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@orefugiopoetico
O meu dia desmorona por pouco pois qualquer coisa que me tire do sério me acompanha por todas as horas seguintes. Eu esqueço por um tempo, mas logo a coisa toda volta e me deixa nervosa e sem conseguir pensar em absolutamente nada além do que me fez ficar daquele jeito no início.
Muitas vezes situações que acontecem depois do gatilho inicial agravam a situação e me pedir calma ou tentar conversar sobre o assunto me deixa ainda mais nervosa e eu acabo explodindo com quem tenta ajudar sem intenção nenhuma de ser desagradável.
E a memória dessa explosão também me acompanha pelo resto do dia, me fazendo sentir que sou uma pessoa horrível por ter perdido a peciência por tão pouco com alguém que só estava tentando ajudar.
A questão da explosão se explica pelo fato de eu não fazer ideia do motivo do nervosismo. Algumas coisas não deveriam me deixar tão tensa, mas deixam e eu não sei explicar o motivo. Então quando alguém me pergunta o que tá acontecendo é como se minha mente ficasse em branco e não importa o quanto eu me esforce pra encontrar uma resposta, ela não vem.
Não ter uma resposta pra algo que somente eu deveria saber é uma coisa desesperadora, é por isso que eu fico nervosa ainda mais quando me perguntam o que houve: eu não sei.
Se eu digo que não sei parece que estou tentando fugir da conversa ou até sendo irônica com quem me perguntou como se essa pessoa tivesse alguma coisa a ver com o que eu tô sentindo naquele momento.
É aí que vem a culpa e eu começo a apontar o dedo pra mim mesma com julgamentos horríveis. Por que eu fiquei nervosa desse jeito? Por que eu não pedi com mais educação pra ser deixada em paz? Por que eu não consigo deixar ninguém chegar perto quando tô assim? Por que esse tipo de coisa me tira tanto do sério? Será que eu sou maluca? Se eu continuar assim ninguém vai me aguentar e eu vou acabar sozinha, é isso o que você quer, Jessica?
Eu gosto de ficar sozinha na maior parte do tempo justamente porque as pessoas tendem a me deixar nervosa. Eu não sei sobre o que falar, porque falar de mim mesma sem que me perguntem sempre me pareceu desagradável e perguntar coisas sobre a vida do outro sempre me pareceu invasivo. Então sou uma daquelas companhias onde o outro precisa ter um monólogo muito emocionante preparado pra não se entediar com meus acenos de cabeça e comentários vazios.
E nesse mundo de hoje, as coisas são muito digitais, então não tenho muito com quem conversar por dois motivos simples: eu não quero atrapalhar ninguém com uma mensagem e também não faço a menor ideia do que conversar. É muito difícil saber se o outro está respondendo por educação ou se está verdadeiramente interessado na minha conversa. Então não tento começar nada.
Não sei se é mesmo por essa falta de interação que eu me sinto vazia como se assunto nenhum me interessasse ou valesse ser discutido durante um café com um amigo. Eu sinto que sou uma pessoa sem conteúdo.
Mas também sinto que sou muito egoísta por não compartilhar meus interesses com ninguém ou mesmo não me aprofundar nesses interesses como eu queria fazer. Eu nunca entendi muito de nada, sempre tem um monte de pessoas que entendem mais do que eu e muitas vezes minha opinião me parece algo ridículo e sem fundamento. Então me calo e só me expresso quando solicitado.
Voltando agora à culpa, ela me deixa mal, muito mal mesmo. Eu perco a vontade de fazer as coisas, meu dia no trabalho fica mais longo, meu rendimento cai em 100% e parece que minha cabeça desliga. A única coisa que eu faço é pensar coisas horríveis sobre mim mesma e contar os minutos pra poder juntar minhas coisas e ir pra casa deitar.
E pode ter certeza que no dia seguinte eu ainda vou estar me sentindo péssima. Não vou fazer minha rotina matinal de me cuidar e cuidar da casa por vários dias e isso vai me deixar mal porque eu não devia parar de me cuidar e da minha casa por uma coisa que eu nem lembro o que era, mas que deixou um sentimento horrível e paralisante dentro de mim até agora e por mais alguns dias, com certeza.
