hold me down
kangxjihyo :
part. @parkingx
pode-se dizer que é um costume andar por aquela rua, tendo crescido correndo por ali, contra os pedidos da mãe. não importava o quanto a mulher a dizia que não a queria perto daquela família de vermelhos, jihyo sempre se demonstrou bastante insistente e teimosa ao sempre aparecer no quintal dos fundos da casa. não que pudesse ser culpada disso, já que o menino com quem conversava ali sempre foi um amigo — desde que ela se lembra por gente.
uma amizade que começou de forma inesperada e a contragosto das mães — se elas soubessem que os filhos se encontravam, é claro. talvez, no fundo, as duas sabiam; crianças não costumam ser muito boas em esconder as coisas dos pais e, além do mais, não é como se qualquer uma das duas não prestasse atenção nos dois quando se esbarravam na rua, os sorrisinhos cúmplices, o pequeno aceno como se conhecessem um ao outro. tendo ciência ou não, jihyo sempre se julgou bastante esperta em despistar a mãe para se encontrar com o melhor amigo. mesmo agora, na falta da mulher, parece continuar como uma foragida; ou não demonstrando muito afeto ao garoto quando estavam trabalhando nas pesquisas do instituto — a não ser que estivessem sozinhos.
e, nesse momento, não pode ser diferente. o céu em uma tonalidade do rosa alaranjado, aos tons de azul, até a escuridão total conforme o sol se punha atrás da casa. a menina prende o cabelo em um coque, arregaçando as mangas da jaqueta que usava antes de começar a rotina: abaixando-se e recolhendo algumas pedras antes de olhar para a janela do amigo no andar de cima da casa e arremessá-las. com os anos fazendo isso, é fácil alcançar as partes de madeira da janela e evitar que bata contra o vidro (mesmo que algumas das pedras acabem chegando ali… mas nada que cause estrago).
Com os pensamentos longe daquele pequeno banheiro, Kyung tomava seu banho em paz. O momento era sempre retirado para refletir sobre coisas tanto do passado quanto do presente ou futuro. Um pouco de descanso era tudo que ele pedia, nunca ficara tão desgastado como ultimamente e não entendia o motivo de tal, já que sua rotina era quase a mesma por vezes. Desde que o Instituto fora roubado sua mente trabalhava dez vezes mais tentando achar alguma resposta para o ocorrido, seu físico também trabalha tanto quanto visto que estava sempre por lá refazendo teste e mais testes. Seu hábito de ler havia crescido, pois era o modo como ele lidava com sua ansiedade para com as coisas e ele já quase se encontrava sem opções naquele quarto lotado de livros.O corpo procurou relaxar deixando os pingos baterem contra a pele clara, parecia que a água removia todo o cansaço do moreno o deixando em estado de calmaria. A fumaça já invadia o banheiro e o tom de pele do rapaz era avermelhado, não era por menos pois a Coréia é um lugar extremamente frio então a água queimando sua pele era de fato uma sensação boa. Desligou o registro puxando a toalha a arrastando por algumas membros do corpo a fim de secá-los o mais rápido possível.
Assim que abrira a porta do banheiro sentiu uma leve brisa gelada bater contra sua pele nua e um arrepio percorreu seu corpo. Tratou de correr até o armário imediatamente para poder colocar sua calça de moletom e procurar alguma blusa confortável. Ato esse que fora atrapalhado devido a um som conhecido vindo da janela. Um revirar de olhos fora dado quase que automaticamente e o menino se permitiu rir sozinho, caminhando até a frente do objeto amadeirado e poder espiar do lado de fora a pessoa que mais sentira falta nos últimos dias. Era acostumado sempre a estar na presença da garota e quando ficavam afastados, Park não sabia descrever o sentimento de vazio que o preenchia. Ergueu a mão em um pedido para que ela esperasse pois ainda se encontrava sem camisa e correu até o armário, pegando uma blusa de mangas finas e longas da cor branca. O corpo parou novamente em frente a janela e ele tratou de suspendê-la agilmente, se arrependendo no segundo seguinte.
O vento gélido adentrava o quarto vagarosamente deixando um estremecer involuntário no corpo do acastanhado. Kyung encolheu o corpo abraçando os próprios braços e olhou para baixo, a fitando. — Há outras formas de chamar minha atenção, sabia? — o olhar agora era um misto de desdém e diversão. — Você podia ter quebrado o vidro da minha janela. — deu enfase no final da frase, mostrando um tom pouco irritado e dramático. — Ai Deus, porque eu não escolhi uma pessoa mais normal que saiba bater na porta? — mirou o céu fingindo conversar com alguém lá em cima e logo sorriu ao notar as belas cores que este formava. Um misto de laranja escuro com amarelo e azul esbranquiçado. O céu estava encantador. O sorriso se manteve no rosto assim que ele abaixou o olhar para ela novamente. — Estava com saudades. — disse simplesmente, cogitando a ideia dela entrar logo pois o frio estava lhe deixando doído.












