazê-lo, mas desculpar-se era mais difícil. Mas, mesmo que o intuito fosse pedir desculpas, não iria recuar. “Eu geralmente peço desculpas melhores para quem merece.” Refutou a fala alheia e, antes que pudesse controlar-se, já estava falando novamente: “Afinal de contas, eu não fiz nada perto do que você já me fez.” O dedo em riste, apontando para o outro, indicava a verdade empregada por ela, embora pudesse soar como algo injusto. Era injusto, no entanto, não na visão de Nastya. Na visão da russa Tristan era o vilão da sua história. E, mesmo que tentasse, não conseguia tratá-lo de forma melhor; não conseguia não atribuir culpa ao outro e, em cada interação, reafirmar isso. E, muito antes da possibilidade do francês questionar do que era acusado, de fato, Nastya tratou de elucidar para ele. “Você destruiu a vida da minha irmã, tirou ela de mim e destruiu a minha vida!” E, então, apontou para si. As íris azuladas foram tomadas pela raiva que represara desde que Taivia fora internada, definitivamente. “Você me roubou uma vida inteira!” O volume de sua voz se elevara enquanto a princesa falava. Ela nunca desejara a posição que ocupava hoje. Sempre quisera uma vida longe da Rússia, em algum lugar que a aceitasse como seu país não o fazia. Mas, graças a Tristan, ela perdera alguém que verdadeiramente amara, perdera a chance de escolher o que fazer e, bem, perdera a si mesma. Talvez, todas as discussões e brigas, fosse uma forma de dizer que não poderiam tomá-la por completo, no entanto, Nastya sabia que em breve não teria mais sua vontade, mas a vontade que queriam dela. Teria de pensar no que era melhor para o povo, e não para ela. E o culpado disso era Tristan.