Florestas, sombras e Bolsonaro
As florestas e as sombras
Antigamente as florestas eram vistas como um lugar ligado à escuridão um lugar de medo. Daquilo que não se conhecia, daquilo do qual não se podia competir ou lidar. Por isso muitas das histórias de terror antigas sempre tem alguma relação com a floresta. Seja do chapeuzinho vermelho, seja das bruxas que raptavam os bebês e levavam para a floresta ou dos monstros que assombravam alguma região.
Tudo isso era uma espécie de espelho da escuridão que existe em nós mesmos. O medo como reflexo daquilo de desconhecemos.
acredito que hoje ainda fazemos isso. não mais com as florestas, porque hoje uma bomba sozinha, pode não só destruir florestas como pode acabar com vários planetas terras. Estou falando em relação ao desconhecido.
o medo é o pleno reflexo daquilo que ainda está em sombras. Aquele lugar que não vamos, que não mexemos mas que existe - indiferentemente do fato de não se ver.
O fato de não ver o que existe não faz com que aquele lugar desapareça.
Essa nova floresta que precisamos adentrar é a da nossa alma.E hoje, mais que em tempo, precisamos olhar para dentro.
Bolsonaro e as florestas e sombras
“loucos, estão todos loucos” alguns dizem
“como não podem ver!” outros completam
não são pílulas para serem engolidas.
A ascensão desse movimento neofacista não surge da simples aparição de um personagem como o Bolsonaro. Ele apenas expressa um sentimento que estava submerso, preso nesse lugar escuro, de medo daquilo que não se quer enfrentar, e esse momento de instabilidade requer segurança.
É alguém que dá legitimidade aos demônios internos.
é alguém que dá permissividade em manter esse lugar escuro bem fechado. Trancado. Com 7 chaves e ainda protegido com armamento pesado.
Esse lugar escuro só pode ser visitado pela pessoa que nele mora.
Podemos e devemos sim mostrar ferramentas que ajudam a iluminar e a limpar essa sujeira. que já se incrusta em algumas pessoas.
mas esse lugar, esse escuro. são dela.
Assim como sua vitória, que pode ser mais compaixão e mais empatia, também serão dela
- Esse é aquele presente que nunca é só de uma pessoa - porque a verdadeira vitória está no EU do singular cada vez mais se aproximar do EU no plural - NÓS
A tranquilidade necessária desse momento histórico vem na característica de que esse é um momento histórico.
ainda mais quando se olha de uma perspectiva encarnatória, essa é só mais um ciclo - ainda muito pequeno do que é esse todo.
E assim, tendo muito bem marcado no meu peito, um mundo onde mora a compaixão, a empatia, o amor só vai existir quando o meu mundo individual puder emanar isso.
Como posso falar de amor se não o sinto? Como posso pedir empatia se ela não habita meu peito? Como posso lutar pela compaixão se dela, só conheço seu nome?
Será uma fala calada, será um pedido cego e uma luta perdida.
Isso não significa falar sobre o amor inocente, romântico ou acomodado.
Significa nunca se acomodar, significa falar de uma busca onde os valores éticos (comunistas/humanistas/socialistas/ do bem viver e etc.) sejam tão firmes que não podemos nos perder na hipocrisia de afirmar, sem dúvidas, que o fim justifica o meio.
Que agora o outro precisa, seja do jeito que for, engolir a verdade. Inclusive, já ouvi muito - sim mais de uma vez - “esses facistas deveriam morrer tudo”.
A nossa sombra está em olhar pra nós mesmos e avaliar o quanto falhamos em promover processos que auxiliem na formação politizada das pessoas, na compreensão dialética dos coisas e suas contradições, da empatia como meio e como fim e entre tantas outras coisas que, nós que buscamos nos re-ligar (busca de espiritualidade) ou como esquerda, precisamos reavaliar.
Mas, acredite, quando esse outro não quer ouvir ele não ouvirá.
E isso é o mesmo para nós. sempre.
pois em nós existe essa mesma sombra, as vezes maior, as vezes menor, e em lugares diferentes. em aspectos diferentes - seja no autoamor, seja na relação com os pais, seja nas relações amorosas, seja na competitividade, seja no que for,
sombra é sombra e só será luz quando estivermos preparados para lidar com o que estiver por lá, independente do que seja.