Quando passar eu vou me sentir culpada, mas vou me colocar em pé de novo e me dizer “vamos limpar tudo, cuidar de você e não deixar isso acontecer de novo?” até que isso aconteça de novo.
Esse é meu ciclo.
Um dia eu acordo querendo colocar a minha vida toda em ordem. Eu começo pela casa. Então lavo toda a roupa. Estendo, dobro, guardo. Recolho a louça que deixei pela casa. Lavo tudo. Olho em todos os cantinhos pra encontrar lixo, isqueiros, meias e brinquedos esquecidos dos meus gatos. Não pára por aí, porque eu tô no pique de fazer arte na cozinha. Então procuro uma receita com coisas que tem em casa. Faço um macarrão delicioso com salsicha. Eu sei que é fácil e rápido, mas pra mim é quase gourmet. Fico animada, coloco num pote e já lavo a louça que sujei de novo. Então a fome parece que sumiu ao mesmo tempo que eu fazia o macarrão. Eu olho de novo pra ele e penso que nem tá tão bom assim. Que ninguém vai querer comer aquela porcaria e que eu disperdicei comida mais uma vez tentando ser útil. Eu me sento no sofá. Tento não pensar mais no macarrão. Daqui a pouco a fome bate e ele tá sim delicioso. Eu sento no sofá e espero a fome voltar. Enquanto espero eu ligo a tv num seriado que eu goste, mas fico mesmo é mexendo no celular. Em algum momento eu já abri todos os aplicativos 4 vezes e não tem nada de novo pra eu ver. O tédio bate. Então eu percebo que não tem ninguém com quem eu queira conversar. Na verdade, eu penso que não tem ninguém que queira ser incomodado por mim. Eu nunca falo com ninguém a não ser qe seja pessoalmente. Eu quero fazer alguma coisa, mas não sei o quê. Abro o celular de novo na esperança de ter alguma coisa nova, mas não se passaram nem 2 minutos que eu acabei de bloquear a tela e eu sei que ninguém veio falar comigo. Tem o número daquela amiga que eu disse que ia chamar, mas por algum motivo eu acho que ela não quer de verdade conversar comigo. Sei lá. Eu não sou uma pessoa tão legal pra se ter por perto e querer conversar todos os dias. Afinal, ninguém nunca veio me perguntar o motivo de eu sumir de repente. E sumir é uma coisa que eu faço muito. Aí eu ando pela casa. Coloco alguma música. Danço a minha tristeza repentina que começou com uma simples falta de fome. Acendo um incenso de jasmin, meu favorito. Fico em pé no meio da sala ouvindo a música e sentindo o cheiro do incenso queimando na prateleira como numa tentativa de chamar de novo a energia e alegria lá do começo da manhã. Começo a me perguntar por que é que eu não me esforço mais pra ser aquela pessoa que acordou, limpou a casa e fez o almoço. Almoço que tá esfriando em cima da pia, dentro do pote. E já são três horas da tarde, não é mais hora de almoçar. Pego umas bolachas de maisena e como pra enganar o estômago. De noite eu como o macarrão. Então questiono por que é que eu perco tanto tempo cedendo à inércia. O que eu tô fazendo de errado? Todo mundo em volta tem energia pra fazer as coisas o tempo todo. E mesmo quando não tem, eles se obrigam a fazer porque é necessário. Por que é que eu não consigo me obrigar a fazer as coisas por mim? Então escurece e essa é minha desculpa perfeita pra ir pra cama. Ignoro a janta. Eu guardo o pote de macarrão na geladeira. Amanhã eu como. Coloco meu pijama, deito a cabeça no travesseiro e ligo a tv num seriado que eu ainda não assisti. Dessa vez me forçando a olhar a tv e não pegar o celular porque preciso prestar atenção. Eis que o sono bate e minha mente cansada não tem energia nem mesmo pra sonhar. Minhas noites de sono são pretas como o quarto escuro em que estou deitada. Não tem som. Não tem nada pra ver. Só o escuro. O vazio. Essa inércia se propaga por mais alguns dias. Eu me arrasto da cama pro trabalho porque sei que preciso ser responsável. Tem pessoas contando comigo. Eu não posso deixar todos na mão e também preciso pagar minhas contas. Então dá meu horário e volto pra casa onde vou direto pra cama e espero o sono chegar. Algumas semanas depois eu acordo querendo colocar a minha vida toda em ordem. E começo por jogar fora aquele pote de macarrão que fiz e que ficou esse tempo todo intocado dentro da geladeira.
