Bene, Nena devia admitir, ela não esperava ter que mostrar a lingerie preta para metade do corpo discente rebelde, e muito menos para o professor de educação física, mas ela precisava mesmo falar com Tristan! Não queria que Marinette a odiasse pelo resto da vida, e sabia da proximidade de seu fã #1 com a cugina. Quem poderia julgar os níveis de prioridade da Brunelleschi, vero? Ela quase riu ante a reação do Bourgeois, deliciada pelo olhar sobre si — não só dele, na verdade, mas Verena estava prestando atenção nas reações do francês — antes de piscar, dando-se por satisfeita assim que percebeu que já estava fora da sala de detenção. Oh, ela sabia que haveriam consequências, então meramente levantou o indicador, pedindo que o professor se calasse ao emitir um chiado que deveria se assemelhar a um pedido de silêncio, olhos cerrados e biquinho muito bem formado. “You know what? Let’s just forget it happened, ok? I know it sounds dumb. ¹” Deu de ombros, ajeitando a mecha do cabelo atrás da orelha ao pender a cabeça para o lado, repuxando o canto dos lábios para cima. “Mas eu precisava compartimentar ², sabe? Tutti sabem que nosso time sempre perde pro outro… Uma distração não viria em mal momento, vero?” Argumentou, piscando uma única vez para o professor antes de voltar o olhar para o restante dos alunos detidos, sobrancelha arqueada antes de pedir silêncio com um pequeno gesto. “Sempre bello vederti! Sono contento che hai perso peso! ³” Deu um tapinha antes de se dirigir para fora da sala de detenção, quase correndo para falar com Tristan. […] “Ei, Tris.” Repuxou o canto dos lábios ao se inclinar sobre a mureta, pendendo a cabeça para o lado ao ver toda a cena que se desenrolava à sua frente: oh, ele até que ficava bonitinho com as folhagens no cabelo e na roupa, non? “Não sabia que detestava tanto as plantas…” Começou em tom brincalhão, acenando brevemente para os arbustos destruídos antes de se sentar na mureta, balançando as pernas para frente e para trás. Precisava amaciá-lo antes de pedir favores, ainda que soubesse que o francês não era maluco o suficiente para negar algo a ela. Que melhor forma, senão dando uma ajudinha, vero? Nena já tinha pulado da mureta e se aproximava do francês a passos rápidos, quando o professor surgiu pela janela, obrigando a Brunelleschi a pensar. Empurrou o moreno contra a parede, cobrindo a boca dele com uma das suas mãos enquanto a outra gesticulava para cima, como se estivesse tentando avisá-lo, para então se esgueirar até o lado dele e prender a respiração, olhando para cima. De onde estavam, Nena calculava, ele não seria capaz de vê-los. Aquilo, a italiana sabia por conta própria: anos a fio se esgueirando pelos corredores do palazzo em Roma e em Verdare concederam um pouco de furtividade à Brunelleschi — veja bem, ela tinha vários projetos em paralelo, e nem sempre podia confiar em ajudantes para fazer seu trabalho por ela; ademais, fora assim que descobrira as melhores passagens para a ala dos guardas. Assim que a janela se fechou, a italiana pôde suspirar aliviada, recostada contra a parede antes de oferecer um sorriso reconfortante para Tristan, ciente de que a mão caíra do peito do outro e agora estava quase colada com a dele. “Vabbè, agora parece que você me deve duas.” Provocou, franzindo o nariz minimamente antes de suavizar as expressões, tomando a destra dele antes de puxá-la com algum entusiasmo. “Mas ele não vai se dar por satisfeito por muito tempo, você sabe… É melhor que a gente saia daqui.”
O tempo que Verena levou para se livrar do inconveniente professor pareceu casar exatamente com a pausa que o francês precisou para conseguir se esgueirar para fora do jardim. Quem diria que uma queda daquela poderia provocar tanta dor? Tinha certeza que ficaria com alguns belos hematomas ao anoitecer. Mas valia a pena se fosse parar para pensar que tudo tinha sido em prol do seu anjo inspirador, certo? Certíssimo, ele diria! E o duque era vaidoso o suficiente para que estivesse tentando dar um jeito na própria aparência quando a princesa finalmente o alcançou, interrompendo assim o seu patético processo de retirada de folhas do próprio cabelo. ❛ —— Isso não tem graça, amor. Eu não sabia que as plantas estavam por aqui. ❜ Era claro que a utilização do apelido carinhoso não passava de um prosseguimento da brincadeira interna que ainda acabariam se casando em breve. Todavia, um homem poderia sonhar, não é mesmo? Porque quando fora jogado de maneira tão brusca na parede, ainda que por um milésimo de segundos, tudo que conseguia imaginar era que aquela pudesse ter sido a intenção de Nena: agarrá-lo para que pudessem ter um novo beijo, algo que não poderia esperar. Será que ela finalmente tinha percebido que eles formariam um excelente paz? Definitivamente, era o dia mais feliz de sua vida! Acontece que ele não demorou muito para ser acordado com um belo banho de água fria! Seus olhos se reviraram quando sentiu a mão sobre a sua boca e, lentamente, sua esquerda se levantou para que pudesse afastar o toque alheio com delicadeza. ❛ —— Já tinha imaginado várias vezes que você ainda acabaria me imprensando na parede assim, mas não por esse motivo, Nena. ❜ Esclareceu com um bufar baixo, tentando não pensar muito na proximidade entre seus corpos para não voltar a se iludir tão precocemente. ❛ —— Vamos para o meu quarto, pode ser? Eu prometo não te agarrar sem que você peça.❜ Ele disse em uma clara brincadeira, empurrando com gentileza os ombros da princesa para que pudesse afastá-la com o intuito de que seguissem seu rumo de uma vez.