"Nada floresce parado.
Nada cresce imóvel.
E nós não somos exceção."
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@regeneracao
"Nada floresce parado.
Nada cresce imóvel.
E nós não somos exceção."
@regeneracao
Preso o corpo, presa a alma.
Quer saber como eu estou?
Eu estou ótima.
Nunca estive tão bem em toda a minha vida.
Finalmente encontrei um lugar ao qual eu pertenço.
Me livrei das cargas que me adoeciam por dentro, das vozes que me pesavam, das amarras que me faziam duvidar de mim.
Voltei a desenhar. A tocar violão. A ler os livros que jaziam empoeirados na estante, esperando que eu voltasse a ter disposição para sentir. Voltei a dançar — e dançar muito. Voltei a cozinhar todos os dias e descobri que sei, que amo, e que a minha comida tem o sabor de quem está viva.
Eu só não conseguia fazer isso antes porque estava presa. Preso o corpo, presa a alma. Um tipo de prisão invisível, feita de medo e silêncio.
Sim, eu acredito que tudo tem um propósito. Mesmo o que dói, mesmo o que parte. Mas não posso fingir que não me machuquei. Porque eu me machuquei — e muito. Fui ferida, ignorada, tantas vezes não ouvida.
Hoje, porém, eu me liberto.
Das algemas.
Das correntes.
Das grades que me impediam de correr, de voar.
Hoje eu arrebento a porta da gaiola.
E, por fim, abro minhas asas para voar alto. Altíssimo. Como quem, pela primeira vez, sente o gosto verdadeiro da própria liberdade.
Muitas vezes, a vida acontece sem explicação.
Algumas coisas são tão pequenas que parecem não importar, outras doem tanto que nos atravessam por completo.
Dizem que tudo tem um propósito, mas eu já não acredito tanto nisso. Algumas coisas simplesmente não têm destino, nem recompensa.
Servem apenas para nos tornar mais fortes.
Mais resistentes às próximas ondas.
Eu sei que já caminhei por lugares injustos. Lugares onde eu não merecia estar. Vivi coisas que não merecia viver. E, ainda assim, às vezes duvido disso.
Como se, no fundo, houvesse algo em mim que precisasse ser punido, uma culpa antiga, invisível, que a vida insiste em cobrar.
São tantos questionamentos.
Tantas vozes dentro da cabeça tentando achar uma direção.
E é estranho olhar para a realidade sem entender para onde ela quer me levar.
Mas sigo em frente.
Forte, porque foi assim que as situações me moldaram.
Aprendi que muitos eventos nascem das ações de outras pessoas, e que nem tudo o que vivi teve a ver comigo. Mesmo assim, isso me deixou mais atenta, para que certas histórias não se repitam nem comigo, nem com os outros.
Viver nesse estado de alerta é cansativo. É difícil confiar na bondade quando ela se aproxima.
Mas eu tento.
Tento não perder a capacidade de ver o melhor nas pessoas. Porque, apesar de tudo, ainda quero acreditar que o bem existe e que ele pode, um dia, descansar dentro de mim.
Eu não acho que você deva voltar pra minha vida.
Acredito que todo afastamento tem um porquê, um como, um quando, um onde.
E percebi que você escolheu.
Você quis.
Naquele dia em que decidiu parar de falar comigo, de dividir a sua vida comigo.
Eu não te culpo.
Não acho que tenha cometido um erro ao ir embora, ao me expulsar da sua história. Só acredito que poderia haver mais sinceridade na sua fala, quando dizia que algo em mim te chateava sendo que eu nunca tive sequer a chance de te machucar.
Você se foi antes disso. Foi embora sem aviso, de maneira completa, sem deixar vestígios, sem permitir que eu te acompanhasse de qualquer forma que fosse.
Hoje eu entendo. Entendo que nossos caminhos são diferentes, e que talvez você esteja tão perdida que nem saiba o caminho de volta. Você não voltou, e talvez nem consiga voltar — não por falta de vontade, mas porque esqueceu como.
Perdeu-se nos pensamentos equivocados de que coisas superficiais podem preencher o vazio que carrega no peito.E eu não digo isso por me achar capaz de curá-lo, digo porque sei que não é desse modo que se encontra paz.
Eu só espero não repetir comigo mesma o que vivi com você. Não deixar que volte, por mais que em algum momento eu tenha desejado. Por mais que tenha tentado me convencer de que estava tudo bem.
Mas houve um instante em que precisei parar.
Sentar comigo.
E sentir toda a dor da sua ausência.
Hoje estou curada.
Cicatrizada.
