Você é um doce Paul, mas só diz isso para que eu não me sinta mal. O que eu menos preciso é pena. Preciso é de um creme reconstrutor.
Não, esta bonito mesmo. Serio. Posso não entender nada sobre cabelos, mas acho os seus bonitos.
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Você é um doce Paul, mas só diz isso para que eu não me sinta mal. O que eu menos preciso é pena. Preciso é de um creme reconstrutor.
Não, esta bonito mesmo. Serio. Posso não entender nada sobre cabelos, mas acho os seus bonitos.
under the water @pov
O vento batia em meus cabelos negros e minha respiração começara a ficar pesada. Logo minhas pernas cederiam e eu não seria mais capaz de correr, mas ainda assim eu sorria com a adrenalina que tomava o meu corpo como uma criança brincando de pega-pega. Olhei para trás apenas para analisar mais uma vez o grupo de rapazes que me perseguia, eles pareciam mais um trio de trogloditas, para falar a verdade, mas acho que não estava em posição de soltar mais ofensas. Eles são maiores, mais fortes e surpreendentemente mais rápidos. Mesmo que minhas pernas aguentassem eu logo seria pego. Mas sera que eram mais ágeis? Olhei para os lados tentando achar algo que pudesse me ajudar. Estava na parte externa do reformatório, dando volta no edifício. Pensei que seria o fim até avistar uma escada na parede a direita que provavelmente daria para o topo do prédio. Sem pensar duas vezes, me atirei em direção a ela começando a escalar. A escada de metal não parecia a coisa mais segura para ser escalada, sem contar que meus cortes na mão em contato direto com aquela ferrugem não resultaria em boa coisa, mas era melhor do que morrer de pancada.
Ao chegar ao topo tive a breve e feliz ilusão de que havia escapado, até perceber que os trogloditas estavam subindo também. Ótimo, agora estava preso no telhado sem ter uma fuga. Corri para os lados em desespero, mas não havia nada la alem de uma grande caixa d'água. Agora a unica coisa que me restava era tentar apelar para a pouca inteligencia dos trogloditas e ver se convencia eles a não me matar. - Ei cara, não precisa disso, vamos resolver as coisas na conversa. - Eu disse para o que eu havia irritado, andando para traz conforme eles andavam para frente. - Eu juro. Não teria nem chagado perto dela se soubesse que vocês dois estavam juntos. - Mentira. Beatrice, a namorada do troglodita, era muito gostosa. E eu sabia que eles estavam namorando quando a levei pra cama. Mas o troglodita não precisava saber disso. - Pensa bem. Será que vale a pena mesmo ganhar mais meses nesse lugar por causa de um idiota como eu? - A maneira na qual me ignoravam chegava a fazer parecer que eram surdos. Eles me cercavam cada vez mais, até que chegou uma hora em que eu não conseguia mais me mexer sem ter que tocar em algum deles. "Abre a caixa d'agua" o que eu havia irritado falou, e um deles obedeceu, a abrindo. Não demorou muito para eu entender o que estava acontecendo. Eles iam me colocar dentro da caixa eu iria morrer afogado. Então eu estava certo, eles realmente iriam me matar. Tentei sair correndo, mas já era tarde demais. Tentei gritar desesperadamente, mas dali de cima ninguém iria me ouvir. A ultima coisa que me lembro de ter visto foi o rosto deles sorrindo e então eu prendi a respiração.
O choque do meu corpo com a água teria sido delicioso se eu não estivesse prestes a morrer. Comecei a tatear a abertura para tentar abri-la, mas não consegui achar forças para o ato. Depois de ter passado trinta segundos eu desisti, tentando apenas relaxar meu corpo e aproveitar a sensação dentro d'água. Era quase cômico. Logo eu, surfista, querendo ser biólogo marinho, que amava a água, fosse morto afogado. Já se passara um minuto que estava imerso e não conseguia mais segurar a respiração, então cedi. Os primeiros segundos foram horríveis, fiquei me debatendo desesperadamente tentando achar ar, até perceber que estava respirando normalmente. Conseguia sentir a água entrando pelo meu nariz e chegando aos meus pulmões sem aquela sensação horrível que temos quando nos afogamos. Estava apavorado e sem entender o que acontecia, mas aquela não era hora para pavor, não tinha como saber se o efeito continuaria durando.
Fixei meus pés na base da caixa d'água e forcei minhas mãos para cima, conseguindo levantar um pouco da tampa e a empurrei para o lado. Provavelmente teria conseguido fazer isso tampando a respiração também, porem o desespero de me afogar não deixou que eu pensasse com clareza. Sai de dentro da caixa, podendo ver que os trogloditas haviam ido embora e eu estava sozinho, sem entender o que havia acabado de acontecer.
Ugh, o estresse desse lugar está se refletindo nos meus cabelos! Olha quantas pontas duplas, eu preciso do meu cabeleireiro, help.
Se quer saber minha opinião, seus cabelos estão lindos.
