addicted to that fantasy — magrus.
picquesconde:
Ele tentava não pensar nisso, realmente tentava. Era algo que ele não queria lidar com ainda, o que havia acontecido na festa com Oberon, era um pensamento que insistia em voltar para a sua mente com frequência por mais que ele tentasse o afastar. Era melhor sair do dormitório, mesmo com a ressaca acabando com ele ainda era melhor que ele saísse de lá trocasse de ares um pouco, mesmo que continuar dentro de Beauxbatons não fosse realmente trocar de ares. Estava andando sem rumo por um tempo, por um milagre usava seus óculos, a falta deles piorava sua sensibilidade à luz, e com uma ressaca avassaladora se não os usasse não teria coragem de deixar o quarto.
Ele seguiu por mais um tempo, se deixando cair por rotina ao decidir fazer seu caminho para o Salão Escarlate, não estava surpreso de ver o lugar quase inabitado, ainda não era hora do almoço então não haveria ninguém lá em condições reais de estar lotando o lugar, considerando a quantidade de pessoas que estavam na festa no dia anterior. No entanto uma pessoa lá o chamou a atenção, logo a pessoa que ele não havia visto na festa a noite inteira que o fazia engolir em seco se lembrando do que havia acontecido.
Ele foi até Magenta com passos cansados, geralmente era muito mais ativo, mas tivera muito pouco tempo para dormir e tinha consigo tantos fatores para estar mentalmente cansado, ele se sentou ao lado dela no sofá e apoiou a cabeça no ombro dela, não conseguiria a olhar nos olhos naquele momento e essa era a melhor posição que conseguira pensar para evitar o contato e ainda estar perto dela. — Oi. — Disse em um tom de voz fraco enquanto se ajeitava buscando conforto — Eu não te vi ontem. Não foi para a festa?
@pinkpurplemagenta
A notícia de que perderia a festa não foi boa para Magenta. Ela sempre se empolgava para as festas da Liberté e a Fear the Queer tinha tudo para ser ainda melhor -ou talvez fosse impressão sua apenas por ser uma festa promovida pelos veteranos de todas as casas- apesar de Magenta não ter nada a ver com o tema da festa. Ficara sabendo do posicionamento de La Voisin nas últimas semanas e, sinceramente, tudo o que sentia era um pouco de decepção. Esperava mais inteligência manipulativa de uma egalité perfeita como a diretora atual. A americana podia facilmente ver aquela ação da diretora como a fagulha que iniciaria toda uma revolução em Beauxbatons e que seria tremendamente prejudicial à La Voisin. A festa era só o primeiro indício.
Uma febre altíssima, porém, impediu que ela comparecesse a festa. Já fazia alguns dias que não estava se sentindo bem a semana inteira e a enfermeira confirmou na sexta feira a infecção que ela tinha, não que Magenta tivesse conseguido entender na hora por conta das alucinações causadas pela febre alta. A parte boa de tudo isso, porém, era o dia seguinte à festa. Depois de tomar os remédios e poções, Magenta estava tão boa quanto sempre, ao contrário do resto do castelo que parecia imerso em uma terrível ressaca coletiva. Isso, no momento, significava que o Salão Escarlate estava incomumente vazio e calmo.
A morena estava aconchegada em um dos confortáveis sofás do salão, com as pernas esticadas num puf à sua frente e um livro em seu colo, aproveitando o silêncio raro por ali. A aproximação de Icarus não passou despercebida. Ela levantou os olhos para observar o estado do garoto, logo deduzindo que ele era uma das pessoas que estivera na festa da noite anterior. Sem pressa, a americana fechou o livro e o apoiou no sofá a seu lado, se ajeitando para que ele deitasse melhor em seu ombro. Estava com vontade de rir de toda a situação, mas controlou para que a risada fosse baixa para não incomoda-lo muito. Magenta podia até não amar ele de verdade ainda, porém ela estava tentando. “Oi para você também, zumbizinho.” brincou divertida e acariciou os cabelos dele com cuidado. “Eu fiquei presa na enfermaria. Ela só me liberou hoje de manhã.” respondeu fazendo um biquinho triste. “Estava doente demais para ir... Mas, e ai? Como foi? Perdoe-me, mas pela sua cara ou foi muito boa ou muito ruim.” novamente, ela riu baixo e levemente, e, com a mão livre, segurou uma das mãos dele já sabendo da resposta.
Depois de tanto tempo de convivência e de tanto estuda-lo antes de fazer o primeiro movimento para encanta-lo, Icarus se tornou uma pessoa muito transparente aos olhos de Magenta e ele estava obviamente procurando conforto. Desde sua entrada no salão, que parecia morta demais para os padrões de Icarus, ao fato de que ele mal olhara para Magenta antes de deitar em seu ombro: ele estava mal ou a ressaca estava insuportável. Talvez os dois.








