Para eu não ter que te chamar
Hoje eu não estou conseguindo seguir em frente, me faço fraco, desleal comigo mesmo. Quando sinto tanto a sua falta como agora, tudo que eu queria era poder cessar essa dor e esse sofrimento que diariamente vivo. Cada dia numa magnitude diferente, que abala a mim e o combinado que fiz comigo mesmo de me cuidar, de me curar, de querer o melhor para mim. Descobri que talvez - ainda que seja mais uma idealização intelectível - que somo um par que se completa nos nossos indícios mais patológicos de nossa essência. Você que preza pela dor do outro e eu que insisto em ter algum tipo de recompensa subjetiva em me causar dor. Será que é por isso que eu quero tanto você ainda? Me fala que você conheceu um outro alguém, que você está melhor sem mim, porque eu sei que eu estou, só não estou conseguindo me deixar enxergar isso. Eu sei que viver sem aquelas crises de tortura diária é melhor, mas essa dor de não ter aqui também me sucumbe, me regride,está fio, é inverno, a estação que você gosta. E eu não posso estar ao seu lado para viver mais um inverno. Eu sei que você não é você, você é só a imagem que eu criei de você. E mesmo se eu insistisse infinitas vezes em voltar com você, eu provavelmente iria insistir para que você fosse diferente do que é, pra sempre eu ia ser um co-dependente daquilo que você não nunca foi. Daquilo que eu fantasiei que você foi. Mas porque eu sofro tanto por querer alguém que nunca existiu, só nos meus sonhos? Quer dizer, uma parte de você que eu queria é do jeito que é, será que só ela e suficiente para dominar todo esse sentimento que me aplaca, que me paralisa, que me congela? Ainda há pouco me lembrava de quando vc chegava aqui, sentindo-se confortável em casa, tirava a sua roupa, daquele jeito único que eu nunca vou esquecer. E depois você se refrescava naquele box que incontáveis vezes foi palco para as mais delirantes e alucinantes experiências que passamos juntos. Eu nunca vou esquecer daquela transa depois da festa do fórum, não sei porque me recordo tanto dela, mas eu só sei que essa lembrança e todas as outras que tenho nunca serão serenas, porque elas sempre estarão carregadas com um teor de sofrimento, de arrependimento por elas não terem sido eternas. Você percebe que eu nem consigo ser grato por tudo que vivemos? que eu continuo insistindo no sofrimento de não tê-las mais. Eu sinto muita saudade de te chamar de amor. De te abraçar, de ver você colocando a sua cueca, fazendo aquela ventania nas suas partes, de você levantar a perna. Eu sinto falta da sua praticidade, do seu companheirismo. Mas também não sinto falta dos momentos em que eu queria mais de você, que eu queria um beijo inesperado, uma palavra que me acolhesse, que me fizesse acreditar que aquele caos que a gente passava não era uma crise e não o presságio do nosso fim. Me diz que não me ama mais, que percebeu que eu não caibo na sua vida bandida, noturna. Me diz que eu sou pouco ou que sou grande demais, me diz que eu fui a pior coisa da sua vida e que você não queria o meu abraço, o meu beijo, me diz que você odiava quando eu percorria cada centímetro do seu corpo, te beijando, te amando, Me diz tudo isso é bobagem da minha parte, Me diz que você já viu HTGAWM e que é bem melhor não ter as minhas premissas cinéfilas enquanto assistimos nosso seriado abraçados, deitado no seu peito. Me diz que você já sabe o final de Ozark, que não fez diferença você ver comigo ou não. Me diz que nesses três meses você encontrou um porto seguro em você mesmo para poder viver sem minha presença. as. Mas, por favor, não me diz que você encontrou conforto nos braços de um outro homem, porque eu não capaz de suportar tanta negação, ainda não estou preparado para desconstruir tudo que eu inventei de nós.Mas se você estiver transando com alguém, me diz que você ainda pensa em mim, que era do meu lado que você queria estar, era a mim que você queria estar sentindo nas mais privadas sensações, era a mim que você queria olhando enquanto você espera para gozar, enquanto você se imersa nas suas mais profundas vias de prazer. Me diz que quando você goza na pessoa que te olha, se você não lembra do meu olhar, as vezes, sedento, gracioso e genuíno, mas também do meu olhar estranho, medonho, que clama uma luz, uma passagem para desvendar o enigma que era entender. Eu escrevo esse texto para não ter que te chamar e falar para você tudo que eu sinto. não tem um dia que eu não acorde e que eu não pense em você. Você está afixado na minha mente e eu não consigo sair disso. Eu vim descarregar aqui, porque sei que descarregar falando contigo. Ah, como eu queria que você decidisse me chamar agora, pq assim eu não me culparia tanto. Eu queria tanto ouvir a sua voz, dar as mãos. Nossa, quando você me disse que sentia falta de dar as suas mãos a minha eu senti tanto, senti, como se ela estivesse aqui comigo. Cara, eu amo cada parte do seu corpo, cada detalhe. A sua boca que quase não é boca, o seu nariz feio, grande, a sua sombrancelha falha, o seu lindo sorriso, seus dentes amarelos, o seu rosto de buraquinhos, o seu cabelo, ah eu amava ficar mexendo no seu cabelo e você dizer que ele iria cair mais. Mas e adoro carecas, então eu nem ia importar. Eu me lembro das suas manchas nas costas, da mancha na sua glande, me lembro da sua cicatriz na volta do seu corpo, próximas as suas costas, me lembro da sua pinta na barriga, das suas orelhas, da sua barba, principalmente, quando ela roçava a minha nuca, a minha bunda. Eu me arrepiava imediatamente. Sua panturrilha que é única na face da terra. Até os seus pés são bonitos, Felipe. Eu amo tudo. Ah, eu sinto tanta falta de penetrar você e ouvir os seus suspiros, de ver aquela sua expressão gostosa, de prazer. Eu sinto muita falta também de sentir minhas impressões prostatais quando minhas pernas sobre o seu corpo largo e forte se debruçavam, naqueles movimentos paradisíacos e perfeitos. A cada intensidade, a graça que era ver aquela fluidez, de sentir o impacto de cada flexão. Minhas lágrimas aqui até secaram, mas eu ainda quero pedir desculpas fajutas, fajutas pq não deveriam existir, pois não há o que se desculpar, mas eu me desculpo, porque eu preferia a morte do que te ver nos braços de outro alguém. Me desculpa por não respeitar o tempo de luto e colocar alguém para tentar apaziguar a sua falta, mas a verdade é que ninguém que eu fiquei nesse tempo supriu a mínima falta que sinto de você. Eu me perco em meio a tanto sentimento, a essa pressão que pulsa, que corrói, eu não sei o que fazer para conseguir parar com ela. Me parece que depois de descarregar todas essas palavras aqui me sinto mais calmo e acho que não preciso te chamar, porque não tem um fim útil fazer isso, né. Apesar de que a vontade está aqui, exalante, viva. Vou seguir sem te chamar, meu amor. Vou mais uma vez me fazer forte, por você e por mim.