Paul Parker Moodboard [1/?]
É só eu?
Podia jurar que vi um cara ficando invisível outro dia.
Se bem que, agora que eu falei em voz alta, devo estar delirando. Esse reformatório acaba fazendo isso conosco, não?
É, com certeza ficou louco.
Até porque, não tem como ver um cara ficar invisível. Ele fica invisível. Você não conseguiria ver.
É só eu?
Ou todo mundo anda meio estranho ultimamente?
Estranho? Como assim estranho?
For the truly fortunate man, his body is the breathing image of his self-respect.
Inacreditável.
Não vai impedir, mas podia participar.
Prometo pegar leve contigo. Só não sei se os outros caras também terão tanta paciência.
Pois é... caras não são realmente minha praia.
Inacreditável.
Mas e os corpos fortes e suados dos lutadores? São uma raça como nenhuma outra.
Obrigado, eu acho. Lentamente, nós vamos chegar lá, até o ponto onde você vai admitir com todas as letras o quanto sou esbelto.
Se você curte, não vou te impedir.
Esbelto quer dizer bonito, né?
Inacreditável.
Em luta? Nenhuma? Já em outras coisas… Será que os caras do MMA topariam um gangbang? Brincadeira.
Hm, sei. Não precisa ter vergonha de me achar feio. Todo mundo tem direito ao mau gosto.
Acho que você não precisa ir até o MMA pra conseguir isso, basta andar com as calças abaixadas.
Não, não te acho feio, mas... sei la.... papo esquisito cara.
Inacreditável.
Pois é, estou pensando em ter aulas com os caras do MMA, sabe, defesa pessoal e tal.
Esse meu rosto angelical não merece ser espancado. Não acha?
Você tem experiencia em luta? Porque se não... o MMA vai ganhar um novo saco de pancada.
Ahm... Er... Não... Eu acho...
Inacreditável.
É… Se você diz…
Eu pensava que o seu grupinho de fulanos não apanhava. Legal saber que existe igualdade dentro desse reformatório, ninguém consegue fugir das porradas.
Ah, eu não apanho mais. Quer dizer, só de vez em quando... mas agora quando eu apanho o outro também apanha.
Mas os outros caras não apanham que nem eu. Acho que é algo exclusivo meu mesmo.
Inacreditável.
O Bradley Cooper narrando o guaxinim falante. Isso sim é bizarro.
Dez meses nesse reformatório e ainda sou conhecido como “o primo da Rosalie”. Me chamo Eric.
Bradley Cooper narra o guaxinim? Então o filme deve ser bom!
Dois meses? Nos meus primeiros meses eu só apanhei. Acredite em mim, "o primo da Rosalie" não é algo ruim pra dois meses.
Inacreditável.
O guaxinim é o que tem de menos esquisito no filme, pra ser sincero.
Você é o fulano lá que anda no grupinho dos fulanos, não é? Desculpa, esqueci seu nome.
O que pode ser mais esquisito que um guaxinim falante?
Meu nome é Paul, e não sou nenhum fulano. Você é aquele primo da Rosalie?
Inacreditável.
Metade do mundo deve estar assistindo Guardiões da Galáxia nesse momento e eu preso aqui nesse lugar.
Esse é aquele filme com um guaxinim?
If you don’t believe, the devil haunts your soul. @Paziel
O olhou, absolutamente incrédulo com a estupidez de Paul. Sempre soubera que ele era o mais impulsivo dos quatro, mas nunca imaginara que ele deixaria seus sentimentos enevoarem de tal forma seu julgamento. No entanto, estava agradecido por ele ter mencionado o nome de Zach no meio de toda a conversa. Foi como se toda a raiva e mágoa de Haziel tivesse voltado de imediato para a jaula que ele tinha reservado para elas e conseguisse voltar a focar-se no que era importante: sua vingança. Tinha de se lembrar que aquelas eram as pessoas que o tinham traído, preferido outra pessoa, nunca lhe dando o tempo do dia para se explicar ou para entenderem seu lado. Ele não lhes devia absolutamente nada.
“Aquilo não era vocês chegarem bêbados as quatro da manhã, Paul. Vocês mataram oito pessoas. O que você ia falar para eles? Que todo mundo decidiu dormir um pouco na piscina?” Rugiu praticamente as palavras na sua direção, ainda assim, irritado com a falta de inteligência de Paul. Todos tinham tal confiança em Zach que pareciam não conseguir se aperceber que, por muito encantador que o loiro conseguisse ser, não era o suficiente para os livrar de tudo. “Se eu tivesse ficado quieto, eles iriam descobrir na mesma. Nossa pena seria bem pior se tentássemos esconder o que aconteceu.” Não entendia como os seus três irmãos nunca tinham percebido isso. Se tentassem esconder os corpos, se fossem descobertos, não estariam num simples reformatório. Estariam numa prisão estadual, julgados como se fossem todos adultos. Esconder o crime significava intenção na frente da maioria dos júris. “Zach pode ter sido sempre o favorito, mas ele não conseguiria esconder isso. Ninguém conseguiria.” Sua voz se tornou mais calma, com a mesma resignação que sempre carregava quando falava do assunto. Tinha-o aceitado já. Agora, tudo o que podia fazer era esperar o momento perfeito para arruinar a vida de Zach.