E que essa marca — essa linha fina que ficou no lugar onde antes havia ferida — me lembre sempre que não vale a pena dar uma nova chance a quem nunca quis recebê-la.
bom dia bom dia
olha quem voltei! bora conversar 🩷
eu estava cansado de fingir que tudo estava bem então eu me permiti desabar pelo menos por hoje só hoje.
a parte mais difícil de confrontar a mim mesma, é a impossibilidade de fazê-lo com o outro. as emoções afloram na superfície da pele, o coração entra em arritmia e os pensamentos surgem em cascata.
o peito dói,
a cabeça titubeia
e as palavras me engasgam.
a capacidade de julgar o que é necessário ou não no dizer é comprometida, e a mente foca unicamente na vontade - quase - incontrolável de vomitar as frases cheias de sentimentos de maneira imprudente e nada razoável.
entendo que não posso controlar os atos dos outros, mas isso também é o que me mata.
A minha dor e a de todo mundo
Eu olho ao meu redor E me sinto pior Achando que minha dor É o fim do mundo Mas há coisas muito piores Acontecendo lá fora É violência por todo lado Pessoas passando fome Morrendo na fila do SUS Enquanto lá do outro lado Milhares morrem bombardeados Onde esse mundo vai parar? Eu não sei! Agora eu continuo sentindo a minha dor E a de todo mundo. Nessa Cross
meu peito tem essa brasa tímida que queima e brilha em legítima defesa
Quem te largou no meio do oceano não tem direito de saber o que aconteceu entre você e os tubarões e muito menos como você conseguiu chegar a praia.
Minhas linhas podem não ser mais afogueadas, mas meu coração ainda queima.
Lucas Jonathan Gama
Indicação de novo tumblr de textos: @evasivamente
No início deste ano, passei pela melhor pior fase da minha vida. Isso mesmo. Ainda que seja paradoxal e até um tanto sarcástico, eu conheci a melhor forma de enfrentar o pior, através do enfrentamento de sofrimentos passados. Finalmente decidi abrir meu baú de tralhas, jogá-las fora e substituí-las por memórias.
Vivi muitos anos da minha vida com o pensamento equivocado de que colecionava memórias, quando na verdade estava acumulando lixo, e sabemos que tal hábito não é saudável – tanto material quanto emocional e psicologicamente. Aqui você pode começar a pensar que a leitura vai ser cansativa, pois todos enfrentam demônios e se machucam ao saltar do ninho durante a vida e isso não seria novidade.
Entretanto, gosto de pensar que se este fato fosse realmente fato, não existiriam tantos pássaros presos em gaiolas abertas – assim como eu estava. E que sensação estranha quando percebemos que a gaiola estava aberta o tempo todo e que simplesmente não enxergávamos a imensidão que havia além dali. E como, talvez, teria sido mais fácil se alguém pudesse ter mostrado isso de forma fatídica e direta – será que eu teria concordado ou mesmo prestado atenção? Não.
Essa coisa toda da libertação de uma gaiola aberta só acontece quando conseguimos enxergar, por nós mesmos, que nascemos pássaros, somos empurrados do ninho e, muitas vezes, a queda nos machuca – ou mata. Como estamos aqui, é certo que não morremos e aprendemos a voar, apesar dos ferimentos temporários da primeira queda. Contudo, a pressão externa que absorvemos de que existe um voo perfeito ou a crença adquirida – e completamente equivocada – de que não nascemos para voar, nos leva a gostar do conforto ilusório da gaiola aberta.
Existe uma falsa sensação de liberdade nessa metáfora, justamente porque na presença de um predador será impossível fugir: você será apanhado. E é justamente dessa maneira que os predadores esperam que você se comporte. E a partir do momento que entendemos tudo isso, precisamos decidir o que fazer com a informação e nem sempre vai ser um processo fácil – muito menos prazeroso.
Depois de aliviar o coração da dor de descobrir que estava sendo aprisionado por sua própria mente, o pássaro finalmente pode decidir vencer o medo de voar mundo afora e encontrar um equilíbrio real. Não existe oito ou oitenta. Não existe a regra de ocupar um extremo ou outro. Quem criou isso foi um ser humano desequilibrado que se recusava a fazer terapia por achar que era bem resolvido consigo mesmo.
O próprio Criador do universo instituiu equilíbrio na sua criação, em todos os ecossistemas, e não estaria tudo funcionando tão bem se isso fosse algo prejudicial – deixando de lado aqui a interferência destrutiva do ser humano na natureza. Sendo assim, a árvore foi criada para nos prover o oxigênio, frutificar, providenciar sombra e, pasme, abrigo aos pássaros. Sim, eu sei que é óbvio. Mas se nos lembrássemos disso com frequência não teríamos nos permitido estar em uma prisão sem cadeias.
Da próxima vez que um predador te disser como voar ou privar você disso, simplesmente deixe aquele local e voe para onde é o seu lugar: a copa mais alta que suas asas permitirem alcançar.
Não existe covardia maior do que fazer alguem duvidar de si mesmo
sobre essa tua vontade de apagar sua própria existência
eu também sinto, e muito.