Volte duas casas
É difícil descobrir o mundo como ele é Depois que o filtro rosa começa a cair Depois que tudo o que você achava ser, não é É um medo constante de ser tarde demais É o escorregão frio do controle em nossas mãos É saber que tudo o que se planeja é ilusão Nada é nosso de verdade nesse universo De incertezas e escuridão onde nos encontramos Nada disso vai durar, as coisas mudam como se Num piscar tudo à nossa frente virasse do avesso Nada é nosso de verdade nesse universo Nem mesmo nosso próprio destino cabe à nós Não depende só de nós quando a vontade dele Vai contra a nossa, não tem como ganhar
Silêncio!
Pare de falar pois ninguém quer te ouvir Não há uma pessoa só nesse mundo Que esteja interessada no que você diz Então faça esse favor a si mesma e cale-se Guarde para si suas opiniões mais sinceras Pois o julgamento é a primeira coisa que sai E não há nada que você tente fazer pra corrigir Que vá fazê-los esquecer, ou pior, mudar de ideia As pessoas não querem mais saber de nada O mundo todo só sabe gritar, esbravejar ao vento Nada é bom ou correto o suficiente pra ninguém Então não tem porque você tentar se destacar Então faça um favor a si mesma e cale-se Pois ninguém se interessa pelo que você diz Nem uma pessoa sequer nesse mundo Pare de falar pois ninguém quer te ouvir
Companheiro
Procuro alguém que ande comigo E entenda que por vezes vamos correr Já em outras nem nos mexeremos Você consegue me acompanhar? Prometo que tentarei ser forte por nós E quando você não conseguir andar Serei forte por nós dois, levarei você Você aceita que alguém te carregue? Mas algumas vezes virei a fraquejar E vou precisar da sua força também Talvez você precise me pegar no colo Você acha que pode ser forte por dois? Prometo que os contratempos serão poucos E que trilharemos juntos esse caminho De mãos dadas na maior parte do tempo Você quer andar por muito tempo ao meu lado? Procuro alguém que ande comigo E entenda que por vezes mudarei o rumo Por ser muito difícil continuar na trilha Mas nada disso vai nos dispersar um do outro Prometo que no final desse caminho Você não conseguirá imaginar outro melhor E eu não conseguirei me ver chegando lá Com nenhuma outra pessoa ao meu lado
Em toda esta caminhada sempre fui eu Sempre segui andando sem me importar Com quem ficou pra trás Quem não quis me acompanhar Muitos dizem que isso é força Mas quem vê cara, não vê coração O que você pensa ser potência É nada mais que falta de opção Eu não vejo como poderia fazer diferente Sentar e esperar nunca foi meu forte Sempre me fiz responsável por meu destino Não é fácil ser dona da própria sorte
Apesar de você achar que não
Sei que você já tá cansada disso Sei que já era hora das coisas mudarem Eu entendo sim Apesar de você achar que não E de dizer que eu nunca vou entender Eu sei que dói muito toda vez E sei que você se sente sozinha E que parece que ninguém entende Apesar de você achar que não E de dizer que eu vivo num pedestal Eu não quero te ver de cima Quero que a gente se veja de frente Quero poder segurar sua mão Apesar de você achar que não E insistir em me ver como inimiga Só assim a gente vai pra frente Crescemos e podemos nos ajudar Aqui em cima tem espaço pra todas Apesar deles dizerem que não E nos colocarem umas contra as outras
(pic from https://www.instagram.com/helenamorani/)
Transformação
Vira e mexe eu me transformo Mudo todas as minhas cores Porque a vida é muito curta Pra ficar numa cor só Minha mente aperta um botão E tudo muda aqui por dentro O pensamento amadurece A vida vai tomando forma Tudo acontece muito rápido Nada tem muita explicação É difícil acompanhar cada gatilho E mesmo com tudo diferente Existe em mim uma constante A vontade de ter você
Difícil saber onde a paranoia começa quando um dia ela foi tão real, causou tanta dor e dilacerou tanto a minha mente.
