No dia da anunciação Vestida de branco Como quem tece o balanço Do atravessar da rua da chuva Até o altar divino do amor Despir-se das alvas vestimentas Foi o que relevou essa absurda tormenta Permeada de vulnerabilidades Ali - Nua Relevando suas idades Os pedacinhos dela então se juntaram Espelho cristalino Quando te viu sorrindo Do outro lado da rua Ou atravessando a cidade em dia de chuva Parecia um pulo na eternidade E ela mergulhou de verdade Mesmo temendo a imensidão do mar Ele a segurou com vontade Ela que amava amar o amor Pulou de bico Enquanto seu alvo vestido Escorria pelo taco O amor deles sempre foi matéria escorregadia Mas todo dia ele dizia que tinha atracado o barco Marinheiro fincado em seu coração Era tudo que ela podia querer Então foi fincando os pés na areia grossa e quente Foi ficando contente de enfim ter encontrado O parceiro dessa viagem chamada vida Teceram intimidades Construíram uma lida Lida porque nem todos os dias eram fáceis Mas a coragem no amor Sempre os fazia voltar para aquela mesa Onde a refeição era servida todos os dias E branco era a cor do amor Depois de atravessar a rua Três cidades Toda uma mocidade Que sonhou um dia vestir-se de branco A brutalidade os atravessou E ela chorou com o ir e vir daquela onda Apostou que o mar ia se acalmar Pensou que não era ainda tempo De zarpar Ninguém entenderia Como aquele vestido branco Agora assumia cores tão sombrias Mesmo agradecendo a Iansã pela tempestade E pelos ventos que a sopraram até ele Naquele mês de Maio Mesmo sendo grata a Iemanjá Por se permitir o mergulho O vestido alvo e puro Já estava machado de sangue E nem mesmo as águas do mar Poderiam lavá-lo Foi bom tê-lo denominado casa E por longos anos ou quem sabe Fugidios Ele era tudo que ela tinha Agora se desfez de todos vestidos brancos Do armário Ninguém entenderia Como foi que ela deixou de acreditar No encontro das águas