Sequer se deu ao trabalho de responder ao comentário de Paul sobre ninguém se importar com ele. A verdade é que ele não precisava de alguém. Haziel era aquele tipo de pessoa que trabalhava perfeitamente bem sozinha, até melhor do que acompanhada. Por isso, nunca procurara a popularidade como Zach ou até mesmo o irmão que estava diante de si. Nunca lhe interessara. A solidão, por algo que um pouco dura, sempre lhe atraíra muito mais, preferindo a tranquilidade e silêncio que ela lhe tinha para oferecer, do que dúzias de idiotas que gostavam da sua posição na hierarquia social.
Olhou uns segundos para Paul, fazendo a sua melhor expressão de mágoa. Deveria ganhar um Óscar por aquela representação. “Eu nunca rejeitei você ou Heather.” Continuou com o tom de voz tão calmo e controlado como antes, sabendo que levantar a voz e tentar ofendê-lo, só acabaria deixando-o de volta à estaca zero. “Você sempre foi meu favorito, Paul.” Abriu um pequeno sorriso, enfiando as mãos nos bolsos e se encostando a parede, aparentemente bem mais relaxado que antes. “Desde pequeno. Mas Zach nunca gostou particularmente de mim e você sempre o seguiu. Desde criança. Você pode tentar negar, mas sabe que no fim, sempre faz o que ele quer. Todo mundo faz.” Revirou os olhos, algo irritado. Não entendia como todos se deixavam iludir tão facilmente por ele, mas não o questionaria. Não importava, de todo o jeito, não quando conseguisse mostrar para o mundo o quanto ruim ele realmente era. “Talvez eu estivesse errado em te culpar.” Admitiu, baixo, passando as mãos entre os cabelos num sinal de frustração, contendo a sua vontade de rir. Esperava que aquilo fosse o suficiente para fazer Paul acreditar.
Por mais que ainda conseguisse sentir o sangue pulsando em suas veias mais rápido do que o normal, alguma coisa na voz de Haziel o fez se acalmar. Até hoje, ele nunca entendera o porquê do santo do mais velho não bater com o do mais novo. Na opinião do filho do meio, isso era apenas birra de criança que os dois acabaram arrastando para a vida adulta, coisa que não parecia ser saudável. De qualquer forma, ele sabia que Haziel estava parcialmente certo. Por mais que custasse admitir, tinha consciência de que seguia a maioria das coisas que Zach falava sem questionar. Não sabia exatamente o motivo disso, mas imaginava que seria por concordar com a maioria das coisas que o mais novo falava ou simplesmente para evitar conflito. Paul já brigava com a maioria das pessoas dentro daquele reformatório, não precisava adicionar seus irmãos a lista.
Ele ficou parado por um tempo, olhando para o chão, tentando interpretar as palavras de Haziel. Ele sabia bem que "talvez eu tivesse errado" era o mais perto de pedir desculpas que qualquer Parker conseguia chegar, já que o orgulho parecia ser uma doença genética naquela família. Ele sentiu compaixão pelo irmão, coisa que não sentia fazia muito tempo. - Talvez eu não devesse ficar do lado de Zach o tempo todo. - Paul falou, tentando mostrar arrependimentos por seja la o problema que possa ter causado para o irmão no passado. - É só que... eu não entendo o porque que vocês vivem brigando. - Confessou, um pouco frustrado. - Tudo bem que ele não é uma pessoa fácil de se lidar com, mas ainda é seu irmão. - Passou as mãos pelos cabelos um pouco nervoso. Ele sabia que suas palavras dificilmente iriam mudar a opinião de Haziel, por isso nem se deu o trabalho de continuar com isso. - Eu só não quero ter que ficar brigando. - Se justificou.
Mesmo querendo fazer as pazes com o irmão, não pode deixar de pensar na questão do acidente. Ele ainda sentia que Haziel tinha sua parcela de culpa, por mais que o mesmo não admitisse. - Quanto a piscina, se você não tivesse dito nada, poderíamos pelo menos ter passado por homicídio culposo. - Paul falou, pensando um pouco alto. Ele imaginava como teria sido esses dois últimos anos fora do reformatório. Podia te-los dedicado ao surf, ou a biologia marinha. Estava só perdendo tempo dentro daquele lugar. - Ou pelo menos ter vindo conversar com a gente antes de ir logo apontando o dedo. - Ele já não estava mais irritado ou raivoso, estava apenas chateado. Sentimento que havia se tornado comum desde que chegara naquele lugar. - De qualquer forma, acho que não tem mais muito o que fazer sobre isso agora.