◟˖ ˙ ⊰ ✧ ⊱ 𝕥𝕙𝕖 𝕤𝕒𝕞𝕖 𝕥𝕙𝕚𝕟𝕘𝕤 𝕥𝕙𝕒𝕥 𝕓𝕦𝕚𝕝𝕥 𝕪𝕠𝕦, 𝕒𝕣𝕖 𝕥𝕙𝕖 𝕤𝕒𝕞𝕖 𝕥𝕙𝕚𝕟𝕘𝕤 𝕥𝕙𝕒𝕥 𝕜𝕚𝕝𝕝𝕤 𝕪𝕠𝕦 .
⊱ ˙ 💐 ៹ . —— beber nos jantares de negócios quando estava acompanhadas de seu pai era estritamente proibido. conhecia bem as regras e sabia que qualquer insubordinação não iria ser tolerada. hoseok gostava de ahryung justamente porque suas ordens em hipótese alguma eram contestadas. sua disciplina e submissão beiravam o fascínio, e graças isso, tinham-o na palma de sua mão ao ponto de ser confiável. claro que ninguém naquela família poderia ser, no mínimo, levado à sério uma vez que ninguém parecia se importar com a confiança, de fato. no entanto, de todos os irmãos, ahryung era a única que conhecia o lado leal de seu pai. o mesmo que todas as vezes a compensava como uma criança após uma boa ação, após uma nova conexão. à vista disso, tinha consciência de que o simples fato de encher sua taça de vinho o deixaria receoso, mas não o bastante para ficar envergonhado. gostava de vê-la improvisar, se superar. pondo-a em desafios que aumentariam sua recompensa toda vez que agradasse um dos acionistas. ahryung gostava de ver a sobrancelha arquear quando os olhos se esbarravam e ela sabia que implicitamente ele dizia “me impressione”, mas mal sabia o pai da mensagem deixada em seu aparelho horas atrás àquela confraternização. o peito doía ao saber que tudo o que restaria após àquela noite seria a mais pura decepção, mas o faria por ele também. não era somente a sua reputação que estava sendo posta a prova. os olhos se encontraram com os do pai quando deslizou o casaco pelos ombros; revelando um vestido extremamente decotado e justo. regra número 1: não seja vulgar acabara de ir por água abaixo.
se sentou próximo a pessoa mais importante da noite, jogando para trás os cabelos no que expôs o colo e o enorme diamante que reluzia no pescoço. se inclinou para pegar a garrafa de vinho, enchendo a taça de forma deselegante e exagerada. tomou um longo gole, observando o senhor jung com o olhar vidrado em seu colar de diamantes, ou seria nos peitos que quase saltavam para fora do vestido? cruzou as pernas, percebendo que todos pareciam desconfortáveis com sua atitude, mas ninguém tinha coragem de dizer nada quando o próprio progenitor estava petrificado. ahryung sabia o quanto alguns tinham o total prazer em bajulá-la. era o meio mais rápido de chegar até seu pai e consequentemente conseguir alguma coisa de sua família. logo, quem se atreveria a dizer alguma coisa? sorriu, observando o pai que com os olhos duros a questionava sobre o que diabos pensava que estava fazendo. aquilo quase a desestabilizou, quase a fez pensar em desistir de obedecer uma outra ordem que não fosse a dele, mas não foi capaz de parar uma vez que sentiu dedos afundarem delicadamente na pele de sua coxa. a atenção mudou de foco, o gesto rápido do mais velho ao seu lado, fez com que a morena se voltasse para ele. hoseok havia dito o quanto precisava tê-lo como um dos seus acionistas. o status que o sobrenome do homem carregava somado ao da família moon tornaria seu império quase inatingível. todos ali, de certa forma, somariam algo relativo a empresa. o que fazia ahryung se questionar sobre o quão enfurecido o pai ficaria em vê-la estragar qualquer chance de vínculo.
fora arrancada dos devaneios quando em um ato estratégico ouviu a voz de seu pai lhe pedindo para falar sobre o seu novo projeto. viu a deixa que precisava para por em ação o comando do infeliz por detrás do maldito blog, suspirando cenicamente o ar de seus pulmões. precisou tomar mais um gole da bebida para obter coragem uma vez que a expressão de “não me desaponte” de hoseok a tirou do eixo. —— o que prefere que eu conte papai? — inquiriu cínica, girando o líquido dentro da taça quando a balançou entre os dedos de forma dramática. crispou os lábios, espalhando o batom vermelho pela boca após notar a mancha do mesmo na taça de cristal. viu hoseok arquear uma sobrancelha, esperto. de alguma forma, ele sabia que ahryung diria algo inapropriado. —— quer mesmo que eu conte do meu projeto ou prefere falar da mão boba do senhor jung debaixo da mesa? — viu o balançar dos líquidos dentro das taças quando o estrondo da mão de hoseok contra a superfície da mesa reverberou em suas orelhas. prendeu a respiração que falhou em ímpeto, trincando o maxilar. seu nome fora proferido de forma enfurecida e repreensiva, vibrando contra sua pele como farpas, a fazendo sentir um arrepio doloroso circundar sua espinha. o olhar de desafio surgiu quando a visão periférica captou o pai; dessa vez, não existia nenhum jogo, nenhum divertimento. era muito mais simples. “mais uma palavra e você vai se arrepender”, era o que significava a forma como ele a encarava com os olhos arregalados e os punhos cerrados. ahryung conhecia bem àquela expressão para saber que ele estava falando sério. já o vira olhar assim para várias pessoas. a única diferença era que pela primeira vez o alvo daquele olhar era ela.
—— ah, tudo bem, papai. em algum momento o senhor jung perceberia que eu estou aqui justamente porque você adora me exibir como um troféu, sou o seu entretenimento humano. — levantou-se da cadeira de forma brusca, falando alto com o progenitor pela primeira vez em toda sua existência. só aquilo fora o suficiente para vê-lo sair da pose indiferente e se levantar também. travando uma batalha silenciosa com a moon que o encarava insolente. —— e não se sinta culpado, senhor jung. minha função é justamente mostrar o meu decote quando for encher a sua taça de champanhe. — se calou somente quando ouviu um doloroso “chega!” tintilar contra seus ouvidos. notou a incredulidade misturada com raiva e decepção nos olhos do pai, assim como o espanto no olhar dos convidados por vê-lo gritar. sabia que havia ido longe demais mas fora necessário uma vez que se houvesse feito outra cena, seu pai perceberia alguma coisa de imediato. ahryung era boa atriz, sabia mentir como ninguém, mas nos últimos tempos, seu pai tinha uma forma diferente de manipulá-la, provavelmente por notar seu emocional bagunçado, não sabia ao certo. ficara estática ao vê-lo fazer sinal para que os seguranças a tirassem da sala, notando que dois homens altos praticamente jogaram seu casaco em sua cara e a puxaram pelo braço sem qualquer cerimônia. —— não toca em mim. — puxou o braço com força, se equilibrando em cima dos sapatos. —— eu saio sozinha. — vestiu o casaco, pegando a garrafa de vinho em cima da mesa e a levando consigo. não teve tempo de dizer mais nada, mas no caminho até a saída ouviu o pai comentar o quão desequilibrada estava e pedir desculpas por seu comportamento.