Você me deixou insegura, com medo de perder quem amo, com receio de ser substituída e ficar sozinha mais uma vez.
Eu tento ao máximo encarar isso como só mais uma das ervas daninhas que você deixou na minha mente, mas essa tá difícil de tirar, ela me persegue, ela me consome como veneno e eu não consigo expulsá-la de jeito nenhum.
Eu passo a maior parte do tempo me questionando e culpando por não ser o que você queria e você nem tá aqui.
Já faz tanto tempo, eu mudei tanto, eu cresci tanto e aprendi a me aceitar, mas ainda é difícil acreditar que outra pessoa possa me amar e aceitar mesmo com esse defeito tão odioso e que gerou tantas brigas e desentendimentos quando você tava aqui.
Engraçado que essa é uma das primeiras coisas que eu falo quando vou começar um relacionamento, por ser tão importante e merecer tanto destaque. E mesmo que me digam que tá tudo bem eu ainda acho que não tá.
Ainda acho que a paciência dele vai acabar e ele vai procurar lá fora o que eu não tenho. Ainda acho que ele vai parar de me amar por eu não estar me esforçando o suficiente por ele. Ainda acho que ele fala pros amigos dele as mesmas coisas que você falava de mim por aí e que não era verdade. Ainda acho que qualquer um que me acompanhe vai me ver do mesmo jeito que você me via e isso não é justo.
Sobre muletas
Não se apóie em nada!
Não use muletas, não escore nas paredes!
Desculpas vazias cheias de culpa
Nunca cai sobre você o peso de não conseguir
De sentir que não consegue se levantar
E não vai conseguir até reconhecer
Que a culpa é sua e o peso é seu
Você precisa de responsabilidade
Pega pra você a tarefa de se fazer feliz
Não procura em outra pessoa, no fundo do copo,
Na emenda da noite com o dia
Não procura na comida
Não tira de você seu sentimento mais seu
Não deixa ninguém cuidar disso por você
Nem sua mãe, nem seus irmãos, nem seu amor
E muito menos dê pra Deus essa tarefa
Porque é seu o dever de se fazer sorrir
De limpar toda a tristeza e escuridão dentro de si
É você quem faz isso e mais ninguém
Não deixe que tirem de você
Seu sentimento mais seu
Seja você seu próprio Deus
Chuva
Queria que a chuva entrasse em todos os meus poros
E ajudasse a lavar por dentro tudo de ruim que guardo
E que tirasse da minha cabeça os pensamentos sombrios
Queria que a chuva me fizesse sonhar
Porque nada mais é tão certo e tudo tá mudando
Eu carrego tristeza demais e sombras demais
Essas nuvens carregadas não estão só no céu
Queria deitar em baixo dessa chuva e me deixar levar
Fechar os olhos e confundir as gotas com as lágrimas
E não sair de lá até secar ou me desfazer em água
Queria que tristeza saísse lavando
O peso
Eu nunca quis carregar o mundo nas costas
Mas ficar em meus ombros
É o que parece que o mundo quer
Mesmo com meus sinais de fadiga
Ele insiste em estar aqui
E me fazer responsável se cair
E mesmo eu não aguentando sorrir
Ele exige cada vez mais
Que eu continue sorrindo
E que continue aceitando o peso
Um peso que não é só meu
Que poderia ser dividido
E eu procuro motivos pra entender
Porque é que ele me escolheu
Se eu não aguento carregá-lo
Para a minha mulher maravilha
Eu queria saber o que fazer pra não te ver assim. Me perguunto se era isso o que você sentia quando me via no fundo do poço, quando me perguntava se eu estava triste, quando me perguntava porque eu não saía mais com os meus amigos.
