Por mais que não tivesse lembrança alguma de como havia vindo parar aqui, desde o inicio Mai não havia gostado nem um pouco do tipo de sensação que esse lugar lhe causava. Não compreender e não conseguir se lembrar de maneira alguma como tinha vindo parar aqui apenas servia com que se tornasse mais desconfiada que o normal, fuzilando os enfermeiros que ocasionalmente a vinham visitar; no entanto sem nunca pronunciar uma palavra na frente desses. Na verdade, ja faziam muitos dias desde a última vez que verbalizara muito mais que uma frase desconexa; em geral enquanto estava adormecida. Recentemente tivera tendo muitos pesadelos, provavelmente pela sensação de aprisionamento e a semelhança que o lugar tinha com o que ela relacionaria diretamente a uma clinica psiquiatrica. Fazia ela lembrar-se da mãe, sentir-se próxima da mesma. Ou se perguntar se não tinha algo de errado com ela. Não tinha como saber que horas eram, mas uma hora ela acordou e a porta do seu dormitório, ou cela, estava aberta. Uma pessoa desconhecida a encarando do lado de fora. Automaticamente adotou uma postura defensiva encarando a pessoa como uma ameaça; tudo ali era para ela. — O que quer ? — sibilou ameaçadoramente.
Era muito difícil para ele conseguir ficar dentro do pequeno quarto, se é que poderia denominar como tal; o que chegava a ser um incômodo já que nunca foi um problema ficar sozinho em seu canto, o problema era que ao menos tinha algo para fazer, já ali era como se estivesse preso. E prisioneiros não tinham regalias, ao menos, parecia que não.
Yixuan já tinha perdido a conta de quantas vezes tentou puxar conversa para conseguir alguma mísera pista de como poderia escapar, ou pelo menos passar pelos guardas e talvez se conseguisse encontrar uma sala com as roupas que eles usavam para se fingir de funcionário, quem sabe? Ele, obviamente, não; não fazia ideia, era um hospital normal, um hospital psiquiátrico, uma prisão? Existia alguma definição coerente que pudesse atribuir para aquele local?
Frustrado e perdido em meio aos seus pensamentos, ele só se deu conta de que estava perdido, novamente, quando chegou em um corredor diferente dos que já tinha ido: sim, eram do mesmo tipo, porém, tinha algo que diversificava e isso se provou verdadeiro quando Yixuan passou por um cômodo que tinha a porta entreaberta, e curioso como estava, ele a abriu.
Para sua surpresa, se tratava de um quarto igual ao seu mas, pelo que julgou ser, era para mulheres. Isso fez com que uma ideia aparecesse em sua mente: seria possível Yeoreum estar em um daqueles?
Piscando rapidamente as pálpebras, o moreno encostou-se no batente da porta e a encarou com as sobrancelhas arqueadas. “Muitas coisas.... Você está aqui a quanto tempo? Tem mais alguém que dorme aqui, ou só você? Sabe se existem mais quartos para mulheres por aqui?”