Letters from another era 💌🌸
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Letters from another era 💌🌸
Blasfémia por Eliran Kantor
706 dias
um ano, onze meses e seis dias sem escrever.
O desafio agora é submeter-me à modéstia deste amor, à ausência adstritiva do peito outrora ofegante, render-me ao agridoce enterro da poesia e sorrir exasperada pelos pólos opostos da nossa vida, que tanta vergonha me dão.
Terás engenho suficiente para equilibrar esta oscilante balança que tanto pende para o meu lado, como por ventura de um magnetismo refém do abismo?
Também merecias um amor simples. Lamento.
Orfeo ed Euridice, dir. Jo Strømgren (Den Norske Opera, 2013)
Atonement (2007) dir. Joe Wright
Encontrei o lugar justo para pôr as mãos, à vez maior e menor que elas mesmas.
Encontrei o lugar onde as mãos são tudo o que são e também algo mais.
Mas ali não encontrei algo que estava seguro de encontrar: outras mãos esperando as minhas.
Roberto Juarroz in As Causas Perdidas Maldoror, 2019
Transit (2019)
Helder Moura Pereira, TELHADOS DE VIDRO 20, ed. Averno
ABANDONADA
Há quem dispare palavras e quem as diga docemente. Há gente disposta a tudo, pensei, até a soletrar as sílabas do ódio, do amor, da indiferença. Um dia o que damos aos outros volta para nós e, nesse momento, sei que terei quem diga: amo-te, mesmo sem ser verdade. Colherei, ao menos, as palavras que disse naqueles dias em que vinhas de longe só para me ver. Ouvi-las vai fazer-me pensar em dias de nevoeiro quando, de mãos dadas, nos perdíamos dos outros com a alegria de uma intimidade nova para os dois. E voltarei a correr de ti segura de que, em dez passadas me apanharás e ali, no meio de nada, me sujeitarás de novo fingindo violência e eu uma resistência aparente. Não, gritarei, agora não, mas tu insistirás e vencerás, e rolaremos, como dantes, no chão ou na areia, na erva. Era muito bom sair do encontro de cabelos em desalinho, roupa suja ou rasgada, a rir de tudo e de nada, a chorar sem razão. Adorava quando me dizias palavrões, me atiravas palavras fortes e me empurravas para onde te desse jeito. Saía sempre amolecida, as pernas vergadas de cansaço, a boca a arder dos teus beijos, o sangue todo na cara, uma respiração atropelada. Penso, José, que gastámos a felicidade toda de uma vez. Esgotámos a vontade, o amor, a entrega, a semente e o que nos ficou é vazio. Olho-te e estás muito longe. Falo-te e não escutas. Abraço-te e sinto que estás morto e frio. Fica-se assim como um caule sem folhas quando, sem esperança, desistimos de florir. Não, frutos não daríamos e nem sequer flores mas, ao menos, as folhas que, se quisesses, seriam verdes e lustrosas, com um viço de Maio. Não dizes nada? Não, claro que não. Já não existes na minha vida. Evoquei-te e vieste como no último dia: absolutamente calado, a olhar para o outro lado do dia. Seria bom que voltassem as palavras que dissemos mas sinto que o melhor das nossas vidas só acontece uma vez.
* Óleo e matérias 'craquelés', por © Chrystel Mialet (Toulouse, França)
©EDGARDO XAVIER, Publicado RDL, 2015.
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