help.
@nxminwook.
A noite corria bem. Relaxamento era algo pouco presente em seu dia a dia, sua existência resumindo-se às preocupações de seu trabalho e às mínimas interações sociais que possuía. Entretanto, fora arrastado para fora de casa por Jongsuk e, embora fingisse irritação, Taehyun se sentia satisfeito por poder espairecer sua mente, após tantas ocorrências caóticas. Decidiu voltar para casa sozinho, sabendo que o mais novo tinha outras preocupações, também optando por voltar a pé, já que caminhar pela ilha era deveras reconfortante para si. Havia pouco movimento pela região, o que era estranho para si, mas lhe deixava grato ao mesmo tempo. Precisava daquele silêncio para pensar, sempre buscando racionalizar seus sentimentos até que estes não existissem. Aquilo não se tornara mais possível, porém. Ao passar pelo local que encontrara Minwook, logo teve de lidar com um fluxo intenso de memórias, as boas, as ruins, e as que o tornaram amargurado. Ainda não conseguia entender o que se passara naquela noite, nem muito menos o que as palavras trocadas na manhã seguinte poderiam dizer. Há muitos anos não se sentia tão confuso. Suspirou pesadamente, parando no meio da rua enquanto sua mente reconstruía o acontecido. Deus, era um grande idiota.
Seus devaneios logo foram interrompidos ao ouvir pequenos grunhidos de dor, seu olhar sendo atraído para um beco mal iluminado. — Minwook...? — chamou, mal conseguindo acreditar que encontrava o antigo namorado abandonado na rua pela segunda vez em um período tão curto de tempo. Não tinha ideia do que poderia estar acontecendo com ele, mas a preocupação que sentia na boca de seu estômago permanecia a mesma. Por vezes, desejava nunca tê-lo visto novamente: ao menos daquela forma, podia simplesmente convencer-se de que Minwook estava feliz, que nunca havia precisado de si em sua vida, e então lhe restava lidar apenas com sua dor, e não com a necessidade latente de tomá-lo em seus braços e acolhê-lo em sua casa. Ao aproximar-se, porém, agachando-se para ajudá-lo a levantar-se, em uma repetição do que havia feito da última vez, pode observar o sangue que escorria por seu pescoço. A surpresa fez com que seu corpo se movesse na direção oposta, um grito lhe escapando antes que qualquer reação pudesse tomar conta de seu corpo. Sua mente foi tomada pelo desespero, suas mãos trêmulas pegando o celular para que pudesse discar para o número de emergência. Xingamentos lhe escapavam enquanto estava na linha, seu instinto o levando a improvisar uma atadura sobre o pescoço alheio com sua blusa, permanecendo apenas com sua jaqueta. O que diabos ele estava pensando? Por que estava naquele estado — não apenas sangrando, mas miserável? Por que Taehyun era quem tinha de encontrá-lo assim, pálido e tão vazio de vida?
Forçou-se a engolir o desespero enquanto pressionava o ferimento, coração batendo apressado enquanto tentava conversar com o mais velho, fazê-lo reagir.
Não demorou para que a ambulância chegasse. Um local como Nami não possuía inúmeras emergências, por óbvio. Taehyun mal soube o que dizer para os socorristas, permanecendo ao lado de Minwook em um estado catatônico. Não conseguia processar tamanha carga emocional (até porque, há anos não sentia nada parecido). Encontrá-lo havia sido bagunça o suficiente, as sensações de sua juventude brotando em sua pele como ora como flores, ora como espinhos. Agora, encontrá-lo definhando em um beco era demais para si: não possuía reação, apenas sentindo seu corpo tremer e seu coração agitar-se, uma preocupação desumana parecendo apossar-se de si. Foi só ao vê-lo sendo acolhido pelos médicos que a dor passou a dominar como um soco no estômago. O que faria se Minwook morresse? O que faria com todas as perguntas, respostas e verdades que precisava dizer? O que faria com o amor mal resolvido que possuía? Privilegiado pela condição de acompanhante do enfermo, conseguiu adentrar no quarto do advogado assim que sua condição foi estabilizada, permanecendo ao lado de sua cama durante toda a madrugada. Não comeu e, tirando o breve cochilo de quinze minutos que tirou perto do amanhecer, não dormiu. Não conseguia pensar em mais nada além daquela situação análoga a um de seus piores pesadelos. Levantou-se de sua poltrona para alongar-se, não resistindo à sua tentação: sentou-se ao lado de Minwook, seus dedos tocando o rosto dele, que já havia recuperado alguma cor. — Acorde, por favor. — pediu, incerto de seu estado. — Vamos lá. Você precisa ver o sol nascer. Você ainda gosta disso...? — sua voz, rouca e fraca, mal era ouvida no quarto vazio. Sentia o choro preso em sua garganta, porém recusava-se a deixá-lo sair. Precisava ser forte — não por si, mas por Minwook.











