era complicado em muitos níveis. minhye nunca quis sumir, contudo, viu-se obrigada uma vez que a sobrevivência dependia de se esconder. e, por mais que ainda fosse ela mesma, se despedir da própria identidade sem dar a ninguém a chance de dizer adeus era bastante cruel. para alguns mais do que para outros. mesmo que fosse fortemente movida pelas emoções, nunca nutria apego o suficiente para durar mais de alguns meses com a mesma pessoa (sem traí-la); talvez fosse o trauma pelo primeiro relacionamento ou talvez fosse apenas a índole duvidosa mesmo, e em casos assim, abandonar não era realmente um problema. o fato é que, independente de toda a concepção de liberdade que seguia, prendeu-se na necessidade de estar perto de jesse, mesmo sem que ele soubesse até que ponto havia chegado apenas para poder tocá-lo de novo quando ainda estava disfarçada como minhyun. e essa era uma das escolhas mais egoístas de toda a sua vida. porque, todos os problemas que tinha eram em decorrência de suas ações precipitadas, e dos erros que cometia em nome do individualismo. se envolver incontáveis vezes com ele foi um erro. e continuaria sendo um erro independente da mudança de cenário. e mesmo assim, sabia que erraria quantas vezes fosse necessário, porque a intensidade de seus desejos a deixavam cega. e, o pior de tudo é que ele também não sabia disso. não fazia ideia. era apenas mais uma pessoa abandonada por minhye, esquecida durante os anos onde desapareceu sem dar notícias para ninguém. o quão absolutamente confuso deveria ser tê-la agora tão perto? ela não podia imaginar.
os olhos estavam inquietos, o estômago revirava com uma ansiedade esquisita nos poucos segundos de silêncio que aguardou antes de poder ouvir novamente o som da voz de minjae. e ah… a primeira frase dita era tão típica dele que acabou deixando escapar uma risada, no fundo, o peito apertando pela falta que sentia. ❝———— bem viva.❞ esticou os braços, olhando para o próprio corpo antes de voltar a sustentar o olhar alheio. boba. era isso que era. já nessa idade e ainda assim incapaz de conter o próprio coração acelerado apenas a uma menção de toque. a postura, entretanto, permanecia a mesma, já que era boa fingindo não estar sendo vítima daquele temporal interno que se formava em sua mente, todo um oceano particular de caos com pensamentos mistos diante de sua conduta daquele momento adiante. mordeu o lábio inferior, e o olhar foi para baixo tão rápido quanto voltou a fitá-lo. se havia chegado longe o bastante para estabelecer contato no lugar de fugir, então, deveria dar continuidade ao que queria; uma vez que já estava mais do que sobreposto ao que deveria. ❝———— não.❞ dessa vez, acabou instintivamente colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha ❝———— “nunca mais” é muito tempo. principalmente ‘pra ficar longe daqui.❞ e de você, completou mentalmente. nunca tivera problema com insegurança, pelo contrário, o claro egocentrismo tornava-a apta a tomar iniciativas quando mais ninguém conseguia, mesmo assim, continuava a pensar quão longe deveria ir nesse primeiro encontro. talvez, agora que estava de volta definitivamente, finalmente pudesse explicar uma ou duas coisas sobre seu desaparecimento, portanto, apenas engoliu os receios ao estender a mão e segurar a alheia, tentando ignorar o choque que o contato físico causou, e esperando, do fundo do coração, que não houvesse resistência por parte dele. ❝———— eu sei que você tem muitas perguntas…❞ não sabia realmente, mas, era uma criatura orgulhosa. ❝———— … mas aqui não é o melhor lugar ‘pra responder nenhuma.❞
Era tudo muito surreal. De repente ela tinha derrubado todas as barreiras de uma só vez, com apenas duas palavras. Seria uma mentira tremenda se ele dissesse que nunca tinha se peguntado o que aconteceu com ela. Por mais que tivesse assumido que Minhye tinha simplesmente desistido dele, era impossível acreditar que uma pessoa podia desaparecer completamente, sem deixar nenhum rastro sequer. Ele merecia pelo menos uma despedida, não merecia? O som da risada dela o fez sentir um estranho frio na barriga. Era quase como um flashback em tempo real de todas as vezes que Jesse disse alguma bobagem e ela sorriu daquele jeito. Naquele tempo o garoto tinha chegado a acreditar que tinha finalmente encontrado alguém que ficaria por um tempo, mas de uma hora para outra ela desapareceu e ele ficou lá, com as lembranças e o sentimento de que não tinha direito nenhum de cobrar nada dela porque nuca tinham sido um casal propriamente dito. Não sabia exatamente o que dizer. Por um tempo tinha alimentado esperanças de que ela voltaria, mas uma hora isso passou. Tanta coisa tinha acontecido nesse meio tempo... À essa altura ele simplesmente tinha assumido que não se veriam mais.
Quando a mão dela alcançou a dele, um arrepio lhe percorreu o corpo inteiro. Era ridículo que um simples toque o afetasse daquele jeito, ainda mais ele sendo do jeito que era, um imbecil, desgarrado, que nunca tinha tido um relacionamento duradouro. O rapaz encarou as mãos entrelaçadas, sentindo a vontade de abraçá-la crescer dentro do peito, sem ter coragem de se mover. — Eu tenho muitas perguntas. — respondeu, olhando-a nos olhos. Se ele fosse outra pessoa, talvez sentisse raiva dela. Se ela fosse outra pessoa, ele provavelmente não se importaria o suficiente para querer as respostas para todas as perguntas que tinha. Mas ela era Minhye e ele era Minjae, o grande idiota que se apaixonou por ela numa noite inconsequente e nunca se permitiu admitir isso. — E onde é? — perguntou, finalmente tomando coragem para fazer um avanço e tirar uma mecha de cabelo do rosto dela. — Você sabe que eu iria atrás de você em qualquer lugar, não sabe?