Talking about freedom @ Phil x James
Apesar de se encontrar em situações infinitamente melhores, James ainda estava sendo mantido em cativeiro. Um cativeiro mais elegante que o normal, é claro, mas ainda sim suas saídas do quarto em que dormia eram minuciosamente planejadas e vigiadas. Aparentemente, não confiavam no garoto Potter, razão para ele se permitir apreciar um pouco de humor negro e rir sozinho. Não tentara ou pretendera fugir desde sua conversa com Jonathan Hathaway, poucos dias antes, o que fazia o excesso de segurança parecer cômico aos seus olhos. Considerara suas opções por tempo suficiente para saber que o melhor que poderia fazer era aceitar a proposta do bruxo, e, estranhamente, não via muitos problemas nisso.
Em um dos muitos cômodos da casa onde passara as ultimas semanas, James folheava um livro qualquer sobre maldições. Aquele lugar tinha uma variedade enorme de obras arcaicas como a que ele lia, contendo feitiços muitas vezes especialmente doentios. Apesar disso, aprendera teorias de encantamentos úteis para seu futuro. Hathaway fazia questão que ele passasse seu tempo ali aprendendo. Ele ao menos fingia confiar no garoto.
Fechou o livro ao ouvir a porta sendo aberta, presumindo que fosse receber mais uma visita do dono da casa, mas sendo surpreendido pela presença de um de seus professores. Primeiramente, não expressou nenhuma reação além de um leve erguer de sobrancelhas, mas em poucos instantes um leve sorriso surgiu em seus lábios. — Poderiam ser melhores. — Não era o mesmo garoto divertido de antes, mas o sarcasmo se tornara seu novo melhor amigo. — Está aqui para me vigiar também ou pretende me levar de volta para Hogwarts, Phil? — O tom ácido em sua voz deixava claro que o tratamento informal era mais amargura do que intimidade. — Ou tenho direito a um professor particular?
Não era de se espantar a amargura nas palavras do rapaz. Phil podia até mesmo imaginar o que poderia estar passando pela cabeça dele naqueles dias. Jonathan Hathaway fora categórico ao afirmar que James era uma peça chave importante. A partir dele novos jovens poderiam se juntar aos seus ideiais. Apesar de Phil manter silenciosamente um grupo de alunos sob sua vista, era necessário uma figura que chamasse atenção dos outros que ainda se mantinham sobre o muro. E, certamente, James Potter era um nome capaz de evocar muitos outros para aquela causa.
-- Não vim aqui para vigiá-lo. Acho que já há mais guardas aqui do que em Azkaban. -- Aprumou-se no assento, mantendo a coluna bem ereta e o olhar direto no de James. Não estava ali para provocações e meias palavras. Tinha um objetivo traçado por um plano grandioso gerido por Hathaway. Sua paciência e cuidado com as palavras era o que fazia dele um soldado útil de alguma forma. -- Não falta muito para você voltar para Hogwarts. Só precisamos nos certificar se você fez sua escolha. E, é claro, se fez a escolha certa. Você sabe o que quero dizer.
Não precisava ser mais claro. James já conversara com Hathaway, pelo que sabia e, certamente, sabia que escolha tinha de fazer. Se ele fosse inteligente o suficiente, saberia que tentar enganá-los não funcionaria. -- Quando estiver pronto para assumir a missão que Hathaway reservou para você, bom, terei prazer em resgatá-lo, James. Posso dizer que o corpo docente de Hogwarts e o Ministério estão empenhadíssimos em sua procura. É uma pena que estejam procurando em todos os lugares errados.











