flashback | halloween party
Embora Blake não fosse lá um homem muito doce, certamente era um dos mais prestativos. Assim que ouviu o comentário sobre a pipoca, não tardou a olhar em volta, procurando algum carrinho onde pudesse conseguir um pouco. Ao avistar um carrinho, não tão longe, fez um gesto a ela com as mãos como se pedisse um segundo. Levantou-se das almofadas e, poucos minutos depois, já voltava com um baldinho de pipoca. Sentou-se ao lado dela de novo e entregou a ela as pipocas. Por um momento, sentiu como se tivessem voltado a ficarem juntos. Durante a fase em que estiveram juntos, Cornelia não podia manifestar algum tipo de desejo sem que ele logo tentasse fazê-lo.
“Eu espero que agora esteja perfeito o suficiente.”
Foi difícil conter o sorriso por trás da máscara. Ali estava ela, tão perto e ao mesmo tempo tão longe dele! As coisas se complicaram de forma exponencial para eles: Antes, o que os impedia era a mãe dela e um sistema de castas. Agora, a lei também impedia. Amar uma selecionada era um ato de traição, e era algo a ser mantido a sete chaves.
As coisas se transformaram quando ela mencionou os filmes de terror. Blake pôde sentir as bochechas queimarem por trás da máscara. Ele teria que ser forte naquela noite. Mas, bem… Se o medo desse a ele uma brecha para pelo menos tocar na mão dela, por quê não?
Sem saber direito o que responder, Blake apenas assentiu. Não achava uma boa ideia deixar com que ela se aproximasse. Na verdade, o ideal era que ele mantivesse distância dela e não estivesse ali, feito um imbecil, ocultando a própria identidade pra que ela não saísse correndo, irritada por estar com o ex namorado e não com um cara legal.
O áudio do início do filme já foi o suficiente para que o corpo de Blake ficasse tenso. Reeve engoliu em seco, se perguntando por quê diabos alguém gosta de filmes que dão medo. Era quase sadomasoquismo! No entanto, ele tentava manter-se firme. Detestava filmes de terror, mas não queria deixar Nellie com qualquer suspeitas.
De cenho franzido, não entendeu o afastamento do rapaz, sempre calado e misterioso, mas sorriu quando o viu voltar com o baldinho de pipoca. 『 — Não me lembrava de Jason ser assim tão gentil nos filmes. 』 Brincou, pensando se o outro era mesmo prestativo daquele jeito ou estava apenas tentando impressioná-la por algum motivo. Se ela soubesse quem era por trás da máscara, saberia bem que era a primeira opção; Blake não media esforços para a agradar a ruiva quando namoravam. 『 — Está perfeito! Obrigada, aliás. Você não vai comer? 』 Perguntou, pensando que seria uma bela oportunidade para que ele levantasse um pouquinho a máscara e ela pudesse ver nem que fosse um pedacinho de seu rosto.
Parecia injusto, para ela, que ele pudesse ver suas reações e ela não soubesse nadinha dele. Ah, se ela soubesse que era melhor aproveitar de sua companhia sem saber de quem se tratava. Se fosse um pouco mais atenta, talvez percebesse os sinais. Mas considerando que não conhecia a história completa e, de acordo com o que sabia, Blake era o ex-namorado babaca, jamais cogitaria a possibilidade de que fosse ele ali. Então, acreditando estar apenas fazendo um bom amigo, tocou o braço dele quando percebeu o filme começar. 『 — Se preferir não assistir, podemos fazer outra coisa, tudo bem? 』