Gosto dos vestidos dela. Quase sempre que a vejo, está de vestido. Cada um mais bonito que o outro, cobrindo a pele dela. Gosto da pele dela. Quando encosta na minha e contrasta, e choca, e arrepia. Como se não esperasse o toque, já premeditado. Gosto do toque dela. Do jeito como os dedos se enroscam nos meus dedos e mais tarde tiram minha calça. Daqueles dedos miúdos que ela insiste em comparar com os meus alegando igualdade. Gosto das conversas. Quando conto as piores piadas do mundo e, por um minuto ou dois, ela ri desesperadamente do quanto me gosta. Do jeito como ela gesticula tudo que sai de sua boca e contraria-se com minhas piadas de mal gosto. Gosto da risada dela. Do jeito como os lábios se abrem estrondosos, revelando os dentes de coelho. Do som da voz dela girando em uma gargalhada gostosa. Gosto dos sinais dela. Todos eles, espalhados pelo corpo todo, como infinitas e imensuráveis constelações a alguns milímetros do meu toque. Lindos, contornando as linhas de meus beijos no corpo dela. Amo o jeito como ela me olha. Como os olhos se apertam apenas na suavidade de um sorriso tranquilo e encontram meus olhos. Como parece que não existem bilhões de pessoas lá fora. Não. Somos apenas nós. Talvez as pessoas tenham suas razões sobre o amor e isso seja bom; mas gosto tanto de perder minha razão nela.



















