o tédio é o pássaro onírico que choca os ovos da experiência
Walter Benjamin em “Textos escolhidos”.

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o tédio é o pássaro onírico que choca os ovos da experiência
Walter Benjamin em “Textos escolhidos”.
Envelhecer
Antes, todos os caminhos iam. Agora todos os caminhos vêm A casa é acolhedora, os livros poucos. E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.
Poeminha sentimental
O meu amor, o meu amor, Maria É como um fio telegráfico da estrada Aonde vêm pousar as andorinhas… De vez em quando chega uma E canta (Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!) Canta e vai-se embora Outra, nem isso, Mal chega, vai-se embora. A última que passou Limitou-se a fazer cocô No meu pobre fio de vida! No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo: As andorinhas é que mudam.
Oh me! Oh life! of the questions of these recurring, Of the endless trains of the faithless, of cities fill’d with the foolish, Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I, and who more faithless?) Of eyes that vainly crave the light, of the objects mean, of the struggle ever renew’d, Of the poor results of all, of the plodding and sordid crowds I see around me, Of the empty and useless years of the rest, with the rest me intertwined, The question, O me! so sad, recurring—What good amid these, O me, O life? Answer. That you are here—that life exists and identity, That the powerful play goes on, and you may contribute a verse.
O Me! O Life!, by Walt Whitman, Leaves of Grass (1892), via Poetry Foundation
Perguntou-me, depois, se eu não estava interessado em uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida; que, em todo caso, todas as vidas se equivalem, e que a minha, aqui, não me desagradava em absoluto
O Estrangeiro, de Alberto Camus, p. 44
The Good Place
Curiosidade. O Tupi é uma língua que apresenta o tempo nominal. O verbo não expressa tempo. Em tupi existe o tempo do substantivo. Para isso, usam-se os sufixos RAMA (futuro, promissor, que vai ser) e PÛERA (passado, velho, superado, que já foi). Ybyrá - árvore. Ybyrárama - muda (a futura árvore). Ybyrápûera - tronco, toco de árvore (a ex-árvore, a árvore que já foi). É um belo exemplo de como as línguas recortam o mundo de forma diferente: em tupi, o movimento no tempo é o movimento das coisas. Lindo isso, não? #PapoDeLinguista
Prof. Sérgio Freire no Facebook
Aqui poderia até invocar os argumentos de Wittgenstein contra a linguagem privada, para indicar que as palavras não tem sentido senão quando compartilhadas... mas no fundo sabemos que o escritor que não é (bem/mal, não importa) reconstruído na leitura por outros simplesmente não chamamos de “escritor”.
“Como e por que escrevo”, por Eduardo Pinheiro para o Papo de Homem.
Para escrever, precisamos isolamento na prática, mas uma crença quixotesca no poder das palavras em geral e de nossas palavras em particular. Poder de tocar os outros, no sentido de atingir, incomodar, alterar. Mas nenhum escritor, seja de ficção seja ensaísta ou outro, por mais que venda a si próprio como pouca coisa, maldito ou algo assim, funciona sem a megalomania de que a atenção despejada sobre suas ideias na página será significativa para os outros.
“Como e por que escrevo”, por Eduardo Pinheiro para o Papo de Homem.
Nasceram no mesmo ano. Os pais eram amigos, moravam na mesma quadra. Brincaram juntas, iam juntas ao colégio, ficaram mocinhas com diferença de dias. Às vezes também dormiam abraçadinhas. Coisa de adolescente, desculpavam as mães, um pouco desconfiadas de tanto grude. Acabaram se apaixonando. O amor tão urgente delas durou bem mais do que se pevia. Anos depois, os pais se acostumaram. Um belo dia elas resolveram casar e casaram. Com diferença de dias.
Mar e lua (Luiz Paulo Faccioli)
Resenhar um livro requer sempre alguns cuidados. Ao chamar a atenção para as peculiaridades, méritos ou eventuais defeitos da obra que comenta, o resenhista corre o risco de antecipar o que o leitor precisa descobrir por ele mesmo. Esse é um equilíbrio dos mais delicados: falar do essencial de um livro sem trair o leitor, seja por sonegar informações necessárias a que ele entenda exatamente do que se fala, seja por interferir no mais interessante, que é o caminho escolhido pelo autor para contar sua história. Um livro não lido deve ser preservado como a caixa de infinitas surpresas que a literatura está sempre disposta a nos proporcionar.
Luiz Paulo Faccioli. Um verão quase outono (resenha de O verão tardio, de Luiz Ruffato).
Regras podem ser quebradas - mas nunca ignoradas
David Jury, tipógrafo e autor, na página de rosto de seu livro “About Face”. Extraído do livro “Elementos do design: guia de estilo gráfico”, de Timothy Samara.
Há uma grande diferença entre um vaso e um penico, e nessa diferença existe espaço para a cultura.
Adolf Loos, arquiteto vienense, por volta de 1932. Extraído do livro “Elementos do design: guia de estilo gráfico”, de Timothy Samara.
Do Instagram da New Yorker.
Entre Abelhas (2015)
"Afinal, o que é design thinking?" de Rique Nitzsche. p. 28.