Escreva, nem que seja anonimamente, usando uma fantasia, troque de rosto, de corpo, de coração, de alma, mas escreva!
Garanto que esse risco que você correr, esse risco que você traçar, seja no papel, na tela, no box esfumaçado do banheiro, na areia da praia trará um retorno.
Escreva, mesmo com os braços tremendo, com a respiração irregular, mesmo ouvindo cada pulsar do seu coração.
Escreva nem que seja pra si mesmo, realize a tarefa herculea e impossível de conversar consigo mesmo. O que você diria? Você consegue ser tão gentil consigo mesmo quanto é com aquela pessoa que mais ama?
Crie uma segunda conta e mande conversas pra si mesmo.
Escreva cartas a mão pra si mesmo, pro seu eu do futuro, pro seu eu passado.
Mande e-mails pra si mesmo, e então responda.
Fale sozinho até você se apaixonar novamente pelo som da sua voz.
Como criança, rabisque o papel. Invente palavras novas. Crie letras que nunca ninguém viu. Será seu segredo, algo que ninguém mais no mundo sabe.
Pense no nome que daria para aquela cor que ainda não existe.
Não tenha medo do delírio, só sonho. Se for pra ter medo, tema aceitar ficar esmagado pelas expectativas de quem amanhã te esquecerá.
Permita que a tinta te lambuze. Seja um quadro branco também, vazio, mas infinito de possibilidades.
Não conte a ninguém: a experiência desse espaço que você vai criar não pode ser compartilhado ou compreendido por outras pessoas. Ou conte pra todos, não pra explicar, mas pra confundir.
É só você e o universo, numa conversa franca.
O que você tem a dizer pra ele?