Eu queria poder ter uma máquina que te deixasse novinha em folha de novo, pra você poder passar mais tempo com a gente e não em hospitais e ambulâncias o dia todo.
Eu queria poder ficar aí grudadinha com você vendo novela. Mesmo eu não gostando e mesmo que seja a milésima quinta vez que você assiste a mesma.
Eu queria te dizer que tô com medo, mas tô fazendo de tudo pra ter força. Eu não pensei que fosse me sentir desse jeito. Tão desolada, desesperada e sozinha te vendo assim.
Eu passei tanto tempo me conformando com aquilo o que eu não posso controlar que achei que estaria pronta pra aceitar tudo. Mas eu continuo tentando encontrar alguma coisa, qualquer coisa que eu possa fazer pra essa fase passar.
E eu me sinto cada vez menor sempre que o telefone toca, sempre que alguma coisa te acontece e eu não posso te proteger.
A gente nunca foi muito melosa uma com a outra, nunca disse muito “eu te amo”. Sempre fomos tão opostas, mas nada disso nunca me impediu de sentir tanto.
Enfim, eu não sei o que fazer e nem o que dizer. Acho que essas coisas precisavam ser ditas. Eu penso em você todos os dias mesmo não conseguindo estar aí e eu peço com todas as minhas forças pra todos os deuses possíveis pra que você saia daí e venha tomar aquele café da tarde que combinamos.
Se alguma vez pareceu que eu fiz pouco caso ou que eu não me esforcei o suficiente, me desculpa, eu sei que podia ser melhor.
Eu amo você. Nunca duvide disso. Você é a minha Mulher Maravilha! A mais forte e destemida de todas que já conheci e vai sair dessa sim.
Medo
Viver com medo de quebrar Me sentir triste com medo de desabar Me sentir feliz com medo de acabar Fazer planos com medo de tudo mudar Olhar pra frente com medo de não enxergar Andar com medo de tropeçar Ir embora com medo de ter que voltar Eu amo com medo de me decepcionar Me decepciono com medo de não aguentar Mas aguento com medo do olho fechar Porque não é assim que a história vai acabar Eu luto com medo de não conseguir me curar E me curo com medo da doença voltar Porque esse é um ciclo que nunca vai parar
(Escrito em 11 de Janeiro de 2019)
Depois que eu me recuperei de uma das maiores crises da minha vida eu vivo com medo.
Sempre que fico muito tempo com alguma coisa ruim na cabeça um alarme soa me avisando que isso pode ser um gatilho.
E eu não quero voltar ao que era antes disso tudo. Quero viver numa boa com as pessoas que eu amo sem que uma mínima decepção seja motivo pra passar semanas me sentindo mal.
E semanas me sentindo mal quer dizer que eu vou me fechar e querer fazer menos coisas a cada dia e falar menos (ou não falar) com as pessoas à minha volta que sempre estão prontas pra me ouvir e colocar um sorriso no meu rosto mesmo que a culpa não seja delas.
Eu repasso tudo isso na minha mente antes de apertar os gatilhos que encontro pelo caminho e faço de tudo pra manter a postura firme e positiva que sempre me ajuda a sair desses labirintos.
Não é uma tarefa fácil. Algumas vezes sinto que estou apenas fechando os olhos pra algumas coisas, mas na verdade estou escolhendo as minhas batalhas.
Tem coisas que não valem a crise. Tem coisas que são pequenas demais pra que eu me importe com elas por tanto tempo. Tem pessoas que não valem o meu esforço e nem o meu tempo.
Estou aprendendo a sobreviver em meio ao tiroteio que acontece diariamente na minha cabeça e isso, pra mim, é uma conquista enorme.
Que esse ano não traga de volta o que eu deixei pra trás
Jessica Ferrari